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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Voando pela Condor: como é o voo direto do Recife para a Alemanha?


A primeira viagem ao exterior a gente não esquece. Entre outubro e novembro de 2014, fiz a minha primeira viagem internacional: um tour de 20 dias pela Europa, passando por quatro países - França, Inglaterra, Holanda e Alemanha. Fui só, de mente e coração abertos, com fome e sede de tudo. O resultado foi uma das melhores experiências da minha vida, a qual compartilho aqui numa série de postagens.


Voei do Recife até Frankfurt, na Alemanha, onda iniciei minha aventura. Até então, estava acostumado apenas aos voos domésticos no Brasil, pela Tam ou Gol. Como encarar quase dez horas seguidas dentro de um avião? E como seria estar numa companhia aérea, até então, desconhecida para mim? A ansiedade era grande! Minhas perguntas foram respondidas no dia 28 de outubro, data em que embarquei na viagem. Gostei muito da experiência com a Condor, que tem aeronaves confortáveis e oferecem um ótimo serviço por tarifas atraentes.

Na ida, durante a noite, foi tudo minuciosamente exemplar. A primeira impressão me marcou muito: o avião era grande e espaçoso. Recebemos um kit de uma sacola de pano com protetores auriculares, máscara de dormir, fones de ouvido, um par de meias, escova e pasta de dente. As poltronas eram bastante confortáveis; esperando por nós, sobre elas, um pequeno travesseiro e um cobertor. O espaço entre os assentos era bem satisfatório. Na traseira da poltrona à frente, uma pequena TV trazia opções de filmes, séries, músicas e um mapa interativo com informações sobre a viagem.

Interior da aeronave da Condor, durante voo Recife-Frankfurt (Foto: Milton Raulino / EE)

Na volta, pela manhã, não recebemos o kit, mas o atendimento foi igualmente exemplar. No começo, estranhei a comunicação. Por ser uma companhia alemã, o principal idioma dos avisos e da abordagem do staff é toda em alemão. Mas todos falam inglês e são solícitos em ajudar no que for preciso.

Os voos de ida e de volta foram muito tranquilos; não tivemos turbulências, apenas balanços muito leves. Assisti dois filmes e fui aproveitando o serviço de bordo, que ofereceu refeições bem preparadas. Na ida, jantar e café da manhã; na volta, café e almoço; além de servirem água, chá, refrigerante e suco de tempos em tempos. As comidas, bem no estilo alemão, não são exatamente deliciosas; são bem apresentadas e boas basicamente para se matar a fome - afinal, é o que interessa. Tudo o que é servido é gratuito, exceto bebidas alcoólicas e cigarros - não que se possa fumar a bordo, mas, sim, eles vendem cigarros -, comercializados à parte.

Como acontece em toda viagem, a volta é sempre mais demorada, pois já estamos mais cansados e queremos chegar logo em casa. As novidades e a empolgação da ida fizeram o tempo do voo correr depressa. Depois de me familiarizar com todo o ambiente, adormeci e, para minha surpresa, acordei com o dia já claro. Espiei pela janela e me deparei com um lindo cartão de boas-vindas – eram os Alpes anunciando que já chegávamos ao velho continente e logo aterrissaríamos.

E não é que tudo isso era realidade mesmo? Não cabia em mim de tanta felicidade: eu havia chegado! 

Os Alpes: saudação de boas-vindas na chegada à Europa (Foto: Milton Raulino / EE)


✈ Continua...

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Museu Cais do Sertão: uma viagem pelas terras do Rei do Baião

Juazeiro autêntico foi replantado na entrada do museu


Parece bonito nas fotos, mais interessante ainda a paisagem da frente, onde um enorme e autêntico juazeiro foi posto à sombra, para receber as visitas dos olhares curiosos e admiradores. Para quem nunca teve a oportunidade de viajar para além do litoral, é quase um presente dado a quem vai ali conhecer ou, simplesmente, passa em frente ao Museu Cais do Sertão Luiz Gonzaga, no Recife.

O equipamento está novinho em folha (foi inauglocal em umcom atraso, em março de 2014), e ainda é novidade para muitos pernambucanos distraídos ou ocupados para tirar um dia inteiro de visitação ao espaço. O museu foi criado para prestar homenagem ao eterno mestre Luiz Gonzaga, o nosso Rei do Baião, em comemoração ao centenário de seu nascimento, e que há exatos 25 anos deixou saudade em muitos corações, e um legado de sentimento e poesia em forma de canções para toda a eternidade.


Instrumentos de trabalho e sobrevivência do povo sertanejo




O aniversário de sua morte foi comemorado no inicio de agosto, mas o ano inteiro a festa do forrozeiro acontece, das paredes para dentro, em um enorme galpão que virou o cenário mais incrível da cidade do Recife. Ali dentro eu quase vi o sertão vivo, tamanha a fidelidade de referências da cultura, música e memória recriadas – tudo isso sem criar estereótipos ou ser piegas.

“Numa tarde bem tristonha gado muge sem parar, lamentando seu vaqueiro que não vem mais aboiar.”

O Cais do Sertão não deixa nada a desejar. Ou melhor, me deixou com vontade de ir ali mais vezes e desfrutar daqueles detalhes que vi rapidamente. No meio do cenário, uma reprodução do Rio São Francisco corta a paisagem de um lado a outro, tal como nas terras de Gonzagão, e nos envolve num misto de som, luzes e clima de aconchego, nos conduzindo aos diferentes “terrenos” da vida sertaneja. A água que nos conduz aos caminhos...
                
Logo na entrada, o mistério do grande juazeiro da fachada é revelado em um pequeno curta-metragem. A árvore foi retirada lá de Garanhuns, no agreste, desencravada da terra e trazida, ainda com suas raízes, para o Recife, e aqui se tornou o retrato oficial do Museu. Segundo uma das monitoras do museu, a ideia de colocá-lo na entrada foi para reproduzir o largo onde os sanfoneiros do Exu se encontravam.

O juazeiro é uma árvore que dá flores brancas e frutos amarelos, e por servir de sombra e alimento ao gado em épocas de seca, se tornou um ícone forte da cultura sertaneja.

Sanfona e traje original de Luiz Gonzaga



Da retirada até o replantio, tudo virou filme que está sendo exibido na entrada do Cais. Os minutos de curta são tão curiosos que nos distraem em dias de grande fila. Mas antes de passar pela catraca, saque sua melhor câmera ou vá com o celular carregado porque, dali para dentro, o mundo todo fica para trás. Ainda no salão, ficam expostos utensílios originais que pertenceram ao rei do baião: sua sanfona, seu chapéu e suas vestes.       

O museu possui três salas de projeção que abordam a vida, a música e a poesia na região Nordeste. A primeira delas, Sertão Mundo, vai te levar ao meio da exposição, então para ficar mais misterioso, sugiro que você comece o passeio daí. Mas se a sessão já tiver começado ou estiver lotada você pode ir direto para a exposição. No salão principal a representação do São Francisco nos conduz aos demais territórios que demonstram um pouco da vida, do trabalho, da cultura, e da religiosidade dos sertanejos.



