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domingo, 26 de maio de 2013

Desbravando a cidade com os pés no asfalto (e alguns aplicativos para walk tour)


Por Aline Souza
Com colaboração de Natália Alexandre

Pode até haver quem discorde, mas caminhar ainda é a melhor opção para se conhecer uma cidade. Descobrir ruas estreitas e topar com pessoas novas a cada esquina. No fim do dia, já cansada de bater perna, boas conversas e muitas fotos, sentar naquela mesa de calçada de um restaurante fofo e discreto em um bairro simples, e comer o lanche de fim de tarde mais gostoso do mundo - dado o tamanho da sua fome. 



Roteiro assim não tem quem compre, copie ou faça igual. Isso porque pisar o chão da terra é a maneira mais particular de criar a sua própria história em uma cidade. Uma pena que a atividade esteja entrando em desuso, e tantas vezes seja deixada de lado em nome "do conforto do turista". 

Mas ainda restam alguns desbravadores, os que não tem vergonha de perguntar com o sotaque forte para que lado fica a Rua da Amizade ou a estrada que chega até São Paulo.

Sou completamente a favor do turista que usa transporte público, e em tempos tão modernos aposenta o GPS e se abraça no mapa. E foi assim que pude descobrir os segredos das ruas da capital paranaense e aquele parque que turista nunca viu e nem ouviu falar...

Nota: Começando pelo centro de Curitiba, nos próximos posts vou publicar um roteiro para ser feito a pé pela cidade. Incluindo sugestões de cultura e gastronomia. As postagens vão ser divididas para que a leitura não fique cansativa.

Lembrando que a prefeitura oferece uma linha de ônibus específica para o turismo, e as próximas dicas são mais direcionadas para quem tem mais tempo para curtir a cidade e não quer gastar muita grana na viagem.

APLICATIVOS PARA CELULAR FACILITAM O WALK TOUR

Quem tem celular com os sistemas android ou iOS pode aproveitar alguns aplicativos que ajudam a facilitar o roteiro do walk tour. Eu nunca usei nenhum deles (e adoraria mesmo testar), porque não tenho nenhuma dessas tecnologias - somente a minha câmera fotográfica. Mas recebi várias indicações e vou deixar os links a seguir.





Fotos: Aline Souza / EE

1. Curitiba (mapa e rotas dos ônibus de Curitiba);
2. Curitiba Walk Ipad (um app totalmente voltado para o walk tour - para Ipad);
3. Curitiba Restaurantes (guia de restaurantes);
4. Curta Curitiba (guia de serviços da prefeitura);

*Todos os aplicativos são gratuitos.



Leia também:

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Piraquara: Aqui nasce o Iguaçu...


Piraquara é encantadora, e lembra bastante Morretes, só que bem maior. E nem parece que integra a lista de cidades mais pobres do Brasil, chamada de G100*, segundo um levantamento da Frente Nacional dos prefeitos (FNP). Assim como a maioria dos municípios do Paraná, a paisagem colorida pelo verde e a preservação da flora local podem impressionar quem está habituado ao concreto da cidade grande. Neste sentido, sim, Piraquara tem muita riqueza.

E, como dizem os curitibanos quando querem se referir a algo sensacional, é mesmo uma "pira" - e aqui é só pra brincar com o nome da cidade.

Piraquara é parte da Região Metropolitana de Curitiba (RMC). A região é cercada por montanhas na encosta oeste da Serra do Mar, além de possuir mananciais que fornecem água para outras localidades adjacentes, sendo famosa também por localizar as nascentes das Cataratas do Iguaçu.

Para assistir ao show particular da natureza que desemboca nas Cataratas, é preciso percorrer o Caminho Trentino dos Mananciais. Além das nascentes do Rio Iguaçu, dá para observar a Baía da Paranaguá, a Represa do Carvalho e o túnel da Roça Nova.

De Curitiba até Piraquara, na Região Metropolitana, passamos por Pinhais, igualmente charmosa - apesar de ter quem discorde disso. Em maio, o sol ainda contempla os visitantes e moradores com o calor dos seus raios, mas de manhã cedinho ir sem agasalho não é a melhor escolha. O clima de serra marca temperaturas baixas rigorosas no inverno.

