sábado, 8 de setembro de 2012

Pegando ônibus em Fortaleza (CE)


Esse post não é, necessariamente, sobre turismo, é mais um serviço do que comentários sobre cultura e lazer - mas para quem costuma viajar, qualquer dica de segurança e mobilidade é válida. Na semana passada, fui apresentar um artigo em um congresso de comunicação, em Fortaleza, capital do estado do Ceará (NE). Foi uma viagem de 24 horas, cansativa e - com exceção do preço das passagens -, bem econômica.

A minha viagem foi mesmo um "bate e volta", já que eu somente iria apresentar o artigo e voltar para casa. Passei mais tempo em aeroportos do que no destino pretendido. Então, embarquei em Curitiba por volta das 17h, fiz escala em São Paulo e cheguei em Fortaleza pouco depois da 0h. Quase oito horas de viagem do Sul para o Nordeste do País. Normalmente, eu não me importo de ter que fazer conexão - porque sempre viajo com tempo e me permito ser feliz aos imprevistos -, mas dessa vez senti na pele o caos, já que o objetivo era concluir um trabalho e voltar para casa. #backtoreality

Quase oito horas depois, cheguei no Aeroporto Internacional Pinto Martins. Me recusando a ter que pagar hospedagem (a mais em conta sairia caríssima, diga-se de passagem) para dormir quatro horas em pousada ou albergue, fiquei no aeroporto na companhia de chá mate (por exageradas cinco pilas - ABSURDO!), café e vários viajantes que, assim como eu, aguardavam o sol raiar. Meu destino era a Universidade de Fortaleza (Unifor), sede do Intercom 2012. No box de aluguel de carros fiquei sabendo que a Universidade era próxima dali. Eu alugaria um veículo, pegaria um táxi (caríssimo, também) ou iria me aventurar em um transporte público. 

De manhã, fazia um sol "de lascar", céu tão claro e bonito que desisti de alugar um carro (se o local era tão perto, valia mais a pena ir de ônibus, além disso, o objetivo era economizar) e fui me informar como sairia do aeroporto de transporte público. Minha sorte foi um taxista velhinho e simpático, que foi deixar uma mulher no aeroporto. Perguntei como eu poderia chegar na Unifor e ele me disse que era tão perto que me levaria lá por R$10. 

Eu não aconselho ninguém a tentar a sorte, porque é como eu sempre digo... meu Santo é muito forte! Fiquei desconfiada, claro, mas com meu quase 1,80m de altura eu acho que o velhinho é que devia estar com medo de mim. Então, como sempre, perguntei sobre a cidade e como estava a situação política de lá. Segundo Seu Jurandir (o taxista), Deus estava a meu redor, pois "passar a noite do aeroporto e não ser assaltada é milagre", contou. E me questionou se eu havia visto algum policiamento lá desde a hora que tinha chegado - então comecei a dar razão pra ele. De fato, não vi nenhum carro de polícia ou segurança no local, mas tava cheio de taxista credenciado do aeroporto (cobrando tarifas absurdas, por sinal).

No caminho, já do lado da Unifor, um trecho de sol começou a ofuscar a visão do motorista. Hilário foi quando Seu Jurandir, sem ver nada, dizia naquele sotaque gostoso do cearense "mar minina, num to vendo é nada, me guie aí vá", eu morri de rir. Uns 20 minutos depois de sair do Pinto Martins, chegávamos na Unifor. Agradeci a conversa, a paciência e paguei o dobro do que ele tinha acertado comigo pela corrida. Ele ficou agradecido, me desejou boa sorte na apresentação e disse que eu vou ter "um futuro bonito como doutoura jornalista" - que Deus o ouça! :)

Pesquisadores!
A Unifor é uma maravilha. Um parque verde imenso com uma atmosfera ambiental. Com exceção do calor estratosférico, uma delícia. Além da vegetação altamente diversificada, animais silvestres andam livremente o câmpus universitário. São emas, soins, iguanas e muitos gatos passeando por toda a extensão da Universidade. A presença é justificada porque a Unifor é parte das instituições credenciadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) do ceará, como Área de Soltura de Animais Silvestres (ASA). Mais de cem animais vivem ali.

O congresso foi uma beleza. Encontrei pessoas do Recife, almocei decentemente, apresentei meu trabalho e às 15h precisava estar no aeroporto para voltar para casa. A essa altura eu já estava em um nível altíssimo de sono e cansaço, pensei até em pegar um táxi, mas desisti e descobri que, ali pertinho, passava um coletivo que me deixaria sã e salva no aeroporto. Atravessei a rua sob um calor de quase 40 graus e peguei o ônibus.

Voltando para o aeroporto...
Da Unifor, a linha é 66 - Parangaba/Papicu/Aeroporto, que me saiu por apenas R$2,00 e me deixou no terminal do aeroporto. Só mantenha atenção na hora de pegar o ônibus, porque quase que o motorista passa batido da parada, não fosse a minha insistência na sinalização (ceninha típica do Recife). Soube também que essa é a melhor opção (mais rápida) para quem quer chegar ao litoral (Praia do Futuro e demais) - só fique atento à baldiação (troca de ônibus), que você vai precisar fazer quando chegar em algum terminal. Porém, aconselho informar-se antes de embarcar, já que não vou poder comentar com precisão pois, infelizmente, não testei.

Aos que desejam ir para a Rodoviária, vão pegar a linha 404 – Benfica/Aeroporto/Rodoviária. Esse ônibus também leva você ao centro de Fortaleza e até a Beira Mar. Mas, lembre-se: nunca deixe de perguntar ao motorista o destino do ônibus... 

Ambas as linhas passam no terminal aeroporto, localizada no subsolo. Aconselho ficar bem atento ao horário que vai pegar o coletivo, ter sempre um trocado fácil à mão para não precisar abrir carteira ou bolsa em público, e realmente só opte pelo transporte público se não estiver com muita bagagem ou estiver acompanhado(a). E nunca esqueça do conselho do Seu Jurandir... "cuidado demais nunca é pouco, viu?" - sábias palavras.

Fotos: Aline Souza/EE
Don't worry, don't be afraid, ever, because this is just a ride.
[Bill Hicks]