sexta-feira, 27 de abril de 2012

Entre linhas, agulhas e tecidos...

Antes de escrever o texto abaixo, pensei bastante, porque, de certa forma, envolve publicidade e, antes de qualquer negócio, o Entre Embarques não nasceu para ser e-commerce. Pois bem, mesmo assim não relutei, porque as linhas seguintes também honram a proposta do blog, de contar boas e grandes histórias. Antes vamos contextualizar você, cidadão do mundo. (:

Uma das coisas que mais orgulha o pernambucano é a criatividade do povo. Começa no sotaque, vai para a vestimenta, passa pelo turbilhão de ideias – música, cinema, design, artes plásticas etc – e daqui ganha o planeta Terra. Feito o Roger (de Renor) diz, “Já que Recife só quer ser o umbigo do mundo, então: piercing nele”. E nessa leva, a cidade ganhou a fama de megalomaníaca. Aqui tudo é maior, menor, pior, melhor, mais ou menos. - E não é que é mesmo?

- Mas, o que isso tem a ver com a minha história?

No meio de tanta excentricidade, as rendeiras, costureiras, artesãs do tecido ou mulheres do bordado, que fazem arte até com um pedaço de estopa, botão velho, portando só uma linha e agulha, passam despercebidas. Todo mundo ama um badulaque (é fofo), mas a entrada agressiva das grandes marcas do mercado nacional e internacional na cidade (culpa do desenvolvimento [será?] da capital), acabaram tirando a atenção da clientela para essas moças. Ainda assim, há iniciativas que não deixam esse laço cultural ficar perdido no tempo.

Na Rua do Lazer, no coração da nossa querida Unicap, é possível encontrar parte desse resgate. E ali, junto do famoso açaí na tigela, das tortinhas do Paulo, do acarajé da baiana e do sushi do menino Aleph, tem uma feirinha que me agrada muito e que desde que se instalou por ali – agora com certa assiduidade – tem feito eu trocar qualquer shopping pelos produtos das artesãs de sucesso da feirinha. Também não sei de ninguém que resistiu até hoje sem comprar nada nas barraquinhas.

Entre sala de aula e a volta para casa, já comprei roupa, sandálias, bolsas, trufas, chocolate caseiro do bom, chaveiros mimosos, brincos artesanais feito com fitinhas, alémcde todo tipo de badulaque superútil da feirinha. Umas coisas valem muito a pena (R$), outras eu fico só na tentação. E aí, no último mês conheci a banca Maria Bonita, que faz um trabalho manual com tecidos de fazer qualquer consumista perder o sono (sentiu o clima Beck Bloom no ar? Eu sei!).

A história da Joana Maria (daí o nome da marca), 36 anos, é bacana. Trabalhou como consultora de vendas muitos anos, mas não estava satisfeita. Descobriu que tinha talento, gosto e resolveu encarar o mundo. Fez curso de Patchwork e começou vendendo as peças (no início blusinhas bordadas), até que chegou ali, na Rua do Lazer, no maior encontro de cultura e nacionalidade da capital pernambucana. E é gente de todo lugar do mundo. Intercambistas da África, México e até do Sul do País (why not?), além de uma infinidade de visitantes que a Universidade traz todos os anos. Entendeu a viagem?

O DDD é (81)
Pois bem. A Joana parece ter um olho clínico para o que ser ser sucesso, e contou que depois de perceber que a história com as camisas não estava dando tão certo quanto ela imaginava, resolveu investir em coisas “super úteis”. Foi quando teve a ideia de fazer capas, bolsas, necessaires, e outros acessórios que é preciso ter na mala de qualquer viajante (por isso também bati o olho e fiquei encantada).

Hoje, Joana vive da própria arte. “Eu sou a minha própria empresária. Se tenho uma ideia, primeiro faço testes, peço opinião, pesquisa bastante para depois colocar à venda. A minha filha também me ajuda, mas o grande trabalho é meu, inclusive também preciso investir em cursos e me atualizar das tendências de tecido e material para fazer um produto de qualidade”, conta.

