segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Destino: Sertão Central, Salgueiro, PE.

BR-232 "Ao infinito e além".
Foto: Marcela Balbino / Especial para o Entre Embarques
Quem me conhece sabe o quanto amo dirigir. Talvez por esse motivo tenha despertado o gosto por descobrir o mundo todo e sair estrada afora. Lembro da minha primeira aula de direção... o instrutor, todo metido a sabichão, começou a me explicar o que era um pedal de freio, acelerador e embreagem. Até aí tudo bem, porque já tive a oportunidade (depois de habilitada) de ensinar uma amiga a dirigir. Detalhe importante: ela já estava com CNH definitiva e na primeira aula que teve comigo não sabia que pedal fazia oquê - JURO! Que ela me desculpe a piadinha se ler isto! rs

Essa minha paixão por volante me deixou desinibida e já na primeira aula desafiei o instrutor e quis fazer o meu próprio caminho. O resultado foi uma calotinha toda amassada e alguém muito furioso (hehehe). Mas ganhei certa admiração por parte dos instrutores e até hoje quando nos cruzamos pelas ruas do bairro eles fazem a maior festa. Ponto pra mim!

Três meses depois de habilitada estava em posse do meu primeiro companheiro de viagens. Mas a prova de fogo do meu Fiesta 1.0 foi no ano passado, quando resolvi passar o São João à 518km do Recife, no coração do sertão pernambucano, na terra de Raimundo Carreiro. Salve, salve, Salgueiro!


Já tinha ido para aquelas bandas no final de 2008, quando passei um réveillon por lá. Antigos amigos, cachaça (da terra) e um banho de chuveiro no dia 1º que fez muito bem para a alma. Mas esta última viagem rendeu boas histórias...

Saindo do Recife (eu, três mulheres e mais um amigo) - sem nunca ter pego estrada na vida -, seguimos pela BR-232. vale salientar que até o trecho duplicação a pista é horrível - o que não é um grande problema para quem anda na Região Metropolitana do Recife - mau de cada dia. 

Depois passamos pelas cidades do Agreste, paramos em um posto para fazer xixi e abastecer o tanque, continuamos Pernambuco adentro por trechos perigosos, entramos na pista errada e quase saímos em uma estradinha de barro, enfrentamos chuva, caminhões gigantes e até demos uma paquerada de leve. Depois, oitenta, cem, cento e vinte, cento e quarenta no carrinho mil e, finalmente, chegamos em Salgueiro!

Chegamos!
Foto: Marcela Balbino / Especial
para o Entre Embarques
Olha, a entrada da cidade - para quem vem do Recife - é um bocado complicadinha. Precisamos cruzar a pista para chegar até a cidade que, em certa parte, pode até lembrar o Recife pela quantidade de buracos. Mesmo assim, vale muito a pena, posso confirmar.

A festa de São João é ótima para conversar, dançar e comer. As atrações musicais, ao menos dos principais dias, não são das melhores - quem é dessas bandas sabe que o mais esperado sempre está na cidade de Caruaru, no Agreste. Mesmo assim, Salgueiro é lugar bom, que de noite faz friozinho e a gente "da Cidade Grande" aproveita para tirar do armário aquele casaco bem velhinho que não é usado há anos. E assim foram as noites.

"Tocando o terror no volante"
Durante o dia é bom demais! Como fiquei na casa de um amigo - e também já conhecia muita gente da terra -, aproveitei para almoçar "em casa de família" (como se diz por aqui), visitar o Centro de Cultura da Cidade e em uma das tardes conhecemos o Dnocs. Confesso que sou aventureira e para mim acabou sendo a melhor parte da viagem.


Para chegar no Dnocs a gente pega a 232 no sentido Recife e, em determinada altura, entra por uma estradinha de terra. Fui seguindo o carro de um amigo que estava sem os dois retrovisores (tenso!). Depois de pegarmos o caminho errado e comer muita poeira, finalmente chegamos na trilha certa, e aí sim eu tive certeza que a andança não tinha sido em vão.

DNOCS
Gente, o Dnocs nada mais é do que um açude sob uma estradinha de terra por onde cruzamos as águas até chegarmos ao Pedro Baiano, um barzinho onde se pode tomar uma boa cerveja e comer caranguejo às margens daquela maravilha toda. A prova de que é tudo verdade está nas fotos. Ficamos por lá até o sol nos deixar e voltamos pela estradinha escura que olhando para trás só se via o "breu" da noite. Experiência única na vida e que espero repetir.

Noutro dia, comi um baião-de-dois em um restaurante na beira da estrada, tomei cajuína (o melhor refrigerante que já tive a oportunidade de tomar - feito de caju), muitas fotos e música até decidirmos esticar para um "luau no sertão". Apesar do feriado, pude conhecer a feira livre, na busca por gelo e bebida para acompanhar a festinha. 


» Lembranças:



Depois de muita música, violão, boas risadas e um enorme grupo que foi se juntando naquele quintal de interior, a realidade começava a mostrar-se. Infelizmente, a festa estava prestes a terminar e no outro dia cairíamos na estrada. O ruim da volta: todo mundo cansado, eu dirigindo - e agora cantarolando sozinha -, e o temeroso trânsito da volta.


Na ida demoramos cerca de 6h para chegar até o destino, e considerando que eu não tinha experiência em BR, meu motorzinho mil, carro lotado (gente + bagagem) e caminhões até dizer basta - o tempo foi bom. Na volta lembro que fiz o percurso em 5h, e mesmo com o grande fluxo de veículos a parti de Gravatá, no Agreste, a viagem foi bem mais tranquila. E aí fica só a saudade...


Pôr-do-sol no sertão

Mas, sabe o que é melhor de um lugar desses? É que a gente aprende a dar valor às coisas pequenas e também tira lições de comportamento. Como se portar diante de situações em que tomar decisões pode ser melhor para um e ruim para outros e, principalmente, a ter paciência. No final só lamentei que tinha que voltar para casa e para a rotina (que, apesar de tudo, eu amo).


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Cajuína São Geraldo





PS.: Para saber mais sobre os prazeres da Cajuína, acesse: www.naoseicozinhar.com editado pela amiga jornalista Milenna Gomes (que sabe cozinhar, e muito bem, obrigada!).


Fotos: Aline Souza
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