Para quem desconhece o cenário, uma projeção sobre gesso traz informações sobre a vegetação, clima e população local. E assim, através de objetos, imagens e sons, o visitante pode ver, ouvir e imaginar um pouco da atmosfera do sertão nordestino. O mais interessante é que tudo parece ter sido feito a minúcia, desde a pesquisa e documentação até a organização espacial dos objetos, e isso nos faz perdoar o atraso na entrega do museu.
                
Mas a graça não fica apenas no visual. O Cais também foi projetado para ser um espaço interativo e altamente tecnológico, então há muito para ser desvendado. Jogos, filmes, canções e, no andar superior, quem se arriscar no vocal pode entrar em um dos vários estúdios e gravar uma canção de Gonzagão. E, ao fim do passeio, na sala de instrumentos, é onde funciona a oficina de música, onde crianças e adultos podem se aventurar na mistura de ritmos.





Orçado em R$ 97 milhões, o Cais do Sertão Luiz Gonzaga contou com recursos dos governos federal e estadual. 

Isa Grinspum Ferraz é o nome por trás da museografia do Cais do Sertão. Ela é pernambucana, natural do Recife, e participou da equipe de trabalho do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, equipamento que também é referência em dinâmica e tecnologia.

Veja no post do Facienda um pouco do Cais do Sertão em fase de acabamento.

A equipe de criação envolve ainda nomes como Tom Zé, José Miguel Wisnik, Antônio Risério, Frederico Pernambucano de Mello, entre outros. Cineastas como Kleber Mendonça, Lírio Ferreira, Paulo Caldas, Marcelo Gomes, Camilo Cavalcanti, Carlos Nader, Leandro Lima e Sérgio Rozemblit, além do xilogravurista e cordelista J. Borges e dos artistas plásticos Cafi, Derlon Almeida, Luis Hermano e Miguel Rio Branco também produziram conteúdo para o acervo.  

Existe uma intenção de expansão para o Cais do Sertão, onde restaurante, cafe, lojinha e até um Centro Cultural estão previstos. A ideia estava no projeto inicial, inclusive, e a previsão é que a segunda etapa do museu seja inaugurada até o final de 2014. Mas, nunca se sabe... Bom, se ficar tão bacana como está o primeiro módulo, vai valer a pena esperar!


➲ SERVIÇO:

Horários de funcionamento: 
Terça, das 9h às 21h | Quarta a sexta, das 9h às 18h | Sábado e domingo, das 13h às 19h.
Endereço: Novo terminal marítimo do Porto do Recife (Antigo Armazém 10), bairro do Recife.
Entradas: R$ 8 (inteira) e R$ 4 (meia) | Nas terças-feiras a visitação é gratuita.
Outras informações: 81 3084.2974

✈ Leia também: 


domingo, 29 de junho de 2014

Turismo e tecnologia em pauta na Campus Party Recife

Foto: Divulgação


O maior evento de tecnologia, internet e entretenimento eletrônico do mundo, a Campus Party, vai acampar no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda, de 23 a 27 de julho, em sua 3° edição regional. Das 4 mil vagas disponibilizadas para os campuseiros, mais de 3500 já foram vendidas. Por isso, quem quiser participar, precisa se apressar em quebrar o porquinho para garantir a entrada, porque o grande dia está chegando. Os ingressos para a #CPRecife3 custam R$200 e valem para todos os dias de evento. 

A programação é extensa e terá debates que vão desde questões como o desenvolvimento da robótica e biotecnologia, até o fim dos endereços Internet Protocol version 4 (IPv4), mas também traz discussões sobre questões sociais como a inclusão dos games educativos, acessibilidade digital e empreendedorismo. Para os interessados em cultura digital, a agenda da #CPRecife3 vai trazer palestras sobre cultura pop e o universo geek, quadrinho nacional e como as mídias sociais transformaram o modo de viajar.

A discussão que o evento irá trazer em uma de suas paletras sobre o universo do turismo vem em um momento muito oportuno. Segundo pesquisa do Ministério do Turismo (MTur), a cada hora, são realizadas cerca de 625 mil buscas no Google, no mundo inteiro, sobre viagens. Isso consolida o papel da internet como principal fonte de pesquisa dos viajantes brasileiros e estrangeiros na hora de escolher um roteiro, organizar uma viagem e compartilhar informações.

Um bom exemplo é o perfil do MTur na rede, que ultrapassou o número de 630 mil conexões, entre fãs, seguidores e assinantes. Blogs e redes sociais como Instagram, Facebook e Twitter também são destaque como importantes fontes de consulta na hora de o viajante definir o seu destino, já que tem a vantagem de ser um canal aberto com o viajante 3.0.

A jornalista Carol Pacobahyba, do blog Terra Estrangeira, vai falar sobre esse cenário no Palco Michelangelo. O bate-papo vai abordar como as mídias sociais estão transformando o comportamento dos turistas em todo o mundo, como o turismo era praticado há 20 anos e nos dias atuais, e como essas novas ferramentas contribuem para uma viagem bem sucedida. 

No mesmo palco, a programação ainda traz palestras sobre media training, jornalismo reload, podcast, cultura pop, design, e este ano a campus party recebe os irmãos Piologo, dupla formada por Ricardo e Rodrigo, responsáveis por sucessos da web como a série ParTOBA, VideoShock e outros vídeos do Mundo Canibal.

Outros destaques da #CPRecife3 são Sean Carasso, fundador do projeto Falling Whistles, campanha pela paz no Congo; Daniel Sieberg, gerente sênior de Marketing do Google; além do brasileiro Joe Penna, conhecido como Mystery Guitar Men. Os conteúdos serão distribuídos em cinco palcos que terão palestras, workshops, paineis e mesas-redondas. Serão oferecidas mais de 300 horas de palestras durante os cinco dias de evento.


➲ Confira a programação completa no site: http://recife.campus-party.org/

quarta-feira, 12 de março de 2014

De bike, de ônibus, a pé ou de barco: como passear de graça no Recife

O aniversário é da cidade, mas por aqui quem ganha o presente é o cidadão e o visitante. É que a secretaria de turismo do Recife, em comemoração aos 477 anos da capital pernambucana, lançou mais um projeto de sensibilização para movimentar a cena turística local.

Dentro do projeto "Olha! Recife", haverá quatro ações para que o cidadão possa conhecer a cidade sob diferentes olhares. As iniciativas foram batizadas como: Olha! Recife no Rio, Olha! Recife de Ônibus, Olha! Recife Pedalando e Olha! Recife a Pé. As inscrições para os passeios, que começam no próximo sábado, já podem ser realizadas através dos telefones (81) 3355.8605 e 3355.8460.

Olha! Recife no Rio



Aos sábados cem pessoas poderão desfrutar de graça do roteiro das cinco pontes (que nós já fizemos e contamos aqui). O passeio tem saída marcada todo os sábados, às 10h, Catamaran Tours, na Avenida Sul. As pessoas que participarem da iniciativa irão navegar pela cidade a bordo de um catamarã. Tudo de graça.

