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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Visitando Montmartre, lar da boemia de Paris

Charmoso e boêmio. Assim poderia ser definido o bairro parisiense de Montmartre em uma descrição restrita a apenas duas palavras. Mas é fato que adjetivos não faltam para descrever a região do 18º arrondisement: aconchegante, romântico, nostálgico ou simplesmente lindo. Visitar esse bairro, que é extremamente turístico, é como dar um verdadeiro mergulho no tempo, vivenciando uma Paris idealizada, tal como a vemos nos filmes.

É claro que na realidade nem tudo são flores. Paris é uma cidade enorme, com problemas tal como todas as grandes cidades mundiais, mas Montmartre guarda um quê de passado, que encanta qualquer visitante. Com suas ruelas e casarios, o bairro tem muitas opções para compras, turismo e gastronomia. É uma região obrigatória para quem está de passagem pela Cidade-Luz.

Panorama de Montmartre, tirado na Place Dalida. (Foto: Milton Raulino / EE)

Montmartre fica numa região mais afastada do Centro, portanto é preciso pegar algum transporte para chegar até lá. Descendo na estação Blanche do metrô, na Boulevard de Clichy, nos deparamos logo com um dos famosos cabarets franceses: o Moulin Rouge. Lá acontecem espetáculos musicais no estilo cabaré, famosos na cidade e no mundo. Aquela área, chamada Pigalle, é muito conhecida pela movimentação noturna, abrigando há anos sex shops e casas de show erótico. É uma área mais ríspida, humilde e mal cuidada da cidade. Se não foi assistir nenhum espetáculo, recomendo uma passagem lá, mas nada muito demorado.

Para os que gostam de ir direto ao ponto, para chegar logo a Montmartre, recomendo descer na estação Abbesses. A região é a mais alta de Paris e se situa bem sobre uma colina; assim, prepare-se para subir as ladeiras em paralelepípedo, que já serão um convite para conhecer a localidade. Para não cansar, faça o passeio sem pressa, observando as lojas, os cafés e os casarios antigos. Há muitas coisas interessantes para se ver.

Le Moulin Rouge, um dos mais famosos cabarés de Paris (Foto: Milton Raulino / EE)

Na Rue des Abbesses, próxima à estação, já se encontra um dos principais monumentos da região, o Murs des Je T'aimes. Trata-se de uma grande parede com várias inscrições de amor em diferentes idiomas. Seguindo a rua sentido oeste chegamos a Rue Lepic - é lá que estão o Café des Deux Moulin, no qual foram filmadas cenas do filme "O Fabuloso Destino de Amélie Poulin", e o restaurante Moulin de la Galette. Vale lembrar que Montmartre, nos séculos XXVIII e XIX, era a região dos moinhos. O Moulin de la Galette é um dos poucos estabelecimentos que preservaram essa característica arquitetônica, o que por si só já se torna um atrativo.

Seguindo a rua, à leste, subiremos naturalmente o bairro até a região mais alta, que é a da Basílica do Sagrado Coração (Sacré Coeur). Na minha opinião é a igreja mais bonita de Paris e deve ser visitada de qualquer forma. É a principal atração do bairro e pode ser vista de quase toda a cidade, ao longe. Por isso, ao se aproximar dela, as ruas passarão a ter mais atrações, como restaurantes, bares, cafés e lojas diversas. É uma excelente opção para se comprar lembrancinhas em Paris, embora os preços não sejam os mais em conta.

Café Des Deux Moulins, em cena de Amélie Poulain (à esquerda), e o Moulin de la Galette (Foto: Milton Raulino / EE)

Antes de chegar à Sacré Coeur, há outros pontos que valem ser lembrados. Seguindo pela Lepic, chegaremos à Rue Norvins, que nos encaminha a Place du Tertre. É um dos lugares mais animados de Montmartre, mais conhecida como a praça dos artistas. Ali, a boemia corre solta; funcionam muitos ateliês e os artistas ficam na praça pintando quadros e fazendo caricaturas dos turistas. Pelos arredores muitos bares abertos e músicos arriscam no acordeão, dando a trilha sonora francesa perfeita para o passeio. Outros pontos interessantes do entorno é o Espaço Dalí, dedicado ao pintor surrealista Salvador Dalí, e o Museu de Montmartre, que honra o bairro com exposições interessantes.

Mais adiante chegamos à Sacre Coeur e, em frente as suas escadarias, temos a vista mais bonita da cidade. Cheguei a tempo de pegar um lindo por do sol. Como fazia bom tempo, muita gente lotava as escadas apenas para curtir a paisagem. Uma vez lá em cima, impossível não querer entrar no templo, que é muito bonito. Pode-se visitar a área comum gratuitamente; já o domo da catedral tem acesso pago pela lateral da basílica.

Boemia e agito noturno na Place du Tertre (Foto: Milton Raulino / EE)

E depois da jornada pelas ladeiras, nada melhor do que um jantar para reforçar as energias. Há muitas opções por ali, todas muito interessantes. Fica a seu gosto. Descendo as escadarias, chegamos à Funiculaire de Montmartre - uma espécie de trenzinho, usado para subir e descer da Sacré Coeur, para quem não tem pique para os degraus e ladeiras. Recomendo para quem tem pouco tempo ou tem dificuldades de locomoção.

O caminho da Funiculaire pode ser feito a pé por escadas. Essa é a principal região de chegada e saída da Sacré Coeur, com acesso direto à estação do metrô Anvers. É o trecho mais curto para se chegar à igreja, embora seja um dos mais íngremes. Por isso que recomendo uma subida mais leve, por ladeiras mais suaves. É possível curtir as atrações do bairro e subir a região sem nem notar. É mais divertido e menos cansativo.

Basílica do Sacré Coeur, no ponto mais alto da cidade, tem vista para boa parte de Paris (Foto: Milton Raulino / EE)

Para tomar esse caminho, recomendo bastante atenção, principalmente à noite. Por ser o principal acesso, há muitos turistas passando por ali e pessoas mal intencionadas tentando enrolá-los. Na saída, voltei pelas escadarias e fui abordado por dois rapazes que me intimidaram, tentando amarrar uma pulseira no meu braço. Já havia ouvido falar desse golpe, pelo qual eles tentam lhe cobrar pela bijuteria. Não caia na conversa deles! O segredo é seguir em frente e não dar atenção, principalmente se estiver sozinho, como eu estava.

Episódios como esse mostram como a boemia e as aventuras noturnas têm seus perigos, e requerem atenção dos curtidores, seja em que país for. Há muitos hotéis e albergues em Montmartre, e essas dicas valem também para quem se hospedar por ali. Se possível, evite sair à noite, chegar tarde demais e andar pelas ruas sozinho. De resto, basta ter atenção e curtir o melhor que o bairro pode lhe oferecer.

