segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Marinheira de primeira viagem


Foto: Aline Souza / EE
Para uma pessoa oficialmente tagarela o mais difícil de pegar a estrada sozinha é não ter com quem compartilhar pensamentos. Eu pensava que ia ser complicado assim mesmo, que ia me bater aquele tédio e que eu ia desistir da praia, do peixe frito e das companhias que tanto amo e voltar antes mesmo de chegar no meio do caminho.

Na verdade, foi bem mais fácil do que eu poderia imaginar. É claro que saí de casa com um frio na barriga, medo do desconhecido e mais ansiosa do que tudo. Mas, antes de me jogar na estrada, segui rigorosamente as instruções que haviam me passado para depois arrumar a bagagem, jogar tudo na mala e seguir meu caminho.

O mais importante é pensar nos imprevistos que possam acontecer durante a viagem e se preparar para eles. Um pneu furado, falta de gasolina ou mesmo errar o caminho são o tipo de coisa a que estamos sujeitas. Não aconteceu comigo (graças a Deus!), mas é importante pensar no tipo de reação que podemos ter e na solução a que vamos recorrer caso aconteça.

*Não vou comentar sobre direção perigosa aqui porque se você for desse tipo o conselho é ficar bem longe da estrada (hehehe).

Então, abasteça em local seguro, verifique pneus (estepe também faz parte), travas de segurança, motor, água, óleo, barulhos esquisitos que possam se transformar em perigo e coloque a agenda de telefones (ao lado de um celular com crédito) no banco do carona. 

Não esqueça dos documentos do carro e dos seus também, de uma garrafinha com água, lenços de papel, óculos de sol e protetor solar, e se tiver um GPS disponível – melhor ainda. Há quem prefira os mapas (eu sou dessas), então verifique o caminho antes de sair e preste atenção para não sair acidentalmente da estrada se precisar consultá-lo no caminho (acontece).

No meio do caminho tive a infelicidade de pegar congestionamento em Ipojuca e até duvidei que eu estivesse no caminho certo, mas graças a minha guia preferida do litoral pernambucano (Sílvia Fragoso), descobri que era só “seguir em frente a vida toda” que eu chegaria ao meu destino de sol e mar.

LINHA DO HORIZONTE - Quem disse que para chegar no paraíso era preciso andar descalço sob um mar de pedras estava corretíssimo. Ainda não viajei o País todo, mas pelo que leio e me informo, estrada ruim como as de Pernambuco só lá no Piauí. Trafegar pela BR-101 exige do condutor, acima de tudo, atenção.

Desviar de buracos é atividade constante e o motorista que se mete a besta e acelera demais pode ter uma surpresinha desagradável. Além das crateras, ônibus apressados, pessoas que atravessam certos trechos da pista aleatoriamente e pontos mal sinalizados são outras adversidades. Não gostei! Uma vergonha para o Estado, levando em consideração um “mero detalhe” - o caminho leva às principais praias do litoral de Pernambuco: Porto de Galinhas, Tamandaré, Carneiros, José da Coroa Grande... e por aí vai.

Foto: Aline Souza / EE
Ps.: Escrevo com o sentimento de quem enfrentou uma estrada na direção. Noutras vezes que viajei nunca tive esse olhar, porque eu ia de carona e sempre havia outras distrações no percurso – música, conversas, paisagens...

No fim, deu tudo certo. A minha primeira experiência como viajante solitária foi tão boa que já estou fazendo planos de repetir a dose para outro destino. 

O mais gostoso de viajar de carro é poder observar o mundo pela janela e sentir o vento e uma "areiazinha" no rosto. Pessoas, caminhos, histórias, tanta vida se revela no meio de asfalto, de sombra e de montanhas...

Duas horas e meia depois, estava eu desfazendo as malas em Japaratinga – AL. Eu só pensava: é, o paraíso existe e é bem aqui! Meu nome hoje é coragem! (:

Nos próximos posts conto sobre a curta estadia na cidade.


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