O percurso passa pelas Ilhas de Santo Antônio, Recife Antigo e Boa Vista, atravessa as pontes 12 de Setembro, Maurício de Nassau, Manuel Buarque de Macedo, Princesa Isabel e Duarte Coelho, além de ter oferecer visão privilegiada de pontos turísticos como o Parque das Esculturas de Francisco Brennand, Praça do Marco Zero, Paço Alfândega, Ginásio Pernambuco, Assembleia Legislativa de Pernambuco, Teatro de Santa Isabel e os casarios da Rua da Aurora.

Um segundo roteiro também será oferecido, segundo a secretaria de turismo, intitulado "Recife e seus bairros".

Olha! Recife a Pé

Outra forma de desfrutar a cidade sob uma perspectiva mais humana é caminhar por ela. Para quem quer ter esse prazer, haverá caminhadas para grupos de até 30 pessoas que desejam realizar caminhadas turísticas visitando pátios de igrejas, o Parque 13 de Maio, a Rua da Aurora e outros pontos. Todos os passeios terão acompanhamento de guias credenciados pela secretaria. Os encontros serão sempre aos domingos, às 9h ou 15h, sendo a concentração na Praça do Arsenal, no bairro do Recife.

Olha! Recife Pedalando

Também aos domingos, em horários variados que deverão ser confirmados pelo telefone da secretaria, os amantes da magrela têm encontro marcado no Marco Zero. A ideia dos tours de bike é promover passeios até bairros próximos como a Boa Vista, São José, Santo Antônio e o próprio Recife Antigo. Esse passeio também será com um guia que vai ajudar os ciclistas a vivenciar melhor os atrativos turísticos.

Olha! Recife de Ônibus

ônibus especiais sairão aos sábados, às 14h, da Praça do Arsenal. São dois veículos disponíveis para o projeto, que oferecem 45 vagas em cada um deles, totalizando 90 vagas.

COMO PARTICIPAR?

Para participar dos passeios inaugurais a partir deste sábado (15), as pessoas terão que se inscrever pelo telefone 3355-8605, a partir das 8h de sexta-feira.

Na próxima semana, sexta-feira (21), quem quiser passear pela veneza brasileira de catamarã, bike, a pé ou busão, deverá acessar o site ww.olharecife.com.br e garantir a inscrição. A secretaria de turismo mandar avisar que a partir desta data as inscrições serão feitas, exclusivamente, pelo site. Todos os tours são gratuitos.

Recife, 477 anos

Fotos: Aline Souza / EE
Por ocasião do festejo da cidade, a partir das 10h desta quarta, quem conseguiu se inscrever até ontem no projeto, vai poder desfrutar de um dos roteiros mais populares do circuito histórico do Recife passeando de graça de Catamarã pelo Rio Capibaribe. O roteiro irá sair do Catamaran Tours, seguindo pelas pontes do Centro até a altura do Plaza Shopping. Um passeio e tanto.

Quem também está de parabéns hoje é Olinda, pelos seus 479 anos!

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O que fazer no Recife antes de cair na folia: praias, museus e restaurantes

Por Aline Souza
Do Entre Embarques


"Tomar umas e outras e cair no passo."

Oficialmente, a folia ainda não começou, mas quem vai desembarcar por esses dias na capital pernambucana, mesmo com a intenção de se acabar no carnaval, pode (e deve) reservar um espaço na agenda da alegria para conhecer o que todo mundo tanto fala de Pernambuco: a nossa pluralidade.

Neste post reunimos dicas sobre os principais pontos turísticos (e de fácil acesso) da cidade do Recife para otimizar o roteiro de quem vai ficar por aqui pelo menos três dias. Museus, praias, shoppings, restaurantes e os horários de abre/fecha de cada ponto listado no nosso pequeno guia carnavalesco.

Recentemente a cidade ganhou um espaço dedicado ao ritmo mais entoado nas ruas do Recife Antigo e nas ladeiras de Olinda: o frevo. E é justamente por ele que começam as nossas dicas do que fazer/conhecer no Recife durante a semana pré-carnaval. Confira:
➲ Paço do Frevo
Praça do Arsenal da Marinha, bairro do Recife, S/N.
www.pacodofrevo.org.br // (81) 3355-9500
R$ 6 e R$ 3 (meia). Nas terças, o ingresso é gratuito.

Foto: www.facebook.com/pacodofrevo / Reprodução
O museu, inaugurado recentemente, reúne um acervo com documentos e história do ritmo, exposições, além de manter atividades culturais como escolas de música e dança. Na semana pré-carnaval o Paço funciona até às 13h da quinta-feira (27), e reabre ao público na quarta-feira de cinzas, a partir das 14h.  

O site do museu nos dá uma dimensão do que você vai encontrar no local, mas nenhuma imagem ou descrição se comparam a grandiosidade do que está reunido naquele prédio histórico. É parada obrigatória, principalmente se você veio conferir de perto o carnaval da nossa cidade.

➲ Palácio do Campo das Princesas
Praça da República, bairro de santo Antônio.
http://www.pe.gov.br/
Entrada gratuita.

Foto: Alcides Cursino / Especial para o EE


Aos amantes de história ou mesmo para os aventureiros, passear pelo casarão histórico, sede do governo do estado desde 1841, é dica que vale a pena. O roteiro é realizado em grupos de até 75 pessoas, mas para fazer a visita é preciso agendar a participação com antecedência através do email (visitapalacio@governadoria.pe.gov.br). 

Os passeios são guiados por monitores, que através dos ambientes e da decoração do casario narram a história das revoluções, lutas e da cena política de Pernambuco. Da sacada, o visitante tem um vista privilegiada de uma das ruas mais famosas e míticas do Recife, a Aurora, além de avistar de cima o jardim do paisagista Burle Marx. Por isso, indico o passeio, inclusive, aos pernambucanos que ainda não conhecem o local.

E, apesar do calor que faz no Recife, quem quiser fazer este roteiro vai precisa tirar a velha calça do armário, pois não é permitido entrar no local trajando bermuda ou shorts. Roupas mais despojadas somente na visitação dos domingos. Na semana pré o Palácio vai receber visitantes até a quinta-feira (27), das 9h às 11h; e das 14h às 16h. As atividades recomeçam na primeira quinta de março, dia 6, das 9h às 11h; e das 14h às 16h.

➲ Centro Cultural Correios
Av. Marquês de Olinda, 262, bairro do Recife.
(81) 3224.5739 // Entrada gratuita.


Foto: Josivan Rodrigues / Dilvulgação
Vida e obra do artista sertanejo de Salgueiro, Zé do Mestre, estão em cartaz na principal exposição da casa "O sertão de Zé do Mestre", que foi prorrogada até o dia 23 de março. Além dessa exibição, o público poderá conferir o projeto "Sátiras". O Centro fica aberto até quinta-feira (26), das 9h às 18h, e abre novamente na quinta pós-carnaval, também das 9h às 18h.

➲ Caixa Cultural Recife
Av. Alfredo Lisboa, 505, bairro do Recife.
(81) 3224.1110 // Entrada gratuita.