➲ SERVIÇO:
Basilique du Sacré Coeur
Rue du Chevalier de la Barre, nº 35, Paris - França
Aberta diariamente, das 6h às 22h30. Entrada Gratuita.
Acesso às torres: das 8h30 às 20h. (de maio a setembro), e das 9h às 17h (de outubro a abril).
Mais informações: http://www.sacre-coeur-montmartre.com/

Museu de Montmartre e os jardins de Renoir
Rue Cortot, nº 12, Paris - França
Aberto diariamente, das 10h às 18h. Valor para entrada comum: € 9,50.
Mais informações: http://www.museedemontmartre.fr/

Espace Dalí
Rue Poulbot, nº 11, Paris - França
Aberto diariamente, das 10h às 18h. Entre julho e agosto, fechamento às 20h. Tarifa comum: € 11,50.
Mais informações: http://daliparis.com/fr/

Cabaret Moulin Rouge
Boulevard de Clichy, n 82, Paris - França
Horário de visitação sujeito à programação da casa, disponível em: http://www.moulinrouge.fr/.

✈ Leia também:
Paris a pé: de Notre Dame ao Jardim de Luxemburgo
Torre Eiffel: dicas para visitar a vedete parisiense
Como é o passeio de barco no Rio Sena?

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Paris a pé: de Notre Dame ao Jardim de Luxemburgo

Paris é uma cidade fácil de se locomover. Apesar do seu sistema de transporte eficiente, a cidade é relativamente plana e, uma vez no Centro, os pontos turísticos não ficam tão distantes um do outro. Se o clima estiver bom, é possível então fazer quase tudo andando, observando cada ângulo e cena da cidade. Durante minha estadia, me locomovi muito de metrô e bastante a pé. Compartilho, em especial, um dos trechos que fiz caminhando e que mais curti.

Depois de Torre Eiffel e Arco do Triunfo, fui conhecer outra sumidade turística da França - a Catedral de Notre Dame. É, de fato, uma linda construção. Arquitetura impecável, imponente e totalmente preservada. Vale nem que seja para ficar na frente alguns minutos admirando a catedral.

Fachada da Catedral de Notre Dame 
(Foto: Milton Raulino / EE)

O interior então nem se fala. Como muitas igrejas parisienses que visitei, elas são enormes e muito classudas. A entrada é gratuita, e dentro é possível tirar fotos sem flash. No interior existem lojas de artigos religiosos, confessionário e até uma sala de tesouros onde se pode visitar as relíquias santas da Notre Dame. Os únicos passeios que são pagos são a visita às torres da catedral e à cripta arqueológica.

Fachada da Conciergerie e cúpula da Sainte Chapelle, à esquerda (Foto: Milton Raulino / EE)

A Notre Dame se situa na Île de la Cité, uma pequena ilha no Sena, rio que divide a cidade ao meio. Nela e em torno dela se encontram muitos monumentos franceses importantes. Entre os destaques, recomendo uma visita à Conciergerie, antigo palácio que já foi sede do governo francês na Idade Média, prisão na Era Absolutista e hoje abriga o Palácio da Justiça de Paris. 

A Conciergerie tem um tour interessante por pequenas e antigas salas que, no passado, serviram de celas para prisioneiros. É possível se sentir numa verdadeira prisão, com os espaços remontados como eram na Idade Moderna. Um dos destaques do local é a cela da rainha Maria Antonieta, que ficou presa ali até ser encaminhada para morrer na guilhotina, em 1793. Além disso, há exposições itinerantes de renome, como a que foi feita em homenagem ao 800º aniversário de vida de São Luís, um dos reis mais importantes da França.

O conjunto arquitetônico ainda reserva mais surpresas. A Sainte Chapelle - Santa Capela em português - foi construída ali pelo rei Luís XI (São Luís) para abrigar as relíquias sagradas que foram capturadas no Oriente Médio durante as Cruzadas da Idade Média. Trata-se de uma pequena capela, divida em parte alta e baixa, e com vitrais deslumbrantes. Além de encher os olhos, é história pura!
Vitrais da Sainte Chapelle (Foto: Milton Raulino / EE)

De lá, dediquei minha tarde a explorar a cidade. Caminhei sentido sul e cheguei até Saint Germain, um bairro bonito e bem agradável. Na chegada pela ponte Saint Michel, uma linda fonte de São Miguel Arcanjo, construída a mando de Napoleão, atrai as atenções. Na beirada do Sena, sebos em barraquinhas nos fazem viajar no tempo vendendo livros e discos antigos, relíquias e lembrancinhas.

Sebos vendem relíquias francesas antigas ao longo do Sena (Foto: Milton Raulino / EE)

É nesses arredores que fica a famosa Universidade de Sorbonne, uma das importantes do mundo. Saint Germain, portanto, é um bairro jovem e animado. Há, pela região, muitos sebos, restaurantes e bares charmosos. Vale um passeio demorado para fazer uma refeição, apreciar o movimento e os prédios da universidade. Também ficam por ali, embora mais afastadas, lindas igrejas como as de Saint Germain de Près e Saint Sulpice, e o Quartier Latin, bairro conhecido principalmente pela Rue Mouffetard, onde tem um mercado a céu aberto bem interessante.

O jovem e animado bairro de Saint Germain (Foto: Milton Raulino / EE)

Gostei tanto desse roteiro que o fiz duas vezes, cada uma em cerca de três horas. Em ambas, terminei a tarde em um dos parques mais charmosos de Paris, o Jardin de Luxembourg - Jardim de Luxemburgo. Mesmo no outono, quando não está tão florido, o jardim tem vasta área verde, com muitos canteiros e árvores bem preparados. É mesmo muito agradável passar algumas horas curtindo a natureza, principalmente fim de tarde, quando há um belo pôr do sol.

Uma tarde cinza no Jardim de Luxemburgo (Foto: Milton Raulino / EE)

Recomendo também visitar, no jardim, o Museu de Luxemburgo, que tem muitas boas exposições. Quando estive lá, me deliciei com uma mostra interessante sobre impressionismo, estilo de pintura que me encanta. Ver obras de Renoir e Manet ao vivo, então, foram de tirar o fôlego. Não poderia ter terminado meu dia de forma melhor!