Uma das criações da marca foi inspirada em uma peça de uma multinacional, lembra a artesã. “O grande barato desse trabalho é que posso me basear em produtos industriais e trabalhar aquilo com o tecido, com a madeira e transformar em artesanato. Uma vez eu entrei em uma loja e vi um produto que eu adoraria ter em casa (o suporte para computadores almofadado), mas quando reparei no preço, vi que custava mais de R$100. Então passei um ano testando soluções, cheguei a um resultado ótimo, e finalmente coloquei o produto à venda”, lembra Joana.

Joana Maria (:
Mas é claro que nem tudo são flores. Uma das coisas mais difíceis para essas mulheres, é lidar com a concorrência dos estrangeiros. “O mais difícil pra gente é lidar com a entrada dos produtos chineses no mercado local. As pessoas nem sempre estão dispostas a pagar um pouquinho a mais por um produto bem trabalhado e durável, preferem os badulaques da China. Então é bem complicado. Mesmo assim, graças a Deus consigo viver da minha arte”, diz sorrindo.

O espaço da feirinha é tão democrático quanto o espaço acadêmico. Não dá para dizer que há concorrência, porque cada produto é único, e cada pessoa tem um gosto diferente. Algumas barraquinhas fabricam o mesmo produto, mas tem sempre algo que diferencia uma coisa da outra – nada é igual. Garanto! O mesmo esquema de artesanato também é articulado na UFPE, onde a Joana também expõe os produtos dela. Para quem vem visitar a cidade e quer conhecer a exclusividade dos produtos, pode dar uma chegada na Rua do Bom Jesus, no Recife Antigo, e conferir A MEGA VARIEDADE de coisas (boas e baratas) que o pessoal da terra produz. Eu amo! #ÊtaPernambucobom  


Art's nas Mãos, de Marli Branches
(81) 3221.2672 / 8770.8578
Art's nas Mãos, de Marli Branches

Art's nas Mãos, de Marli Branches


15 comentários:

  1. Uau, que texto lindo Aline. Fiquei encantada com tudo e adorei as pulseirinhas tb.
    Preciso comprar! :)

    bjssss

    ResponderExcluir
  2. Parabéns há vcs duas Joana pelos produtos e vc aline pela Materia bjss

    ResponderExcluir
  3. Bela história Aline, ficou ainda melhor contada por você.


    Arrasou!
    Parabéns. :)

    ResponderExcluir
  4. Obrigada, amiga Juuuu!!! :***
    Vamos combinar nossas próximas aventuras, prepare-se!

    ResponderExcluir
  5. Muito obrigada, João!!! (:
    Seja bem-vindo ao blog, sempre!!! 

    Beijão!! :*

    ResponderExcluir
  6. Quando você vier pro casamento do Hugo a gente vai na feirinha comprar tuuuudo! :***

    ResponderExcluir
  7. Obrigada Aline, a matéria ficou ótima, adorei.
    Bjssssss até a próxima.

    ResponderExcluir
  8. Obrigada João(:
    Bjsss!!

    ResponderExcluir
  9. Obaaaa! Você também arrasaaaaaaa! (((:
    Beijoooos! :***

    ResponderExcluir
  10. Belo texto, essa menina.

    ResponderExcluir
  11. Obrigada, Jotaerri! (:

    ResponderExcluir
  12. Aline tu é arretada..!!!!!!!!!!!!!!!
    Parabens.Bjos

    ResponderExcluir
  13. Obrigada!!! :D :D :D

    ResponderExcluir
  14. De turista a viajantesegunda-feira, 21 maio, 2012

    Amiga, não conhecia seu blog, estou navegando e adorando. Me identifiquei em várias postagens, vou aprender muito por aqui.
    Bjos

    ResponderExcluir
  15. Seja muito bem-vinda!
    E vamos trocar experiências. (:

    Beijão!

    ResponderExcluir

Sugestões e outros comentários também podem ser enviados para aline@entreembarques.com.