Ficou aberta até o domingo, com a exposição de Ariano Suassuna. Durante a semana pré-carnaval a Caixa Cultural vai ficar fechada, só abre no dia 11 de março, depois da folia momesca. Mas achei bacana avisar por que vem aí duas novas exposições que me parecem imperdíveis: "Recife [é um] porto" e "Vinícius de Moraes". A coordenação do centro manda avisar que a entrada é gratuita, e enfatiza a importância do visitante assinar o livro de registros e deixar email para ficar sempre atualizado sobre a programação local.

➲ Passeio de Catamarã
Marco Zero do Recife
Preço a consultar


Foto: Aline Souza / EE




Se eu fosse recomendar apenas um passeio, diria para você fazer o roteiro das pontes do Recife Antigo a bordo do catamarã. Duas empresas prestam serviço no local: Catamarã Veneza e Catamarã Tours, todas duas empresas bem conceituadas e de referência no mercado. Para fazer o passeio você precisa comprar um ticket com alguma representante lá mesmo, no Marco Zero, de onde também saem os barcos. No ano passado, fiz o passeio a bordo do Catamarã Veneza. Você pode conferir todas as dicas clicando aqui.

➲ Parque de Esculturas Francisco Brennand
Arrecifes do Porto, S/N, bairro do Recife.
Acesso livre

Foto: Aline Souza / EE


O Marco Zero do Recife com certeza você vai conhecer, e quando chegar lá vai avistar, do bairro de São José, um paredão de esculturas a céu aberto representadas pelo grande ícone intitulado como Torre de Cristal (foto acima), com 32 metros de altura. O espaço foi inaugurado no ano 200, em homenagem aos 500 anos do descobrimento e foi dedicado à obra de um dos artistas plásticos mais influentes da cidade, Francisco Brennand. São 51 esculturas que podem ser observadas ao ar livre diante de uma vista privilegiada. 

Mas também é verdade que o local anda sendo muito mal vigiado e por esse motivo frequentado por gente que faz churrasquinho na área e joga dejetos no pobre Rio Capibaribe. Há dois modos de chegar até o Parque, mas o mais rápido e divertido é ir fazer a travessia de barco do Marco Zero até o local, feita por barqueiros de nativos, das 7h às 17h. Nesse período momesco é possível que eles cobrem um pouco mais pelo passeio para o turista.


➲ Instituto Ricardo Brennand
Alameda Antônio Brennand, S/N, bairro da Várzea.


Foto: Aline Souza / EE
Saindo do centro do Recife, você pode visitar um castelo curioso no bairro da Várzea que abriga um acervo com armas, pinacoteca com exposição sobre o período holandês e Pernambuco, além de galeria que abre para eventos e exposições temporárias. No site do Castelo é possível "visitar" virtualmente o espaço através de uma plataforma de observação em 360º. Durante a semana pré-carnaval, estará aberto até às 17h da quinta-feira (26), e reabre na quinta (6), das 13h às 17h.  O ingresso custa R$15. Estudantes, professores e pessoas acima de 60 anos pagam R$5. 

➲ Oficina de Cerâmica Francisco Brennand
Propriedade Santos Cosme e Damião, S/N, bairro da Várzea.
(81) 3271.4814 // www.brennand.com.br
R$ 10 (inteira) e R$5 (meia).

Nas ruínas da antiga Fábrica de Cerâmica São João, Francisco Brennand deu vida a um espaço que hoje abriga uma exposição permanente de obras, entre esculturas e pinturas, do artista pernambucano ainda vivo. São aproximadamente 2 mil peças criadas expostas em um espaço preservado em meio a uma reserva de Mata Atlântica. No local também funciona uma fábrica de cerâmicas, que produz cerca de 20 mil m² do material por mês. Fica aberta até sexta-feira, das 8h às 16h, e reabre na quinta (6) pós-carnaval, das 8h às 17h.

➲ Praia de Boa Viagem
Av. Boa Viagem, Zona Sul do Recife, S/N
Acesso livre


Foto: Aline Souza / EE
Se você veio a passeio, com certeza vai aproveitar a prainha durante a semana. E, se eu fosse dar um conselho diria, por experiência própria, para você não confiar no sol das 7h. Se quer pegar uma corzinha, chegue cedinho à praia e a partir das 7h não fique sem protetor solar fator que seja mais adequado para a sua pele. 

Outra dica valiosa é ficar atento às PLACAS DE ORIENTAÇÃO ESPALHADAS POR TODA ORLA. Já teve acidente com turista por aqui e a primeira polêmica a ser levantada sempre é "falta de sinalização na orla" que, no meu conceito, é muito eficiente. Os alertas são bilíngues e muitos claros, eles falam sobre os perigos de tomar banho em área sujeita à ataque de tubarões. Por conta disso, entrar na água com a maré baixa e ficar de olho nos riscos evita esse e qualquer outro tipo de problema. Depois não diga que não avisei... Bom, salvo essas exceções, a praia de Boa Viagem vai te render muitos selfies e momentos para guardar no coração.

➲ Novo Pina
Rua da Moeda, bairro do Recife.
Consultar cardápio

O meu referencial ali é o Novo Pina, bar que logo se destaca por ser muito bem localizado na Rua da Moeda, estando na mesma calçada que a icônica estátua de Chico Science (vai ser fácil você achar). Nos dias de carnaval, inclusive, o ambiente pega fogo. Muita gente descolada (ou alternativa, como apelidam os mais tradicionais) nos arredores e, ali pertinho, o Shopping frescurento mais sem frescura da cidade, o Paço Alfândega, além de uma variedade de bares e restaurantes que inspiram aconchego e amizade. Tudo junto e misturado.

Foto: Rua da Moeda / Milton Raulino (EE)
O dono do bar pode não ser a pessoa mais simpática do mundo, em compensação a equipe de segurança e os garçons são, como a gente chama por aqui, "tudo gente fina". Eles têm um banheiro bem disputado e apertadinho no bar, uma radiola de fichas jurássica que ninguém acaba ouvindo nada por conta do barulho que fica na rua e nos bares da frente, e na minha opinião servem a melhor batata frita da Moeda. Se você for pessoa sem frescura, dá uma passada por lá no começo da noite, e aproveita pra conhecer Rossi, que não é o Reginaldo, mas é tão boêmio e feliz quanto foi o Rei do Brega um dia.

➲ Shopping Paço Alfândega
Rua da alfândega, 35, bairro do Recife.
www.pacoalfandega.com.br

Segundo o calendário oficial divulgado pelo mall, a semana pré-carnaval vai ter desfiles de blocos e as atividades continuam normalmente no local. Anexo ao shopping, você pode passar horas na livraria Cultura, conferir os lançamentos e vários títulos de escritores locais, e ainda tomar um café. No segundo piso tem a praça de alimentação com opções que vão desde o sushi até o camarão. Durante o carnaval, o Paço fica aberto e terá programação infantil, desfile de blocos líricos e apresentação de orquestra de frevo, das 15h às 21h (de domingo a terça de carnaval). O estacionamento fica aberto 24h durante o período carnavalesco, e a praça de alimentação das 12h à 1h. Depois, o shopping volta a funcionar no seu horário normal.