➲ SERVIÇO:
Catedral de Notre Dame de Paris
Parvis Notre Dame, nº 6, Place Jean Paul II, Île de la Cité - Paris, França.
Aberta diariamente, das 8h às 18h45; nos sábado e domingos, até as 19h15.
Entrada gratuita. Mais informações: http://www.notredamedeparis.fr/
Informações sobre acesso às torres da igreja: http://notre-dame-de-paris.monuments-nationaux.fr/
Informações sobre acesso à cripta arqueológica: http://www.crypte.paris.fr/
Como chegar: Estação Cité (Linha 4) do metrô.

Palácio da Conciergerie e Sainte Chapelle
Boulevard du Palais, nº 2, Île de la Cité - Paris, França
Aberto diariamente, das 9h30 às 18h30
Acesso à Sainte Chapelle: de 9h30 às 18h (março-outubro) e das 9h às 17h (novembro-fevereiro)
Ingresso simples para adulto: € 8,50; ingresso Conciergerie + Saint Chapelle: €12,50.
Mais informações: http://conciergerie.monuments-nationaux.fr/
Informações sobre a Sainte Chapelle: http://sainte-chapelle.monuments-nationaux.fr/
Como chegar: Estação Cité (Linha 4) do metrô.

Jardim de Luxemburgo
Jardin de Luxembourg, S/N, Paris, França
Aberto diariamente. Entrada gratuita.
Horários: em função da duração do dia ao longo do ano, variando das 7h30 às 21h30 (alto verão) a das 8h15 às 16h30 (alto inverno).
Horários detalhados e outras informações: http://www.senat.fr/visite/jardin/
Como chegar: Estações Odéon (Linhas 4 e 10) ou Mabillon (Linha 10) do metrô.
Informações sobre o Museu de Luxemburgo: http://museeduluxembourg.fr/

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Arco do Triunfo e Jardim das Tulherias: primeiras aventuras em Paris
Torre Eiffel: dicas para visitar a vedete parisiense
Como é o passeio de barco no Rio Sena?

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Como é o passeio de barco no Rio Sena?

Como bem disse o nobre poeta português Fernando Pessoa, "navegar é preciso". Deve ser por isso que uma das atrações turísticas obrigatórias das cidades europeias é o passeio de barco pelos rios que as cortam. Em Paris, é possível navegar ao longo do Sena de várias formas, conhecendo a capital francesa por um ângulo diferente e observando mais de perto alguns edifícios e, principalmente, as pontes parisienses.

Embarquei no passeio no meu terceiro dia de estadia na Cidade Luz. Desci na praça do Trocadéro, passei pelos jardins do Palais de Chaillot e, ao atravessar a ponte de Iéna, já podia ver as estações de barco no cais da margem oposta, perto da Torre Eiffel. Depois de uma voltinha breve pela região, fui ao cais para tomar um barco e apreciar um pouco a beleza da cidade e do Rio Sena.

Port de la Bourdonnais: ponto de partida de muitos cruzeiros no Sena (Foto: Milton Raulino / EE)

O acesso ao passeio é simples, prático e sem mistérios. Há muitas companhias de barco no local, todas muito organizadas e com muitos frequentadores. Os ingressos podem ser comprados nos guichês disponíveis no próprio cais; após comprar, basta entrar na fila e esperar para embarcar. Optei pela Croisières Bateaux Parisiens, companhia que minha irmã havia indicado e a qual também indico aqui.

Gostei muito do passeio. Os barcos atracam numa espécie de estação, que tem lanchonete e lojas de lembranças para entreter os turistas. Em geral, percebi que os preços das companhias são mais ou menos equivalentes, havendo diferenças mínimas. Todas oferecem várias opções de bilhetes: individuais, para grupos, crianças, e por aí vai.

Há opções de tickets para passeios sem interrupções ou na modalidade hop on, hop off, na qual é possível descer em algumas estações de sua preferência ao longo do caminho e retornar ao barco para completar o passeio (o mesmo sistema utilizado nos ônibus turísticos). Existem também outras modalidades, como passeios com direito a jantar ou com café da manhã, para quem quer algo mais romântico e demorado. Optei por um passeio simples, ininterrupto, que durou mais ou menos uma hora e pelo qual paguei um valor que achei justo, 14 euros.

Catamarã passando sob a "ponte dos cadeados", a Pont des Arts (Foto: Milton Raulino /EE)

O barco, no estilo catamarã, era muito confortável e agradável. Havia poltronas por toda parte, possibilitando aproveitar o passeio de muitos ângulos diferentes. Todas as cadeiras possuem um fone de ouvido - que mais parecia um telefone - no qual são veiculadas informações turísticas do passeio em sete idiomas diferentes (infelizmente não tinha português). Nos intervalos das locuções, canções francesas compunham a trilha sonora que embalava a nossa viagem.

Passamos por todas as principais pontes de Paris: entre as mais bonitas, a Pont des Arts - aquela, a dos cadeados apaixonados  - e a Ponte Alexandre III - com entalhes pretos e dourados. Também temos uma vista privilegiada de monumentos históricos, como: a Assembleia Nacional, a antiga Estação d'Orsay - que hoje abriga o Museu D'Orsay, um dos mais importantes de Paris - e a Catedral de Notre Dame. Depois de passarmos dela, o barco retorna pelo mesmo percurso, de forma que temos uma vista do outro lado da margem.

Uma linda tarde de sol no outono de Paris, navegando no Sena (Foto: Milton Raulino / EE)

Sem dúvidas, o Sena é muito gostoso de se aproveitar, principalmente numa tarde de sol, como aquela. Na beira dos cais, muitas pessoas sentadas à beira do rio conversando, passeando e aproveitando o dia ensolarado. Muitas acenavam quando o barco passava. É um passeio simples mas muito agradável, tanto que me parece que não são só os turistas que o apreciem.

Durante o passa-passa entre uma foto e outra, fiz amizade com uma simpática senhora francesa que estava levando os netos para passear. Ela disse que sempre faz isso quando faz sol, para aproveitar o clima quente e, também, porque acha importante os netos conhecerem desde pequenos os monumentos nacionais e a história da França. Achei incrível, pois é uma cultura muito diferente da América, a qual não estamos acostumados. Aproveitamos o breve momento de conversa para praticar o idioma - ela o inglês e eu, o francês - e para tirarmos fotos um para o outro. 

Eu e a catedral de Notre Dame (Foto: Minha breve amiga francesa / Especial para o EE)

Em todas as cidades por que passei havia possibilidade de passeio de barco: no Sena, em Paris; no Tâmisa, em Londres; pelos canais de Amsterdã; no Spree, em Berlim; e no Reno, em Colônia. Contudo, só cheguei a passear mesmo pelo Sena, visto que a Cidade-Luz era a que eu tinha mais tempo de estadia. Não importa em qual delas, não deixe de reservar pelo menos um dia para navegar e curtir as belezas europeias numa experiência única como essa. Você não vai se arrepender.