COMO CHEGAR: 

Piraquara fica bem perto de Curitiba. Partindo da capital paranaense de carro há um acesso pela Avenida Victor Ferreira do Amaral; outra saída pelo Contorno leste - que passa por dentro da cidade e liga o sul ao sudeste do país -; e ainda a saída pela BR-277, pela estrada rural do Graeder. A estrada é boa e bem sinalizada, e em mais ou menos 20 minutos chegamos no centro da cidade. 

De ônibus também é fácil chegar no município, pois o sistema de transporte é integrado ao de Curitiba. Na capital, você pode ir até a Praça santos Andrade e pegar a linha D61 - CTBA / PIRAQUARA ou o D66 - CTBA / PIRAQUARA (DIRETO), todos vão te deixar no terminal de Piraquara. Informações sobre horários e valores das passagesn estão disponíveis no site da Urbanização de Curitiba (Urbs), você pode acessar neste link. 

Além do parque verde, igreja, caminho trentino, dos vários restaurantes, pousadas, clubes e chácaras memoriais da cidade, Piraquara tem algumas peculiaridades a serem desbravadas. O Parque Municipal dos Trentinos, Barragem do Cayuguava, Represa do Carvalho, Morro do Canal (dedicado à práticas esportivas radicais), Horto Florestal municipal e a Aldeia Indígena Araçá-i.

Alguns passeios precisam ser agendados com antecedência junto à Prefeitura de Piraquara, através do Departamento Municipal de Turismo, que atende no telefone (41) 3673.8591.

Na passagem pela cidade, fui visitar a aldeia Araçá-i.
Leia no próximo post...

*O G100 reúne localidades populosas e que apresentam baixos índices de renda per capita e de crianças matriculadas na escola, além de grande número de pessoas dependentes do atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e em situação de pobreza.

sábado, 30 de março de 2013

As 20 fontes do Coração de Curitiba


Atenção, atenção!
#Curitiba e visitantes...

Neste sábado (30), haverá um passeio chamado "As 20 fontes do Coração de Curitiba", para quem quiser conhecer melhor os pontos turísticos da capital paranaense.  O evento será guiado pelo francês Jacques Decoret, e sairá às 14h30 do Café do Paço da liberdade, localizado na Praça Generoso Marques, 189. Jacques mora em Curitiba e participa do Couchsurfing e do Language Meeting. 

O percurso será feito todo a pé, portanto não há custo de ingresso, nem cadastro, é só chegar no local, se apresentar e fazer amigos!  Para quem vai ficar na cidade, é uma excelente opção de passeio saudável e econômico. Vamos torcer para não chover. (:

Lembrando... é hoje!

#Walk #Curitiba #Tourism #Feriadão #OcupeCuritiba

Outras informações sobre este e outros encontros através do email: decoretj@hotmail.com

Curitiba: Foi tesão, piá!

Aproveitando a nova fase do blog (layout novo) e o aniversário da nossa amada Curitiba, que completou 320 anos nesta sexta-feira (29), o amigo Carlos fez um post contando sobre os dias que veio conhecer a cidade e passear. Carlos, vem de novo. A gente gosta! :*




Por Carlos Pimenta, do blog Futilidades Úteis

Sempre ouvi dizer que é bom morar em Curitiba. A cidade permite uma qualidade de vida superior a qualquer outro local do País, somatizando clima e serviços. Mas confesso que nunca tive o sonho de visitar a região. Contudo, aproveitando uma folga, promoções de passagens aéreas e uma amiga morando lá, enchi a mala e segui para conhecer esse tal paraíso. 

Verdade, a cidade é linda, limpa, clima agradável, gente bonita e eu no meio, solto, batendo pernas e conhecendo o que era possível. Com a mochila nas costas, peguei a tal da Jardineira (ônibus de turismo que percorre todos os pontos turísticos da cidade) e segui em busca de descobertas. No primeiro dia procurei os principais cartões postais da cidade, reforçados também por quem conhece, minha amiga Aline, que é do Recife, mas está morando lá. 