✈ Leia também:

Guia prático e sentimental do carnaval de Pernambuco


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Recife tem o carnaval mais barato do Brasil

Além  de ter o carnaval mais multicultural e democrático do planeta, a capital pernambucana também leva o título de cidade mais em conta para os foliões que desejam curtir a folia de momo sem gastar muito. Pelo menos foi isso que disseram os resultados de uma pesquisa feita pelo TripAdvisor nas três cidades que mais recebem turistas durante o carnaval, e divulgada na terça-feira (19).

No Recife, o folião gasta em média R$279,26 por dia, enquanto em Salvador e no Rio de Janeiro o custo diário passa a ser de R$382,75 e R$ 488,36 respectivamente, considerando o período de 28 de fevereiro a 4 de março. Ainda segundo a pesquisa, a capital fluminense é a que oferece as opções de serviços mais caras para brincar o carnaval, exceto no custo de corridas de táxi, que são mais em conta no Rio.

Os critérios para avaliar o que o folião gasta, em média, durante um dia de festa incluíram o comparativo dos preços e o gasto total com diárias em hotel (três ou quatro estrelas, excluindo despesas extras), táxi, alimentação (sem contar com as bebidas e outros serviços), caipirinha e opções de festas. 

Como no Recife a nossa folia acontece na rua, sem ingresso ou abadá, é claro que saímos disparados à frente das duas outras cidades. O TripAdvisor também avaliou o que apenas uma pessoa chegar a gastar se for curtir o carnaval apenas um dia na Marquês de Sapucaí ou nos blocos blocos de cordão em Salvador, onde o turista pode chegar a gastar até R$ 1.622,75 (RJ) e R$ 1.108,36 (SSA).

Vale salientar que, além dos tradicionais festejos recifenses, os turistas também podem curtir as ladeiras de Olinda e, se sobrar um tempinho, podem aproveitar o maravilhoso litoral pernambucano - se conseguir achar vaga (hehe).

➲ Deflação?

No ano passado, segundo a mesma pesquisa, a capital pernambucana também saiu na frente no quesito economia. Mas o interessante é que, em termos de gasto, os números caíram bastante em 2014 nas três capitais avaliadas.

Em 2013 o folião gastava, por dia, em uma cidade como o Recife, cerca de R$ 367,36 para curtir o carnaval durante quatro dias (levando em conta os mesmo critérios de avaliação usados este ano). Na sequência estavam Salvador (R$ 504) e o Rio de Janeiro (R$ 634). 

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Um cantinho para a memória do Frevo

No que diz respeito ao turismo, o Recife ainda anda a passos curtos, apesar de o atual governo ter se concentrado relativamente nesse aspecto na capital pernambucana. Obviamente por força da ocasião, já que seremos um dos estados nordestinos a receber jogos do maior evento esportivo do planeta, a Copa do Mundo 2014.

E se por um lado perdemos na organização urbana com obras inacabadas por vários pontos da cidade (junte isso ao caos do transporte público e a uma legião de veículos conduzidos por motoristas cheios de direito), ganhamos, porque apesar da demora, se as reformas realmente ficarem prontas um dia ao menos tivemos algumas ruas recapeadas e ganhamos importantes equipamentos culturais.

O Paço do Frevo é um desses presentes dados à memória da cidade. O espaço foi inaugurado para preservar e difundir a memória cultural do ritmo, considerado pela Unesco como Patrimônio Imaterial da Humanidade, e também irá funcionar como um centro de cultura local. 

→ A cerimônia oficial de abertura Paço do Frevo aconteceu no domingo retrasado (9), na Praça do Arsenal, no Recife Antigo, num dia bem oportuno já que nesta data comemora-se o Dia do Frevo no Recife.

No imóvel onde o equipamento está instalado funcionava, até 1973, a Western Telegraph Company. O local ficou 36 anos sem uso até a intervenção atual. O prédio foi tombado pelo IPHAN desde 1998 e é integrante do complexo cultural, histórico e turístico das cidades do Recife e de Olinda.

De acordo com a Prefeitura do Recife, cerca de R$ 13,2 milhões foram gastos na reforma do lugar através de investimentos do Governo do Estado, em parceria com o BNDES, Celpe, Instituto Camargo Corrêa, Instituto Votorantim, Itaú, Rede Globo, IPHAN e Ministério da Cultura, por meio da Lei de Incentivo à Cultura.

O projeto de restauração incluiu a recuperação das fachadas e a adaptação dos espaços internos do edifício e durou uns quatro anos. O resultado pode ser visto em quatro pavimentos do imóvel, divididos em cerca de 1.700 metros quadrados, que abrigaram um Centro de Documentação, Escola de Dança e Música e Exposições.

Na programação estão previstas exposições permanentes e temporárias, aulas de dança e música, além de um centro de documentação, um estúdio de gravação e uma rádio online. As visitas ao Paço do Frevo, que fica na Praça do Arsenal, no Recife Antigo, custam R$ 6 e R$ 3 (meia). Nas terças-feiras, a entrada é gratuita.

● Horários de funcionamento: terças, quartas e sextas, das 9h às 18h; nas quintas, das 9h às 21h; e nos sábados e domingos, das 12h às 19h.

➲ Confira a programação:

18 a 21 de fevereiro

Vivência – Vamos cair no passo!
Idade: Livre
Horário: Das 9h às 12h e das 13h às 16h
Local: Praça do Frevo (3º andar)
Mediante apresentação do bilhete de acesso: R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia)

Vivência – Toca Frevo
Agendado (escolas e instituições)
Horário: Das 10h às 10h40 e das 15h às 15h40
Local: Praça do Frevo (3º andar)
Gratuito

18 a 21, 25 e 26 de fevereiro

Oficina – Passo para o Carnaval (Infantil), com instrutora Inaê Silva
Idade: 5 a 8 anos
Horário: Das 14h às 15h
Local: Sala Abre Alas
Inscrição: R$ 50

Oficina – Passo para o Carnaval (Infantil), com instrutora Inaê Silva
Idade: 9 a 12 anos
Horário: Das 15h às 16h
Local: Sala Abre Alas
Inscrição: R$ 50

Oficina – Passo para o Carnaval (Adolescente e Adultos), com instrutor Jaflis Nascimento
Idade: A partir de 13 anos
Horário: Das 10h às 12h
Local: Sala Tesoura
Inscrição: R$ 50

Oficina – Passo para o Carnaval (Adolescente e Adultos), com instrutor Alexandre Macedo
Idade: A partir de 13 anos
Horário: Das 16h às 18h
Local: Sala Tesoura
Inscrição: R$ 50

Oficina – Adereços de Carnaval, com os instrutores Pedro Coelho e Henrique Lopes
Idade: Livre
Horário: Das 9h às 11h30
Local: Sala Badia
Inscrição: Gratuita (vagas limitadas)

Oficina – Maquiagem, com instrutor Gedson Silva
Idade: Livre
Horário: Das 14h30 às 17h
Local: Sala Badia
Inscrição: Gratuita (vagas limitadas)