➲ SERVIÇO:
Cruzeiros Bateaux Parisiens
Port de la Bourdonnais, Quai Branly, Paris - França (Cais da Torre Eiffel, ao pé da Ponte de Iéna)
Como chegar: Estação Trocadéro (Linhas 6 e 9 do Metrô)
Informações sobre passeios: http://www.bateauxparisiens.com/

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Torre Eiffel: dicas para visitar a vedete parisiense
Paris a pé: de Notre Dame ao Jardim de Luxemburgo
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Torre Eiffel: dicas para visitar a vedete parisiense

Depois de quase um dia e meio em Paris, já familiarizado com o movimento local, me sentia preparado o suficiente para visitar o principal cartão-postal da Cidade-Luz: a Torre Eiffel. O monumento símbolo da França é um dos mais disputados para visitação. Sem dúvidas é a atração queridinha de todos os turistas, por isso é preciso paciência e disposição para curtir este passeio. 

Decidi não visitá-la logo a princípio, tentando bolar uma estratégia de deixar o melhor para o fim. Era uma manhã ensolarada quando desci de metrô no Trocadéro e já me senti impactado quando vi a cena. Os jardins do palácio formavam uma cena incrível com as margens do Sena, a Torre e aquele imenso céu azul. Apesar da animação, não me apressei em subir; resolvi contemplar o monumento do chão, andar pelo Campo de Marte, pelos arredores.

Após um dia de andanças, voltei à noite para ver a Eiffel iluminada. Um espetáculo! Tal com de dia, muita gente se aglomerava nas filas para subir e ver a cidade do alto. A torre é incrivelmente grande - mais do que eu imaginava - e bonita. Sem dúvidas, é um ponto de parada obrigatório para quem está pela primeira vez em Paris.

A Torre Eiffel de dia e à noite, vista do Palais de Chaillot, no Trocadéro (Fotos: Milton Raulino / EE)

Decidi encará-la no dia seguinte, pela manhã, pois durante o dia é melhor de se ver a cidade. Acordei o mais cedo que pude dentro da minha condição de disposição de mochileiro. Cheguei às 9h50, apenas vinte minutos depois de abrir os portões e, para meu governo, não tive surpresas: já havia filas. Bem menores do que durante a tarde e à noite, mas havia. Escolhi a menor, porque não pretendia ficar o dia todo lá, e desejei-me boa sorte.

A torre possui quatro pés, todos eles com acesso para subir. Nos dias que estive lá, apenas três estavam funcionando, duas com elevador e uma com escadarias. Como não estava disposto a passar o dia inteiro lá, escolhi a fila que estava menor, que era a para as escadas. Após esperar cerca de meia hora, comecei a subida. Fazer o percurso a pé tem lá suas vantagens: a espera na fila é menor, o ingresso é mais barato (paguei 5 euros) e, ao longo do caminho, há patamares com placas contando a história da criação do monumento e de seu criador. Não é tão mau negócio assim. 


Filas e mais filas. Vai encarar? (Fotos: Milton Raulino / EE)

No primeiro andar da torre temos uma grande área na qual se pode contemplar a vista, que é linda. O local passou por reformas e recentemente inaugurou novas instalações, como uma espécie de museu, mostrando em números a grandiosidade da Torre e de outros monumentos do mundo, e um piso de vidro onde os turistas têm a impressão de flutuar sobre o chão lá embaixo.

O meu ticket dava acesso a subir até o segundo andar da torre, Após mais escadas, cheguei até ele. O espaço é mais reduzido e mais disputado; o visual é tão lindo quanto. Falando em estrutura, enquanto o primeiro andar é maior e tem grades de proteção em toda sua extensão, o segundo possui uma espécie de sacada que lhe permite ver a vista sem obstáculos. Exceto pelas muitas pessoas querendo tirar foto e apreciar a vista.


Campo de Marte (à direita) e Paris vistos do primeiro andar da Torre (Foto: Milton Raulino / EE)

Em lugares assim apertados e cheios é onde também moram alguns perigos. Felizmente ou não, Paris é uma cidade conhecida e apreciada no mundo todo, atraindo pessoas de todas as partes. Devido a isso, é comum haver furtos em regiões turísticas muito lotadas. A dica é manter seus pertences muito bem guardados, próximos ao corpo, e ao alcance da vista. Mesmo assim, por pouco não fui uma vítima. Enquanto tentava tirar fotos no rebuliço de gente indo, vindo e esbarrando em mim, abriram minha bolsa. Sorte que percebi a movimentação antes que tivessem levado algo.

É  uma pena, mas fatos assim são comuns onde há muitos turistas. Os batedores de carteira estão em busca de pessoas distraídas; basta ficar atento e tudo dará certo. O bom é tomar cuidado em toda a região da Torre. No térreo, há sempre pessoas lhe abordando pedindo para assinar petições ou querendo pregar truques. Recomendo nem mesmo interagir com essas pessoas; mantenha seus pertences junto a você, seguros, e siga seu trajeto sem dar atenção.

Devido ao episódio, dei por encerrada minha jornada no segundo patamar. Era possível subir até o topo da torre, o terceiro e último andar. Mas para isso, teria que comprar outro ticket e encarar mais duas filas, uma para comprar e outra para subir. No fim das contas, seria a mesma vista de outro ângulo. Dei preferência então a economizar no tempo para outras atividades.

Área do Palais de Chaillot (ao centro) e o Rio Sena vistos do segundo andar da Torre. (Foto: Milton Raulino / EE)

Antes ou depois de descer, não deixe de ir ao Campo de Marte, que é uma área bonita para se sentar na grama, fazer um lanche e apreciar a Torre. Caso vá retornar de metrô, a região do Trocadéro também é interessante para um passeio mais atento. O edifício do Palais de Chaillot abriga o Museu Nacional da Marinha e um ambiente dedicado à arquitetura e ao patrimônio urbanístico de Paris. Em volta da praça Trocadéro, muitos restaurantes e bares charmosos são um convite para um jantar ou almoço na localidade.

Achei o passeio na Eiffel bem bacana, mas nada exatamente extraordinário. É um bonito monumento que, apesar de proporcionar uma bela vista, acredito que seja mais bonito de ser admirado ao longe. É a mesma opinião que tenho sobre o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro: particularmente, gosto mais de observá-lo do que estar lá no alto. Mas isso vai de cada um, é claro. Mas, independentemente disso, a Torre Eiffel é incrível, e por isso é e será sempre a vedete do turismo preferida da França.