A primeira parada foi no Jardim Botânico. São 245 mil m² de belezura. Muito verde, muitas flores e espécies diferentes de plantas. Cada detalhe deixa claro que não é a toa que os jardins geométricos e a estufa com três abóbodas encanta o visitante. Seguindo o caminho das descoberta, a segunda parada foi na Ópera de Arame. 

Quando decidi seguir para Curitiba, não tive o cuidado de ler sobre a cidade. Sabia que tinha umas coisas bonitas para ver, mas não tinha noção do que iria encontrar. Sendo assim, quando cheguei na Ópera, olhei para o aramado no meio de pedras, águas e plantas e pense: bonito, mas serve pra quê? Aí eu entrei e fui entender o babado. O espaço é um teatro, criado no meio de uma antiga pedreira. Fiquei encantado com a proposta e desejando assistir a uma apresentação ali, à noite. Um dia quiçá! 

Finalizando o primeiro dia de peregrinação, ainda passei por Santa Felicidade, um bairro de Curitiba, famoso por concentrar a cultura italiana. É, na verdade, um polo gastronômico, com várias opções de restaurantes. Numa rápida análise, um dos locais em que mais se concentram informações culturais na cidade e que ajudaram na formação dos costumes locais. Apesar do cuidado e beleza de todos os parques da cidade, é perceptível que eles foram criados para explorar o turismo na região, agregando a qualidade de vida dos moradores. Também passei pela Torre Panorâmica da Oi, que também está no circuito da Jardineira. São quase 110 metros de altura, proporcionando uma visão de 360º da cidade. 

No dia seguinte resolvi revisitar o Jardim Botânico e a Ópera de Arame, mas sem fazer cara feia. O restante do dia dividi entre o Memorial Polonês, inaugurado após a visita do Papa João Paulo II, em 1980. Também conhecido como Bosque do Papa, o local parece jardim de casa de vó. Por lá encontramos sete casas construídas com troncos de pinheiro encaixados, que foram transportadas do entorno de Curitiba para o local. Além disso, outros elementos que remetem à cultura polonesa. Tudo muito fofinho! Só não encontrei gnomos. O cenário era propício para isso. 

Na trilha de João e Maria, ou Bosque Alemão, se preferir, degustei o melhor bolo de amora do mundo. Lá também comprei uns biscoitos açucarados com geleia de uva, o perfeito desmantelo! Voltando para a trilha, segui o caminho pelo meio da mata preservada, acompanhando a história que foi imortalizada pelos Irmãos Grimm. São doze painéis azulejados e a casa da bruxa, mas senti falta dos doces. Nada de jujubas ou biscoitos de chocolate. Abstraí a decepção. 

Por fim, segui para o Parque Tanguá. Mais uma espaço criado em uma antiga pedreira. O local é enorme e possui dois lagos e um túnel artificial, mas não entrei pelo buraco. Só dei uma volta, vi a cachoeira, bati uns retratos e subi para pegar o ônibus para casa. 

De fato, a cidade é linda e encanta. O clima ajuda nesse processo. Mas senti falta de calor humano. Todas as pessoas simpáticas e comunicativas que conheci não eram de Curitiba. Reservadas ou não, quando se é acostumado a risos, apertos de mão e até abraços de desconhecidos, a gente meio que acha estranho quando não encontramos tudo isso na casa dos outros. 

Os parques também não ajudam a contar a história da cidade. A grande maioria foi construída na década de 1990, aproveitando espaços ou homenageando culturas que de certa forma ajudaram a construir a identidade cultural da região. Mas assim... toda e qualquer crítica que eu pensar em fazer, não se sustenta ao chegar no Recife e encarar esse calor proporcionado pelo clima seco e vias que não andam. 