20 de fevereiro

Quinta no Paço, com a Companhia de dança da Escola Municipal de Frevo
Idade: Livre
Horário: Das 18h30 às 21h
Local: Praça do Frevo (3º andar)
Mediante apresentação do bilhete de acesso: R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia)

21 de fevereiro

Hora do Frevo, com o trio Saracotia
Idade: Livre
Horário: Das 12h às 12h40
Local: Recepção/Café
Gratuito

22 e 23 de fevereiro

Vivência – Vamos cair no passo!
Idade: Livre
Horário: Das 15h às 18h
Local: Praça do Frevo (3º andar)
Mediante apresentação do bilhete de acesso: R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia)

Vivência – Apreciação Musical
Idade: Livre
Horário: Das 14h às 15h40 e das 16h às 17h40
Local: Sala Capiba
Mediante apresentação do bilhete de acesso: R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia)

25 e 26 de fevereiro

Vivência – Vamos cair no passo!
Idade: Livre
Horário: Das 9h às 12h e das 13h às 16h
Local: Praça do Frevo (3º andar)
Mediante apresentação do bilhete de acesso: R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia)

Vivência – Toca Frevo
Agendado (Escolas e Instituições)
Horário: 10h às 10h40h e das 15 às 15h40
Local: Praça do Frevo (3º andar)
Gratuito

terça-feira, 20 de agosto de 2013

"Eu vi o mundo... Ele começava no Recife."


Algumas sensações eu acho fácil explicar, tipo paixão, que com certeza é algo próximo a dor de estômago. Mas a emoção de navegar sobre as águas do Rio Capibaribe, no Recife, um dos principais destinos turísticos do país, sabendo que foi nessa cidade que você nasceu e se criou, é tão intenso que o peito se enche de orgulho e a sensação é de riqueza.

E Deus abençoe a câmera fotográfica por registrar tantas imagens lindas e nos permitir jogá-las ao mundo. A capital do frevo revista pelo roteiro das sete pontes do centro histórico, com direito a um arco-íris lindo e, para abençoar, uma chuvinha ao cair da noite.



Se você está na cidade a passeio, sugiro que reserve algum dinheiro para fazer o passeio de catamarã pelo Rio Capibaribe. Caso você seja morador daqui e ainda não conhece o roteiro, junte alguns amigos e vá.

O tour começou lindo, num fim de tarde de uma sexta-feira que ainda parecia férias. As crianças corriam na praça do Marco Zero, comiam pipoca e turistas de muitos lugares tiravam dezenas de fotos, conheciam o nosso rico centro de artesanato e aguardavam passeios de barco.

É aqui que começa o seu roteiro. Você pode comprar o ticket de acesso à barca na hora, pelo valor de R$35. O passeio é feito a bordo de um catamarã com a presença do condutor, uma guia e mais dois auxiliares de bordo, e tem duração de aproximadamente 1h15. Quase todos os passageiros da vez eram turistas (brasileiros). Mesmo assim fiquei contente em ver muita gente de fora na cidade.

Antes de tudo, um alerta: Conserve a educação que você recebeu em casa e não jogue nada dentro do Rio. Ouvi algumas pessoas falando que iriam jogar moedas, papeis e fazer pedidos. O Capibaribe não é um rio mágico, nem funciona como uma fonte de desejos. Não retire ou deixe coisas no lugar. Preserve!

A guia Liliana começa a contextualizar a viagem pela Praça Rio Branco, mais conhecida como o marco zero da cidade do Recife (aquele local de onde iniciamos o trajeto). É de lá que começam a ser medidas todas as distâncias de Pernambuco. "Ao infinito e além..."

Do outro lado do cais fica o parque de esculturas Francisco Brennand, com obras do artista de mesmo nome. O local, segundo a guia, foi inaugurado na ocasião dos  500 anos do "descobrimento" do Brasil, através do projeto "Eu Vi o Mundo... Ele Começava no Recife", no ano 2000, inspirado na obra do pintor pernambucano de Escada, Cícero Dias. A principal escultura é a Coluna de Cristal, com 32 metros de altura, feita de argila e bronze. Devido a sua estrutura, o monumento foi carinhosamente apelidado pelos recifenses mais travessos de "pica".



✈ Além do parque das esculturas, a estrutura da Rosa dos Ventos que se encontra no chão do Marco Zero também foi inaugurada na mesma ocasião. [Fico devendo a foto]

O passeio de catamarã não faz descidas no parque, mas voltando ao ponto de partida, alguns barqueiros fazem a travessia até o local, e geralmente cobram R$5 por pessoa. Do outro lado do parque, as ondas quebram lindamente na encosta. Cheiro de rio, mar, muito vento. É um lugar lindo, rende ótimas fotos, mas não invente de ir sozinho(a). Há também outro acesso ao local, com um restaurante e estacionamento. Conto em um próximo post.

Ainda a bordo do catamarã, a guia simpática desvenda a história das pontes, do circuito da poesia e dos monumentos históricos ao redor do Capibaribe, quase sempre esquecidos pelos recifenses. O antigo Bataclã, o primeiro hotel da cidade, a arquitetura das pontes, o colégio onde estudou Clarice Lispector e outros ícones, os monumentos históricos como o caranguejo da aurora e o tortura nunca mais, e terminamos avistando o infinito passando por trás do porto e sentindo o cheiro de mel de engenho e açúcar que Liliane definiu lindamente como "cheiro de Pernambuco", e eu amei.


De volta ao Marco Zero, você pode conferir a programação da Caixa Cultural, que tem exposições e apresentações de dança, teatro e exibições de filmes (consultar programação). Depois a boa é aproveitar a noite do Recife Antigo nos bares da rua da moeda, que inclusive melhorou bastante com o posto policial que foi reativado na área - ainda que persistam algumas inconveniências.

Minha avaliação: ✈✈✈✈✈

Uma dica: Fique de olho nos sites de compra coletiva e reserve logo o seu ticket quando tiver uma promoção para o roteiro.

CATAMARÃ VENEZA
Valor: R$35
Duração: 1h15

*Esse post foi "patrocinado" pelo amigo Zé Guilherme, que me deu os tickets de presente. :)

Assista ao vídeo:




Recife, 20 de agosto, 2013

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Esse Sul tão Nordeste...

Foto: Largo da Ordem, Curitiba - PR / Aline Souza (EE)
Por aqui também dizem "Curitiba é um ovo". E é estranho quando se percebe que, apesar do raio de distância, Recife (também um ovo, como nos empenhamos em dizer) é tão próxima de Curitiba quanto se possa imaginar. Um amigo curitibano conhece vários do meus no Recife (incrível!), e na aula o professor comenta sobre um jornalista paranaense - que gosto muito, inclusive -, e também mora no Recife.