➲ SERVIÇO:
Torre Eiffel
Avenue Anatole France, nº 5, Paris, França
Aberta todos os dias. De junho a setembro, das 9h à 0h. No restante do ano, das 9h30 às 23h.
Como chegar: Estação Trocadéro (Linhas 6 e 9 do Metrô)
Website: http://www.toureiffel.paris/

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Arco do Triunfo e Jardim das Tulherias: primeiras aventuras em Paris


 Rio Sena à noite, em Paris. (Foto: Milton Raulino / EE) 

Para mim, estar na França era um mito; uma mistura de realização pessoal com sonho de consumo. Não sei como explicar, mas, desde os 19 anos, me aventuro pela cultura francesa, graças à santa Internet: paisagens, linguagens, música, gastronomia... Tudo ali me encantava. Resolvi, portanto, que, na minha primeira viagem à Europa, Paris seria o destino certeiro – E foi. Fiquei cinco dias na capital da França, estadia que, apesar de curta, me fez sair do platonismo e aprender a gostar de Paris tal como ela é, com suas qualidades e defeitos.

Cheguei à Cidade-Luz depois de 9 horas de avião e 3 de trem, já de noite. Tratei de chegar logo ao hostel para fazer check-in e cair na rua para ver a cidade cintilar. Jantei um crepe no bairro Le Marais, conhecido por ser um bairro jovem, de vida noturna animada, e caminhei um pouco para ver o movimento. Neste passeio, tive o primeiro contato com os monumentos da capital. Por toda parte, construções baixas e de arquitetura antiga totalmente preservadas denunciavam que a história está imortalizada. Por instantes, eu também podia fazer parte daquilo que, pra mim, só era concreto nos livros.

Ópera Garnier de Paris (à esquerda) e fachada do Teatro Olympia (Fotos: Milton Raulino / EE)

Passei pelo Hôtel de Ville – edifício que abriga a prefeitura de Paris, na frente do qual acontecia um protesto. Apesar do ambiente hostil, muitas pessoas caminhando e aproveitando a noite, que estava estrelada e agradável. Um frio sereno embalava a noite. Caminhei ao longo do Sena, passei pela Pont des Arts – a famosa ponte dos cadeados – e cheguei ao suntuoso Louvre. Ao longe, se via o topo da Torre Eiffel brilhando.

No dia seguinte, resolvi explorar melhor a região com o dia claro. Comecei pela linda região da Ópera Garnier, prédio da Academia Nacional de Música. Passei pelo famoso teatro Olympia – music hall de renome - e pela Place Vendôme até chegar ao Jardin des Tuileries. Fazia sol e muitas pessoas estavam aproveitando o dia ao ar livre: fazendo cooper, relaxando nas cadeiras à beira dos pequenos lagos e fontes do jardim, ou apenas passeando. É engraçado notar que, nos países onde há estações bem definidas, as pessoas dão muito valor ao sol e fazem questão de aproveitá-lo quando os dias frios estão por vir. Afinal, como as árvores já anunciavam, o outono havia chegado.

Cenas de uma tarde de sol no Jardin des Tuileries (Fotos: Milton Raulino / EE)

A região é bastante agradável e vale passeio lento, sem pressa. De uma ponta, tem-se acesso ao pátio do Louvre; do outro, o Obelisco, na Place de la Concorde, dá início à Champs-Elysées. Depois de explorar o parque, andei por toda a extensão da avenida, passando por dois museus importantes, o Grand e o Petit Palais, até chegar ao meu objetivo do dia: visitar o Arco do Triunfo, um dos dois principais ícones da França.

A entrada é fácil, através de um túnel por debaixo da larga rotatória de veículos que circunda o monumento. Essa é a única forma de atravessar, já que não há semáforos no local. No próprio túnel, uma movimentação já indica os guichês de compra do bilhete, pelo qual paguei € 9,50. Esse é o ticket para um adulto, mas tarifas diferentes para estudantes e grupos, por exemplo.

O Arco do Triunfo, símbolo francês da vitória (Foto: Milton Raulino / EE)

Na realidade, o acesso à praça Charles de Gaulle, onde fica o Arco, é gratuita. Pode-se observar os ricos entalhes de perto sem pagar nada. Em volta do monumento, que é o símbolo da vitória para os franceses, há placas que homenageiam a participação da França em guerras, combates e episódios históricos que marcaram o país.

O ingresso só é necessário para quem quer subir no Arco. É aí que se precisa de disposição para encarar alguns (vários) degraus. No caminho, há um pavimento com uma pequena galeria contando a história do monumento, mas a verdadeira recompensa está no topo, ao ar livre. De lá, tem-se uma linda vista da cidade em 360 graus. Vale o esforço em cada degrau.

E quem disse que eu queria ir embora? Fiquei durante muito tempo admirando aquela linda tarde de sol parisiense. Ali, meu sonho se realizava; me sentia abençoado, grato, e meu coração batia feliz. Até podia ouvir, na minha mente, Edith Piaf cantando a canção Sous le Ciel de Paris (Sob o Céu de Paris). Foi inesquecível. Que maravilha era estar sob aquele céu!
Sob o céu de Paris! (Foto: Milton Raulino / EE)

➲ SERVIÇO:
Arco do Triunfo
Praça Charles de Gaulle, S/N, Paris - França
Aberto todos os dias: de abril a setembro, das 10h às 23h; de outubro a março, 10h às 22h30.
Como chegar: Estação de metrô Charles de Gaulle-Étoile (Linha 1 - Amarela)

Jardin des Tuileries (Jardim das Tulherias)
Rue de Rivoli, 113, Paris - França
Aberto regularmente de março a maio, das 7h às 21h; de junho a agosto, das 7h às 23h; no mês de setembro, das 7h às 21h; de outubro a abril, das 7h30 às 19h30.
Como chegar: Estação de metrô Tuileries (Linha 1 - Amarela)
Entrada Gratuita.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Uma manhã na pequena grande Frankfurt

Primeiro contato com a Europa: Frankfurt, Alemanha (Foto: Milton Raulino / EE)

Após nove horas no voo, chego a Frankfurt. A cidade alemã foi o ponto de partida da minha aventura entre outubro e novembro de 2014, que englobou Paris, Londres, Amsterdã, Berlim, Colônia e Aachen (estas últimas cidades também alemãs, onde encontraria amigos brasileiros que estão morando pelas bandas de lá). A estadia de apenas uma manhã na cidade, antes de pegar um trem para Paris, me encantou e deixou um gostinho de quero mais.  