E Aline, obrigado por me receber tão bem na sua casa e aumentar a minha bagagem de repertório. :)

*Obrigada você amigo, por ter colaborado com o texto e pela visita! Volta sempre, sempre! <3

terça-feira, 10 de julho de 2012

Morretes, PR: Um caso de amor


“A minha casa está onde está o meu coração”. A frase, tirada de uma canção, soa clichê para os que já se habituaram a ouvi-la, mas expressa exatamente o que senti quando desci do vagão três, na Estação Ferroviária de Morretes, e dei os primeiros passos naquela cidadezinha (e aqui vai um diminutivo carinhoso) do litoral do Paraná. Tenho um pouco disso por todo lugar que passo - paixão e apego. Mas quando me sinto em casa é porque há algo a mais, coisa especial, que preciso descobrir. 

A Estação fica em frente à Praça Rocha Pombo, que é datada de 1885 e impressionantemente conservada. Senhorinhas nos abordam com uma variedade de guloseimas da terra – gengibre em cubinhos simpáticos, biscoitinhos de açúcar e outras balinhas. O gengibre é de lamber os dedos! Ah, e não prometa levar se não pretende cumprir a promessa. 

Leia também: Vagão três;
                      Curitiba - Morretes: Viajando de trem pela Serra do Mar;
                      Curitiba: Batel, Santa felicidade e o querido Cancun Bar;
                      Curitiba: Sete graus; 

Dali, da praça, você pode escolher que direção tomar: direita ou esquerda, mas todos os sentidos te levam ao coração da cidade. Então, eu escolhi o caminho das flores (literalmente)... Depois de algumas esquinas, peguei uma rua que me levou ao centro de Morretes. Era meio-dia e chovia. Mas aquela chuvinha fina, que mal dava para molhar a roupa.

Segundo o guia Fábio (leia post anterior), o clima em Morretes geralmente é quente e úmido, pois a cidade fica localizada entre pequenas elevações da Serra do Mar (por isso o nome Morretes). No inverno é comum garoa e um frio agradável. Cidade pequena em termos de habitantes, Morretes tem quase o dobro de Curitiba - 740km² de área - e faz parte do litoral paranaense, distante cerca de 68km da capital. De carro, moto ou ônibus, o viajante passa pela Estrada da Graciosa, considerada uma das mais belas do País. O caminho é sinuoso, cheio de curvas, por isso exige atenção no trajeto, mas a vista – a Estrada da Graciosa corta a Mata Atlântica – vale o cuidado e atenção.

Morretes é simples, mas não pense que simplicidade aqui se aplica a algo mediano. Para quem vive em meio a ônibus, carros e prédios a sensação é de ter se transportado para outra época – onde tudo continua intacto, onde nada mudou. Um lugar onde o silêncio e a natureza ainda são riquezas. 

Os habitantes, já acostumados com a presença do turista, são simpáticos e hospitaleiros. Muitos vivem do turismo, vide a quantidade de pousadas charmosíssimas, restaurantes requintados e lojinhas de artesanato. Tudo de muito bom gosto, talhados em madeira e com alto acabamento feito pelos artesãos da região. Mas a alta produção de gengibre também é característica econômica da cidade (Morretes e Antonina são responsáveis por 87% da produção de gengibre do Estado), além da produção de aguardente (favorecida pelo clima), da banana, da mandioca, do milho etc.

Fiquei sabendo que só há um lugar para comer no peso por lá, e fui conferir. Meu prato: polenta (maravilha!), feijão, carne e farofa da casa (não preciso nem dizer que nenhuma farinha daqui é igual à do Nordeste). Ah, e muita salada! A comida era boa, lembrava casa de mãe, e não era gordurosa. Fui muito bem atendida e comi bem pagando barato. Querendo referências? É só ir até o posto de informações turísticas, onde você ainda tem acesso aos periódicos locais e panfletos com utilitários.

Durante a ida, no trem, o guia mencionou o famoso sorvete de gengibre de Morretes (com tanta produção, prato com a raiz é o que não deve faltar). A dona da sorveteria me apresentou à guloseima e falou que se eu não gostasse não tinha problema. Provei e adorei. O único sabor (dos que eu pedi) que não gostei muito foi o de graviola. Que me desculpem os contrários, mas nenhum suco/sorvete de graviola se compara ao da minha terra!