No São Francisco, frequento um bar que toca uma seleção de músicas da terra e, numa das prateleiras, vejo engarrafada e raríssima uma Pitú (Procedência: Pernambuco!). E me lembro mais ainda da terra dos altos coqueiros quando chego no Largo da Ordem posso pedir um caldo-de-cana, comprar artesanato e ouvir muita música ao ar livre, e daí reparo na semelhança que aqueles casarões históricos têm com Oh, Linda! E, não fosse a ausência do mar, eu também poderia jurar estar na pracinha de Boa Viagem. Tapioca... E quem foi que disse que aqui não tem? Falta somente a manteiga de garrafa.

Nas tradicionais casas de família, um ar de provincianismo que há muito não me engana. De qualquer forma, de um cidadão que, antes de tudo, se orgulha da capital onde vive e a preserva (e aqui o ponto vai para Curitiba, porque sobre preservar o recifense ainda tem muito o que aprender). Um famoso circuito de igrejas, asfaltos, o abandono da cidade e a fuga para o litoral nos feriados e fins de semana - e no Recife não é diferente, mesmo com Candeias, Piedade e Boa Viagem tão perto. Só uma coisa não ocorre semelhante... obviamente, o clima. E, mesmo assim, ultimamente Curitiba tem sido tão ensolarada que fica quase difícil discordar desse único ponto.

''Apesar de'', eu gosto muito disso. Dessa mistureba, um Sul tão Nordeste e vice-versa. Uma aproximação suave e necessária. Quebra de barreiras. É... Curitiba tão Recife e Recife tão Curitiba. Pois, afinal, somos um só Brasil!

Março, 2013.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Guia prático e sentimental do carnaval de Pernambuco

*O título deste post foi totalmente inspirado no livro de Gilberto Freyre, Guia Prático, Histórico e Sentimental da Cidade do Recife, considerado o primeiro guia turístico da capital pernambucana.


Uma década de carnavais

Ai, ai... Saudades! Nem parece que já faz um ano. As memórias do Carnaval continuam bem vivas na minha mente, como se tivessem acontecido ontem. E em menos de uma semana, mais uma vez iremos às ruas festejar, dançar e cantar. Definitivamente, o período carnavalesco é uma das épocas do ano que mais encanta a mim e a boa parte dos brasileiros. É uma oportunidade de deixarmos nossas preocupações e problemas de lado, esquecermos a seriedade da vida e apenas nos divertir. E o Recife é um lugar perfeito para se vivenciar essa euforia.

Parando para pensar melhor, este ano estou completando uma década de Carnaval.  São 10 anos brincando pelas ladeiras de Olinda e entre os casarões e sobrados do Recife Antigo. Diante dessa data, resolvi selecionar alguns lugares que são legais para curtir o Carnaval em terras pernambucanas, que é considerado um dos melhores do Brasil.

O diferencial da festa de Momo em Pernambuco é que há diversas opções dentro da cidade, e boa parte delas é gratuita. Isso faz dos festejos locais um dos mais baratos do Brasil. Além disso, o Carnaval por aqui conserva a tradição do povo na rua, confraternizando e abusando da irreverência nas fantasias e no alto astral. Não é porque é minha terra natal, mas asseguro que você não vai resistir, se conhecer. Seja meu convidado e venha dar uma espiada. Garanto que vai dar gostinho de quero mais.

➲ Recife multicultural


Foto: Marco Zero / Aline Souza (EE)


O Carnaval na capital de Pernambuco se concentra majoritariamente no centro da cidade, especificamente no sítio histórico do município, na chamada Ilha do Recife. As antigas terras maurícias, que já fora território holandês, abriga casarões típicos da época e, durante o período carnavalesco, convivem lado a lado com vários polos de animação que prezam pelo multiculturalismo, formando uma festa que agrada todos os gêneros. As atrações, no geral, começam no início da tarde e entram pela noite e chegam até a madrugada.

O principal local onde acontece a festa é no Marco Zero do Recife, grande praça à beira mar que marca todas as distâncias no Estado. Ali, é armado um palco onde se apresentam as mais diferentes atrações: do frevo, ao manguebeat; do pop rock ao samba. Por ser o palco principal, apresenta geralmente artistas de renome nacional. Já passaram por lá Caetano Veloso, Maria Rita, Lulu Santos, Titãs, Alcione, Pitty, Crioulo, Elba Ramalho, Alceu Valença... A diversidade não para.

O lado ruim de o Marco Zero ser o principal palco é que sempre está bastante cheio. Contudo, coração do recifense sempre abre espaço para mais um, de forma que todos têm a chance de ver um pouco dos shows. Outro fato negativo é que não há pontos para comprar bebida por perto, nem banheiros públicos. Nesse último caso, não há muito a ser feito a não ser ir em busca dos banheiros químicos, que se situam a cerca de pelo menos 500 metros do Marco. Quanto às bebidas, pode ficar tranquilo, pois há sempre vendedores ambulantes passando na praça vendo água, cerveja e refrigerante. No entanto, o preço pode ser um pouco mais salgado do que o normal, em vista da comodidade.

Para quem não quer encarar a multidão e prefere algo mais tranquilo, em torno do Marco Zero há pequenos focos de folia que, apesar de pequenos, são grandes por natureza e sua animação não abre espaço para o marasmo. Confira as demais atrações e outras exceções:

● Praça do Arsenal: Ao lado do Arsenal da Marinha pernambucana, de frente ao emblemático observatório astronômico Torre Malakof e resquícios concretos da presença judaica no Recife, um animado ponto carnavalesco com palco de apresentações regionais, como blocos líricos de frevo e maracatus. A localidade é cheia de barracas com comidas típicas e bebidas, e algumas delas oferecem mesas e cadeiras para sentar.

Foto: Recife Antigo / Aline Souza (EE)


As ruas do entorno da praça também se transformam em palco com a chegada e partida de maracatus e orquestras de frevo que circulam o tempo todo. Diferente do Marco Zero, o som aqui preza pelo som regional, abrindo pouco espaço para diversidade. O principal corredor dos blocos são a Rua do Bom Jesus e a Rua da Guia, as quais também apresentam estrutura de banheiros químicos e alguns restaurantes, entre eles o bar “As Galerias”, conhecido pelo seu famoso maltado, um tipo de milk-shake de chocolate. O ambiente é bastante eclético, agradando desde famílias a grupos de amigos.

● Rua da Moeda: Aos pés da estátua da grande referência do manguebeat, Chico Science, se encontra o reduto oficial da boemia recifense, a Rua da Moeda e seus entornos. Na localidade, muitos bares lotados por gente jovem e descolada, como o Burburinho, famoso pelo pastel frito, feito na casa, e pelos eventuais shows de rock. Na Rua da Moeda mesmo, se destaca o Sushi Digital, que por vezes oferece música ao vivo. Ao fim da rua, geralmente um palco anima os foliões com um bom samba ou maracatu. A rua está bem localizada, próximo ao Shopping Paço Alfândega, espaço que serve para descansar um pouco, ir ao banheiro e encontrar os amigos para conversar.