Frankfurt é uma pequena grande cidade. Trata-se de uma cosmopolita em tamanho ínfimo, se comparada às cidades desenvolvidas da Europa. Ela abriga um grande centro econômico-financeiro e um dos aeroportos mais movimentados do continente, recebendo voos de todo mundo. Devido a esse fluxo intenso, muitas pessoas, como eu, têm períodos curtos de estadia em Frankfurt e se perguntam: será que há atrações interessantes para se conhecer nesta cidade?

A resposta é sim. Se você dispor de ao menos um turno inteiro, cerca de cinco horas, em Frankfurt, é possível dar uma volta e conhecer coisas bem legais na cidade. Cheguei lá bem cedo, já com um bilhete de trem para Paris, com embarque no começo da tarde. Guardei minha mala na estação de trem e fui passear. A volta me encantou e me proporcionou o primeiro contato com a cultura europeia.

Apesar do movimento, a cidade é silenciosa, tranquila é agradável. Ela congrega bem o moderno e antigo: de um lado, arranha-céus envidraçados, sedes do Euro; mais algumas ruas adiante, edifícios históricos formam a Altstadt, a região antiga da cidade. Casas típicas da arquitetura alemã e igrejas compõem um lindo visual que pode ser percorrido todo a pé.   

Imagens da Altstadt, centro antigo de Frankfurt (Fotos: Milton Raulino / EE)

Me chamou atenção também o grande calçadão Zeil, onde se concentra o comércio local. Muitas lojas de vestuário, calçados, perfumes, maquiagem, restaurantes, lanchonetes, lembrancinhas... Tem de tudo um pouco. O shopping center MyZeil rouba a cena local com seu design moderno e arrojado: a fachada do centro de compras é toda feita de vidro trabalhado, o que forma uma arquitetura bem interessante. Sem dúvidas é uma opção válida para se comprar ou ver as novidades.

A região do Zeil é bem agradável, tem muitas árvores, bancos e bicicletas. Também havia muitos locais para comer e beber ao ar livre – são os chamados biergarten ou, em bom português, jardim da cerveja. É o local onde o pessoal se reúne para conversar, beber uma cerveja e se distrair em meio à loucura da rotina. Os biergaten de verdade são em locais mais arborizados, o que traz as pessoas mais pra perto da natureza. Mas também há alguns dentro da cidade. A manhã daquela quarta-feira, 29 de outubro, estava fria e, em horário comercial, não havia muita gente desfrutando das mesinhas, exceto eu e algumas poucas pessoas.

Cena do calçadão Zeil (à esquerda) e fachada do shopping MyZeil (Fotos: Milton Raulino)

A cidade ainda oferece mais opções turísticas. O zoológico de Frankfurt, por exemplo, é bem falado e avaliado por quem o conhece. Há também museus, como a casa em que nasceu o escritor Goethe. Para quem tem mais tempo pode ainda embarcar num ônibus turístico para dar uma volta rápida na cidade e ver as atrações e monumentos com a orientação de guias turísticos.

Se você tiver estiver de passagem por Frankfurt, não deixe de circular e ver um pouco dela. Mas a lembre-se que a cidade é pequena. Dois dias são o suficiente para passear por lá. Para mim, o tempo passou voando. Quando vi, já era hora de voltar à estação para encontrar e pegar meu trem. Apesar de breve, o passeio valeu a pena. Obrigado pela companhia, Frankfurt, nos encontramos mais noutra oportunidade. Agora, Paris me aguarda!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Voando pela Condor: como é o voo direto do Recife para a Alemanha?


A primeira viagem ao exterior a gente não esquece. Entre outubro e novembro de 2014, fiz a minha primeira viagem internacional: um tour de 20 dias pela Europa, passando por quatro países - França, Inglaterra, Holanda e Alemanha. Fui só, de mente e coração abertos, com fome e sede de tudo. O resultado foi uma das melhores experiências da minha vida, a qual compartilho aqui numa série de postagens.


Voei do Recife até Frankfurt, na Alemanha, onda iniciei minha aventura. Até então, estava acostumado apenas aos voos domésticos no Brasil, pela Tam ou Gol. Como encarar quase dez horas seguidas dentro de um avião? E como seria estar numa companhia aérea, até então, desconhecida para mim? A ansiedade era grande! Minhas perguntas foram respondidas no dia 28 de outubro, data em que embarquei na viagem. Gostei muito da experiência com a Condor, que tem aeronaves confortáveis e oferecem um ótimo serviço por tarifas atraentes.

Na ida, durante a noite, foi tudo minuciosamente exemplar. A primeira impressão me marcou muito: o avião era grande e espaçoso. Recebemos um kit de uma sacola de pano com protetores auriculares, máscara de dormir, fones de ouvido, um par de meias, escova e pasta de dente. As poltronas eram bastante confortáveis; esperando por nós, sobre elas, um pequeno travesseiro e um cobertor. O espaço entre os assentos era bem satisfatório. Na traseira da poltrona à frente, uma pequena TV trazia opções de filmes, séries, músicas e um mapa interativo com informações sobre a viagem.

Interior da aeronave da Condor, durante voo Recife-Frankfurt (Foto: Milton Raulino / EE)

Na volta, pela manhã, não recebemos o kit, mas o atendimento foi igualmente exemplar. No começo, estranhei a comunicação. Por ser uma companhia alemã, o principal idioma dos avisos e da abordagem do staff é toda em alemão. Mas todos falam inglês e são solícitos em ajudar no que for preciso.

Os voos de ida e de volta foram muito tranquilos; não tivemos turbulências, apenas balanços muito leves. Assisti dois filmes e fui aproveitando o serviço de bordo, que ofereceu refeições bem preparadas. Na ida, jantar e café da manhã; na volta, café e almoço; além de servirem água, chá, refrigerante e suco de tempos em tempos. As comidas, bem no estilo alemão, não são exatamente deliciosas; são bem apresentadas e boas basicamente para se matar a fome - afinal, é o que interessa. Tudo o que é servido é gratuito, exceto bebidas alcoólicas e cigarros - não que se possa fumar a bordo, mas, sim, eles vendem cigarros -, comercializados à parte.

Como acontece em toda viagem, a volta é sempre mais demorada, pois já estamos mais cansados e queremos chegar logo em casa. As novidades e a empolgação da ida fizeram o tempo do voo correr depressa. Depois de me familiarizar com todo o ambiente, adormeci e, para minha surpresa, acordei com o dia já claro. Espiei pela janela e me deparei com um lindo cartão de boas-vindas – eram os Alpes anunciando que já chegávamos ao velho continente e logo aterrissaríamos.

E não é que tudo isso era realidade mesmo? Não cabia em mim de tanta felicidade: eu havia chegado! 