As pessoas não se incomodam em serem fotografadas, muito menos de darem informação. Um guia que achei a cara do Robin Williams foi muito legal e ainda me contou parte da história do lugar. Também falou que lá de Morretes saem passeios ecológicos de bicicleta para Antonina, cidade vizinha - mas fiquei de voltar e combinar o passeio para uma outra oportunidade -, passeios que incluem trilhas, rafting e o bóia cross. 

Robin também me levou para conhecer a casa azul, hospedagem de D. Pedro II por um dia e, logo em frente, uma residência de pintura vermelha ele disse ter sido (novamente) locação da novela O Astro. Do outro lado da rua, a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Porto, toda reformada e (não fosse pelo clima da cidade) poderia lembrar as igrejas seculares de Olinda só que em melhores condições.

Apesar das muitas linhas, ainda não contei tudo sobre Morretes. Foi por um acaso, tentando me esconder da chuva, que descobri um tesouro. Mas isso eu conto no próximo post.

Por hora, eu penso que qualquer dia desses eu vou morar lá...


segunda-feira, 9 de julho de 2012

Vagão três

Tão frio e tão cedo, fui logo recepcionada com um ótimo atendimento da Serra Verde Express - meu bilhete já estava impresso e aguardando por mim, sem nenhuma burocracia. Depois de uns minutos os demais passageiros começaram a chegar na rodoferroviária e fotografar tudo. Apesar de ser uma quarta-feira, achei grande a quantidade de viajantes e também de turistas.

Leia também: Curitiba - Morretes: Viajando de trem pela serra do Mar;
                      Curitiba: Batel, Santa felicidade e o querido Cancun Bar;
                           Curitiba: Sete graus;

Passeio de trem pela serra do mar é o segundo destino turístico mais famoso do Paraná
Foto: Aline Souza / EE

Falando em turista, uma senhora muito auspiciosa entusiasmada sentou ao meu lado enquanto aguardávamos o embarque, e logo puxou assunto num português bem esquisito. Primeiro me pediu para tirar uma foto dela e depois começou a tagarelar.

- Olha, você tira uma foto minha aqui?
Respondi que sim e fiz a foto.

E depois que peguei a Kodak para fazer um único clique ela não me largou mais. Me contou que tinha nascido no Egito mas morava em Nova York há muitos anos. Me perguntou inúmeras coisas, inclusive sobre hospedagem (onde eu estava, quando tinha chegado e se ficaria muito tempo na cidade) e contou que já visitou mais de 33 países e só gostava de se hospedar em albergues – o que achei muito interessante devido ao exibicionismo dela.

"Não gosto de hotel. Em albergue tenho o mesmo serviço e pago menos. Os albergues daqui são muito bons. Agora estou no Roma Hostel, você conhece?", perguntou a senhorinha.

Nunca me hospedei no Roma Hostel, mas já ouvi/li ótimas referências sobre o local. Mas já passei na frente (ele fica próximo ao Shopping Estação) e achei um charme. E depois, um elogio vindo de uma estrangeira, então, não há muito o que duvidar. Fora que a egípcia era, acima de tudo, exigente (percebi pela quantidade de vezes que me fez repetir as fotos dela). E uns vinte minutos depois, embarcamos no vagão três. Só acreditei que estava ali quando ouvi o sinal de fumaça do trem... “Estamos partindo. Maravilha!”. 

O guia era o Fábio Rozalinski, muito bem informado e simpático, aliás (mesmo com os passageiros mais cabulosos. E, acreditem, tinham vários). A estrada de ferro pela qual passaríamos é a segunda rota turística mais famosa do Paraná (só “perde” para as Cataratas do Iguaçu). Ela foi projetada pelos irmãos Antônio e André Rebouças (primeiros engenheiros negros do Brasil), que foram contratados exclusivamente para encabeçar o projeto. Na época, a ferrovia era a principal e mais rápida ligação até o litoral paranaense.