Os Alpes: saudação de boas-vindas na chegada à Europa (Foto: Milton Raulino / EE)


✈ Continua...

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Livro: Histórias de quem ama viajar para quem deseja viajar


A editora Mol lança, nesta quinta-feira (21), um livro para quem é apaixonado por viagem. "Eu amo viajar - 50 histórias para quem gostar de explorar o Brasil e o mundo" reúne causos, fotos e dicas de viagem de brasileiros que amam se aventurar por aí afora. O lançamento será na livraria Fnac, em Pinheiros, São Paulo, às 19h30. 

Em 98 páginas, blogueiros, turismólogos, jornalistas e viajantes experientes dão dicas que falam desde o minuto de escolher o destino, até o momento de arrumar a bagagem. E para fugir do estilo "guia de turismo" os convidados narraram suas experiências pessoais e também presentearam o leitor com dicas indispensáveis para evitar ciladas na viagem. Quem conta uma das histórias é o fotojornalista Valdemir Cunha, 47 anos, que já passou a casinha dos 80 países visitados. 

Leia um trecho do livro: 

“Como fotógrafo de revistas de turismo, Valdemir já viajou para mais de 80 países. Mergulhou nas Ilhas Maldivas, perdeu-se pela arquitetura de Veneza, trabalhou embalado por música cubana em Havana. Em Paris, sua paisagem urbana favorita, ele já esteve mais de 50 vezes. Mas a rotina não é para qualquer um: Valdemir passa ao menos 15 dias por mês longe de casa. E a busca pelos melhores ângulos começa muito antes do instante do clique: ‘Primeiro eu pesquiso livros, filmes e artistas plásticos do destino, para entender sua cultura. Sem isso, as boas imagens passam batido’, diz.”

Eu Amo Viajar é todo ilustrado por Mariana Cagnin, que trabalhou com carinho cada ícone de página e todos os demais detalhes visuais. Além da ilustradora, mais de 40 profissionais, entre jornalistas, fotógrafos, produtores e designers de todo o país trabalharam no livro.

A publicação é a segunda obra da coleção Eu Amo, que traz perfis de brasileiros que compartilham uma mesma paixão. Outro título que também está à venda é o livro Eu Amo Bike. O lançamento é nesta semana, mas o livro já está à venda nas principais livrarias do país, e também na página de divulgação do produto, no Facebook. Aliás, a fanpage traz um monte de curiosidades e artigos sobre viagens.

Na ocasião do lançamento, autores e entrevistados estarão prestigiando o evento e poderão autografar os exemplares. Além disso, haverá entrega de brindes e presentes exclusivos para quem adquirir o livro durante o evento. Parte do dinheiro arrecadado com a venda dos livros será doado para as ONGs Garupa e Instituto Cooperação Econômica Internacional (Icei). Ambas trabalham em projetos que incentivam o turismo sustentável. 

AS ONGs

A Garupa foi criada em 2013, e atua em todo o Brasil conectando pequenos empreendedores que tenham projetos de turismo sustentável com pessoas que gostariam de financiar essas iniciativas, tornando-as reais. Já o Icei atua, desde 2003, nos estados de Pernambuco e no Amazonas, promovendo projetos de valorização da identidade cultural e preservação da cultura popular, além de defender as causas do ecoturismo e da conservação ambiental na Amazônia. 


➲ SERVIÇO:
“Eu Amo Viajar – 50 Histórias de Quem Ama Explorar o Brasil e o Mundo”
Autor: Vários| Faria, Roberta (organizadora)
Editora: MOL
Páginas: 98
Preço: R$ 39


✈ A sugestão eu recebi da Editora MOL.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Uma tarde em Olinda

Neste 6 de agosto, a cidade de Olinda feria em comemoração a uma data muito especial. Hoje é dia do padroeiro do município, São Salvador do Mundo. Não haveria data melhor para embarcar em uma aventura pelo sítio histórico da cidade-irmã do Recife, que abriga, com simplicidade e requinte, boas atrações seja para turistas ou para nativos que desejam se desapegar da rotina e ter um momento de lazer e descontração.

Passar uma tarde na Olinda Antiga é uma terapia, possível graças a um simples fato: o sítio histórico de Olinda é como um oásis na cidade grande. O local conserva casa antigas preservadas e charmosas, ruas em paralelepípedo, praças e largos tranquilos. O movimento é menos intenso, o que permite boas caminhadas a pé. É como uma área do município que parou no tempo e conserva as características de uma vila interiorana. Isso tudo somada a belas paisagens e opções de gastronomia.

Olinda é feita para se encher os olhos. A dica é caminhar. Ande sem muito compromisso e deixe a cidade se mostrar. Não deixe de conhecer as famosas ruas onde acontece o Carnaval local e seus pontos principais: os Quatro Cantos, Rua do Amparo, Mercado da Ribeira... Aproveite, pois em fevereiro essas ruas fervem de tanta gente, música e alegria. No restante do ano predomina a calmaria e a cultura. Pela localidade não faltarão ateliês comercializando artesanato e lembrancinhas.

Catedral da Sé, vista do Mirante da Caixa D'água

O mesmo acontece no Alto da Sé, um dos melhores locais para se estar. O local é privilegiado pela vista que permite avistar o litoral e boa parte da cidade de Recife. Por ali não faltam restaurantes e lanchonetes. Mas a pedida é mesmo comer uma boa tapioca na rua, vendo o movimento e se deliciando com a vista. E claro, mais e mais ateliês e barracas de artesanato estão por ali, com muita arte e souvernirs para ver e, quem sabe, comprar.

Logo adiante está a grande homenagem de Olinda a seu patrono, a Catedral de São Salvador do Mundo, mais conhecida como a Igreja da Sé, símbolo da religiosidade e uma das principais igrejas de Olinda. Poucos conhecem a história do templo, mas ele data de aproximadamente 1540. Começou com apenas uma capelinha de taipa que cresceu e tornou-se catedral. Foi alvo de reformas, sofreu um incêndio e ficou praticamente destruída após a invasão dos holandeses a Pernambuco. 

Com esforços da população e do poder público, a Igreja foi reconstruída e passou por diversos estilos arquitetônicos, como o neogótico e o eclético, até chegar ao colonial maneirista, estilo adotado em 1983 e que permanece até a atualidade. A trajetória da Catedral da Sé de Olinda reflete toda a história de Pernambuco e pode ser visitada diariamente, das 9h às 17h. No local, estão expostas fotografias das várias fases do templo. Não deixe também de visitar o terraço lateral da igreja, muito bom de se apreciar a vista.

Para coroar seu passeio, não deixe de subir ao elevador panorâmico da Sé. Fica quase em frente à Igreja e permite uma incrível vista do mar, da cidade e, no fim da tarde, vê-se o o sol se pondo entre os edifícios do Recife. A atração foi feita sobre uma antiga caixa d´água, que hoje é lar do mirante, uma das atrações turísticas mais queridas de Olinda. O acesso pode ser feito de escada ou pelo elevador, e pode ser feito entre 8h e 18h, de segunda a quarta-feira. De quinta a domingo, o horário de funcionamento vai até as 20h.

     Fotos: Aline Souza / EE.

Falar de Olinda, para mim, é um pouco complicado, pois sou suspeito. Morei na cidade por toda minha vida até dois anos atrás, quando me mudei para o Recife. Mas o sentimento e o carinho por ela não mudam em nada. Se você está livre esta tarde - ou numa tarde qualquer -, não deixe de se maravilhar com o bem estar e a delícia que é estar cidade!

➲ SERVIÇO:

• Catedral de São Salvador do Mundo
Endereço: Alto da Sé, s/n, Olinda - Pernambuco.
Visitas: diariamente, das 9h às 17h. Entrada franca.
Telefone: (81) 3271.4270

• Mirante da Caixa D'água do Alto da Sé
Visitas: diariamente, de 8h às 18h (de segunda a quarta-feira) e de 8h às 20h (de quinta a domingo)
Entrada: R$ 5. A atração dispõe de escadas, elevador panorâmico e toaletes.

✈ Leia também:
Guia prático e sentimental do Carnaval de Pernambuco...

sábado, 26 de julho de 2014

A força de quem pesca para levar o camarão à sua mesa


Sabe aquelas delícias do mar que chegam com fartura na mesa da sua casa? Camarão, lagosta, peixe, caranguejo... tudo o que é transformado em pratos finos e vendido em bares e restaurantes por uma pequena fortuna. Mas, antes de se tornarem deliciosos quitutes, tudo isso passa pelas mãos de homens comuns, pescadores que atravessam o mar e passam pelo menos 15 dias lançando e puxando as redes de pesca, em busca dos frutos que vão levar o sustento para a as suas próprias casas.

Em Barra do Sirinhaém, Thiago Pescado, como é conhecido na região, é um desses braços fortes que, ao ancorar em terra, esvazia os baldes de peixe, limpa tudo, e vai vender de casa em casa para os fregueses. Por mês, diz que chega a tirar por volta de R$700 com 15 dias de pesca. “A parte mais difícil é quando pega temporada ruim, como tempo de chuva. Mas em época boa a gente ganha o trocado da gente”, diz Pescado, ressaltando que o dinheiro pode não ser muito, mas ele tem orgulho de dizer que é o trabalho que sustenta a família. 

Pescadores em Barra do Sirinhaém


Em alto mar, cinco homens dividem as tarefas, o mestre, que é geralmente o mais experiente, e os outros quatro são pescadores. Thiago Pescado é o proeiro, ou seja, aquela pessoa responsável por despescar (puxar) a rede. Eles viajam em um barco simples, geralmente de 9 ou 12 metros, mas existem embarcações de até 100 metros, segundo Thiago. Aliás, para quem quiser fazer passeio até a Ilha de Santo Aleixo, eles também alugam os barcos.

Da orla até o local da pesca são horas de viagem. Depois da Ilha, eles ainda seguem por 3h mar adentro. Ali, dormem e trabalham por mais de 10 noites, longe de suas casas e das famílias. De acordo com o pescador, o horário mais arriscado é durante a noite, quando passam os grandes navios e o pequeno barco deles pode não ser visto pelos outros navegantes. “Esse é o maior perigo de acidente. Se eles não virem nosso barco podem passar por cima da gente e aí acontece o pior”, conta. Apesar de já ter havido um acidente, eles não são tão frequentes. “Já aconteceu de dois mergulhadores serem atingidos por um navio, que partiu o barco ao meio. Um deles morreu no acidente”, conta Pescado.













Thiago mostra a lagosta de 2,5 kg

Quando chegam do mar, os homens começam a segunda parte do trabalho. Thiago, então, carrega a cestinha da bicicleta com camarões, lagosta, e diversos frutos do mar, e vai vender na cidade. Ali, a clientela é fixa. Tem gente de todo tipo, que compra mais e outros menos. A lagosta grande, que chega a pesar 2,5kg ele vende a R$70. Camarão sai a R$35 o quilo. A variedade de coisas que o pescador traz é tanta, que você se perde até no que vai escolher. Mas, se comprar bastante, ele ainda faz um bom preço.

O mais interessante dessa história de comprar na porta de casa é que a gente vê o que vai comer antes de colocar na panela, e tempera do jeitinho que quiser em casa - com a garantia de que vai sair tudo limpinho. Pergunto o segredo de Thiago pescar tanta coisa boa... e ele diz que não conta! Mas, se quiser experimentar tudo, é só ligar pra ele.



Camarão impressionante de 11cm. Ótimo pra fazer espetinho





➲ Thiago Pescado
Barra do Sirinhaém
(81) 9334.9578.

✈ Leia também:

ESPECIAL: Conheça Barra do Sirinhaém, PE ;
Como é o passeio de catamarã até a praia dos Carneiros ;


segunda-feira, 30 de junho de 2014

Cristo Redentor entre os melhores pontos turísticos do mundo

Foto: Milton Raulino / EE


O Cristo Redentor e o Parque do Ibirapuera estão entre os 25 principais pontos turísticos do mundo inteiro, segundo o ranking do Traveller's Choice, do site TripAdvisor, que classificou as atrações mais bem avaliadas em 2014, de acordo com a preferência dos próprios viajantes. A atração carioca ocupa o 22° lugar da lista, quando o assunto são os pontos de referência, e o parque paulista ficou na 8ª posição na lista dos parques mais bem avaliados.

São mais de 10.800 avaliações de usuários para o Cristo Redentor, exaltando a vista privilegiada do ponto turístico mais famoso do Rio de Janeiro que, ainda segundo o levantamento, é a terceira cidade que tem as atrações mais bem avaliadas do planeta. A capital brasileira só perde para as cidades de São Petersbusgo, na Rússia, e Israel, em Jerusalém.

Foram premiados pelo Traveller's Choice 2014, 929 destinos em diversas categorias no total. Dos 50 vencedores na América do Sul, 10 atrações e 17 parques ficam no Brasil, e estão localizados nos estados do Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

➲ Confira o ranking completo dos melhores pontos turísticos do mundo, segundo o TripAdvisor, clicando aqui.