Inaugurada em 1885, em 2 fevereiro de 2012 a ferrovia completou 127 anos – mas parece uma menina de 15. Com o passar dos anos a estrada também começou a ser utilizada comercialmente, como é até hoje. De Curitiba até Morretes o percurso é: Curitiba – Pinhais – Piraquara – Morretes. Mas a ferrovia segue até o porto de Paranaguá.

Dica do guia: O filme brasileiro “O Preço da Paz” foi todo filmado no Paraná e conta um pouco da história do Estado.

Estação Marumbi
Durante o percurso passamos pelo Cânion do Ipiranga, Cachoeira Véu da Noiva, Garganta do Diabo, Cruz do Barão (local onde o Barão do Serro Azul, heroi paranaense, foi fuzilado), Ponte São João (toda construída em aço), Viaduto do Carvalho, Rio Taquaral, Pico do Marumbi (onde fica a estação de mesmo nome e, segundo o guia, o local serviu como cenário para uma cena da novela O Astro), a Represa de Cangaíba (dizem que alguns aventureiros acampam ali), além de várias ruínas aos redor das estações que, na época de construção da ferrovia, eram casas de operários que trabalhavam na obra ou pequenos comércios.

Ali de dentro do vagão eu quase poderia ver senhores de paletó e senhoras com vestidos drapeados e sombrinhas viajando de trem. Ao redor, se não estivesse tão frio, eu iria querer acampar no meio da mata e tomar água da chuva. Ainda assim arrisquei congelar meus dedos colocando a mão para fora da janela só para tocar nas folhas das árvores. Um pedacinho de história, um pedacinho de mundo.

Aproximadamente três horas e meia depois, chegamos em Morretes...



quinta-feira, 21 de junho de 2012

Curitiba – Morretes: Viajando de Trem pela Serra do Mar


Numa quarta-feira chuvosa e gelada, acordei pontualmente às 6h para viajar de trem. A locomotiva datada de 1945 que me levaria até Morretes, cidade situada aos pés da Serra do Mar, no Paraná (PR), sairia da Estação Rodoferroviária de Curitiba às 8h15, mas assim como em um embarque aéreo eu teria que chegar no local uma hora antes. Fui a primeira!

Ainda não habituada ao frio intenso, nesse dia eu me precavi vestindo uma blusa, um esquente e ainda lasquei o casaco por cima. Mas, aos desavisados (like me), jeans nunca é boa pedida para local frio, o melhor é usar legging (que na minha terra a gente costuma usar pra fazer ginástica) com uma botinha discreta. E então, eu passei frio!

Com o céu ainda escuro, um barulho suave de porta abrindo ecoava pela estação. Ali, minha viagem começava. Quando entrei no salão da rodoferroviária logo vi as cabines de compras de passagem, os bancos em madeira, lojinhas com artefatos do Brasil, um estande com camisetas e outras lembranças do País, e no outro lado do saguão um café charmoso, que servia pão de queijo, chás, sucos e outras delícias que caem bem às 7h da matina.

Meu ticket foi um achado virtual. Meses antes da viagem a Serra Verde Express (operadora dos trens) disponibilizou uma promoção via Peixe Urbano que vendeu feito água. Um passeio que não sairia por menos de R$131,00 (ida e volta de trem, na classe turística) me custou apenas R$59. E foi o melhor investimento da viagem!

Daí uma vez me perguntaram se vale a pena investir em pacotes de viagem em sites de compra coletiva. Agora, respondo: Não sei porque nunca comprei (pacotes). Mas comprar passeios, ofertas em restaurantes e coisas aleatórias vale a pena. Isso porque o gasto não é tão alto (na casa dos mil) e se o serviço for ruim o prejuízo não vai ser tão relevante.

De Curitiba até Morretes, via transporte ferroviário, o tempo de viagem é previsto em 3h30. Mas o percurso foi tão agradável e descontraído, mesmo com neblina, frio e muita chuva, que eu achei ter feito a viagem em menos tempo. 

Do vagão três sairiam algumas histórias engraçadas, personagens interessantes e inúmeras fotos que vou guardar para mostrar aos meus netinhos (quando os tiver). Mas isso tudo eu conto no próximo post. :)




quarta-feira, 20 de junho de 2012

Curitiba: Batel, Santa Felicidade e o querido Cancun Bar

Na semana que cheguei em Curitiba fui recepcionada com coisas especiais: Os sete graus de frio que já mencionei no post anterior, chuva de 48 horas (sem parar) e, por conta desse cenário climático, minha respiração produzia aquela fumaça que até então eu invejava nos filmes hollywoodianos – bobagem, né? rs

Na minha primeira temporada na capital paranaense eu adquiri o hábito de acordar mais cedo do que de costume. Claridade combinada com uma sensação de espinha gelada resulta nisso. Mas essa parte eu entendi como lucro – tomar café da manhã com geleia, queijo e torrada, para depois aproveitar o dia bem disposta é das melhores coisas que existe. Isso me lembrou um post da amiga Milenna, do Não Sei Cozinhar, que ela lembra a maravilha que é saber cultivar as coisas simples.

Olha, se você quiser curtir a hospedagem e passar mais tempo relaxando durante a viagem eu aconselho escolher maio, junho ou julho para programar o mochilão. Mas se prefere verão e muito calor desista de viajar nestas épocas. Como a minha viagem já estava programada há tempos, e essa era a única época que eu poderia viajar (férias), arrisquei as minhas fichas e embarquei. Não me arrependi – pelo contrário -, mas no dia que o sol finalmente resolveu nos dar a honra da sua presença fizemos festa!

No entanto, ainda consegui fazer um passeio de carro por toda a cidade e fotografar muitas coisas. O bairro de Santa Felicidade, famoso pela vasta culinária italiana e conhecido por “hospedar” o Madalosso – que já foi reconhecido como o maior restaurante do mundo. Em dias de sol, a foto do portal (segunda abaixo e à direita) fica linda, mas tive que me conformar com essa quase sem foco de dentro do carro. Dei uma volta pelo Parque Barigui – dizem que no verão o local vira a praia dos curitibanos, porque é quando muitos se reúnem para aproveitar o dia, ler livros e jogar conversa fora (amei!).

Ao longe consegui ver um pedacinho da antiga Penitenciária do Ahú (primeira do Estado), desativada em julho de 2006, e lugar que ainda pretendo voltar para fazer uma visita histórica. O presídio já serviu como local de gravação de filmes e videoclipes, e ficou ainda mais famoso no ano passado por ter sido locação da novela O Astro. 

No caminho da Rodoferroviária passamos pelo Teatro Paiol, que durante a noite fica lindamente iluminado e ainda hoje recebe atrações culturais que rolam na cidade. Também passamos pelo Batel, bairro que hospeda lanchonetes, boates, restaurantes e bares. Um dos mais famosos é o Sheridan's, que rola música boa e “bons drinks”. Parece que o dono desse estabelecimento, inclusive, comanda outros bares no local. A lanchonete Peggy Sue (bem no estilo que eu gosto, american food - está na minha lista de próximo lugar para comer), o Taco El Pancho (culinária mexicana), o Soviet Vodka Bar (famoso pela história da cagona de Curitiba) são lugares que valem o investimento.

Mas, de todos os restaurantes/botecos que passei em Curitiba, o meu queridinho foi o Cancun Bar. Ali, quase escondido no bairro Portão, o encanto começa da porta de entrada, que de cara denuncia o som que rola por ali e também agrada pelo cheiro da comida boa. Todas as mesas do bar são forradas com um briefing de algum ídolo do rock. Sérgio é quem comanda o local, e também tem um excelente gosto para música. Certeza que Elvis é o preferido dele, porque o rei volta e meia aparece no telão com aquela voz grossa, roupa brega e olhar sedutor.

Eu já falei que salsicha naquelas bandas se chama vina? Então, no Cancun a gente pode tomar cerveja e comer pão com vina ou frango com verde. Provei os dois (gordinha tensa!) e fiquei literalmente viciada – agora, escrevendo este post, estou em completa abstinência, ahahahaha. Juro! Eu não escrevo sobre gastronomia (isso é talento da Milenna), então não costumo perguntar qual o segredo do que provo, mas eu gostei e é isso que importa. Indico! Vá lá e coma! Referência da casa.

No mais, às quintas têm música ao vivo e o Cancun bomba. O Sérgio por si só é uma graça. Recepciona todo mundo na maior animação e uma simpatia só. Por isso, o Cancun é o meu queridinho - sem dúvida alguma. Combinação de música e comida boa e a decoração mais bacana que já vi. Voltarei sempre.

Para um dia de chuva, dá para fazer muita coisa em Curitiba. Além dos shoppings, das galerias... Mas delícia mesmo foi o passeio de trem que fiz pela Serra do Mar. Aguardem!


segunda-feira, 11 de junho de 2012

Curitiba: Sete Graus


Estou aqui
Eu achava que sabia o que era frio quando fui pra São Paulo pela primeira vez. Treze graus e eu trincava os dentes. Mas quando cheguei em Curitiba, capital do Paraná (PR), descobri o que ainda vou enfrentar fora do Brasil. A sensação era menor, de três graus , mas na realidade a temperatura era de sete - segundo indicavam os termômetros. Dizem os curitibanos que esse inverno está sendo rigoroso e que há muito o clima não esfriava assim. Coincidência ou não, eu amei sentir minha espinha gelar de tanto frio!

Saí do Recife pela Gol, com escala de pouco mais de 2h30 em Guarulhos, São Paulo (SP). Eu nunca tive problemas em viajar com a Gol, e dessa vez não foi diferente. A única coisa que realmente me aborreceu fora, as novas normas adotadas pela empresa e, por falta de opção e muita fome, tive que desembolsar 12 mangos em um sanduíche de queijo com um troço esquisito - acho que era peito de peru. Ainda bem que levei um chá de limão na mochila, ou teria que pagar mais 5 mangos para tomar qualquer coisa do cardápio. No segundo voo recebemos um lanche – até fiquei desconfiada achando que teria que pagar, mas foi “cortesia da casa”.

O aeroporto de Curitiba tem cara de shopping center (outra coisa que curitibano gosta – e eu também!). Como tudo meu é bem planejado, eu esperava ter tido aquela sensação de cinema quando pisei ali, mas como viajei dia 1º de junho (ainda em época de provas da universidade), precisei adiantar todas as minhas atividades do calendário para viajar tranquila (ainda bem, porque fiquei sem internet por quase duas semanas aqui – um sofrimento) e fiquei sem dormir. 

Então, eu não descansei antes de viajar, e foi até bom porque tirei um cochilo saudável no avião e isso diminuiu a minha ansiedade. Mesmo depois de dormir um pouco eu fiquei aérea, sem processar que estava em terra firme quando desembarquei no Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba.

Direito do aeroporto, fui assistir a um show num bar no centro da cidade conhecido como O Equilibrista. Era o primeiro dos vários bares que eu iria conhecer nos próximos dias. Apesar da friagem na rua, o bar estava agradabilíssimo, com muita gente bonita e diferente. 

Jean Veríssimo e Ludi Henk tocaram Pearl Jam, Creedence, The Beatles, Lynyrd Skynyrd, e tudo o que eu gosto de ouvir e há muito não fazia. Entre o Eddie Vedder e o Jean encontramos poucas diferenças, porque a semelhança entre os dois timbres é incrível. O cara realmente é foda (com o perdão da palavra)! Eu, que sou fã, fiquei enlouquecida. 

E navegando na internet a gente acha esse vídeo. É o seguinte:



Então, depois de conhecer um Pub curitibano, eu desfiz as malas, me empacotei de roupa dos pés a cabeça e tentei dormir. É que no meio da noite acordei procurando o botão de desligar do ar-condicionado e fiquei desesperada... achei que ia morrer de tanto frio e que não sobraria nem um dedinho descongelado para contar a história! No relógio, três da manhã; e no termômetro, sete graus.