Foto: Rua da Moeda / Milton Raulino (EE)


● Palco Recbeat: Do lado oposto à Rua da Moeda, por detrás do Paço Alfândega, à beira do Rio, está um dos points mais alternativos do Carnaval pernambucano. Com público eclético e sem preconceitos, localidade possui um palco com atrações multiculturais, contudo, menos pop. Por lá é que cantam novos rostos da cena musical, como Karina Buhr, Siba e Tulipa Ruiz. Também já apareceram por ali grandes nomes da música, como Odair José e Céu, além de atrações internacionais.

● Pátio de São Pedro: Mais distante do foco das atenções do Carnaval, o Pátio de São Pedro está localizado no coração do centro do Recife, no bairro de São José. Uma pequena pracinha entre casa antigas, de frente à igreja de São Pedro, acontecem muitos shows alternativos, com artistas nacionais e da terra. É um bom ponto para se conhecer bem as expressões artísticas de Pernambuco.

● Galo da Madrugada: Contrariando a maioria das atrações no Recife, a festa acontece durante o dia. Diante das alterações feitas ao longo dos anos, agremiação, que já foi eleita a maior do mundo pelo Guiness Book, começa por volta das 10h da manhã, no Forte das Cinco Pontes, e circula as principais ruas e avenidas do centro do Recife. Ao todo, em 2014, serão mais de 10 vias a serem contempladas pelo desfile, sendo a principal delas a Av. Dantas Barreto, reta final do desfile, que tem desfecho por volta das 15h.

Diante da multidão que o bloco move, é aconselhado não participar da festa na rua, visto que não há muita infraestrutura e segurança. Uma infinidade de camarotes oferece preços justos com estrutura com banheiro, bar, por vezes climatização e acesso a rua, para quem gosta de pular junto da multidão, mas sem abrir mão do conforto.

Na festa, desfilam trios elétricos com alegorias, passistas de frevo, orquestras e muitas atrações regionais. Também já passaram por lá artistas de outros gêneros, que sempre se rendem ao frevo e ao maracatu, como Wesley Safadão, banda Calypso, Carlinhos Brown, Gaby Amarantos, Fafá de Belém e muitos outros.

➲ Olinda, linda

Foto: Olinda / Aline Souza (EE)


Contrariando a multiculturalidade recifense, a cidade irmã da capital, Olinda, preza pelo respeito às expressões culturais regionais. A festa tem trilha sonora unicamente local, tocando frevo, maracatu, samba e gêneros próprios dos festejos carnavalescos. Além disso, a brincadeira acontece durante o dia, por volta das 9h e vai até altas horas da noite.

O palco dessa grande festa são as ladeiras do sítio histórico da parte antiga da cidade, eleita patrimônio cultural da humanidade. Em Olinda, não há polos específicos, se não que agremiações e blocos que desfilam pelas ruas arrastando multidões. Na localidade, não há camarotes, apenas casas de moradores locais, muitas vezes alugadas a grupos de amigos e turistas que desejam brincar o Carnaval na cidade.

Apesar disso, há banheiros químicos espalhados em pontos da cidade alta, além de barracas que vendem comidas e bebidas aos foliões. Fora isso, não há segredo. É preparar uma roupa leve, protetor solar e levar um dinheiro para consumir o que desejar. O som e a alegria são por conta da casa.

Na minha opinião, o carnaval em Olinda é mais gostoso do que no Recife. Além de ser no turno diurno, que dá mais energia para brincar, as pessoas entram realmente no clima da festa típica: se fantasiam mais, prezam pelas tradições de Pernambuco e privilegiam os ritmos regionais, formando assim uma festa única, cujo renome faz fama dentro e fora do Brasil.

➲ Confira alguns pontos legais para curtir o Carnaval em Olinda:


Foto: Quatro Cantos, Olinda / Milton Raulino (EE)

● Quatro Cantos: Cruzamento imortalizado em composição de Alceu Valença ferve durante o Carnaval. Trata-se da encruzilhada entre a Rua Prudente de Morais e a Rua de São Bento é ponto de passagem certo de muitos blocos, que, ao passarem na localidade, sempre ficam por ali um pouco mais em homenagem à fama dos Quatro Cantos.

Uma das quatro ruas do cruzamento dá acesso ao alto da Sé, ponto alto do sítio histórico de Olinda, que permite vista privilegiada do Recife. No entanto, o trajeto passa pela ladeira da Misericórdia, uma das mais íngremes da localidade. Aos corajosos que desejem subi-la depois de algumas cervejas, o consolo que os encontra acima é um local mais tranquilo para descansar, curtir a vista e comer uma boa tapioca.

Foto: Bodega de Véio, Olinda / Aline Souza (EE)


● Largo do Amparo: o largo em frente à Igreja de Guadalupe é famoso entre os moradores olindenses. Geralmente é ponto de concentração de muitos blocos, principalmente os grupos de maracatus e os famosos sambões, que desfilam levando os foliões ao delírio. É de lá que sai o Homem da Meia Noite, que desfila todo sábado de Carnaval à meia noite em ponto. O local também é ponto de largado do desfile dos famosos Bonecos Gigantes de Olinda, que, na terça-feira se despede dos foliões com uma agremiação que reúne dezenas de bonecos, de famosos a anônimos.

Todos esses blocos seguem por uma rua que tem o mesmo nome do largo. Se você passar pela Rua do Amparo, há boas opções de restaurantes e bares, como a Bodega de Véio, espécie de mercadinho local que é sucesso entre os foliões, seja com bebidas ou petiscos.

Foto: Rua São Bento, Olinda / Milton Raulino (EE)


● A Licoteria: Outro cruzamento importante do Carnaval olindense. Pontuado pelas Ruas de São Bento e 13 de Maio, também é ponto de passagem obrigatório dos blocos e que geralmente está bastante cheio de gente. O nome da localidade é tido por um bar famoso em uma de suas esquinas, cuja especialidade são os licores de variados sabores.

● Ribeira: No antigo mercado da Ribeira, no qual atualmente se vende artesanato típico de Olinda, durante o Carnaval, o espaço é lar para barracas de bebidas e comidas e encontro de foliões. No local, também há por vezes um pequeno palco com apresentações culturais de música regional, que divide as atenções com os blocos que desfilam na Rua de São Bento.

❝Se estiver de passagem por lá, não deixe de procurar a Sorveteria John’s, nas imediações. É uma opção boa para se refrescar ou tomar uma Sorvoska, uma espécie de milkshake com vodka. Recomendo!

● Pitombeira: Lar de um dos principais blocos de Olinda, localidade também oferece bom acesso às agremiações que desfilam no Carnaval. Uma boa área de sombra permite descanso e tomar alguns drinks nas barracas armadas no local. Descendo a Rua 27 de Janeiro, você chega ao pátio da Igreja de São Pedro, o qual abriga a famosa Creperia de Olinda. Uma opção boa para refeição ou lanche mais refinado.

● Rua 13 de maio: Reduto do público alternativo do Carnaval de Olinda, incluindo a turma LGBT. É passagem para muitos blocos irreverentes e a diversão é garantida. Em frente ao Museu de Arte Contemporânea (MAC), uma espécie de praça improvisada abriga banheiros públicos e barracas com opções de comidas e bebidas.

● Prefeitura de Olinda: situado no coração da Olinda Alta, a Prefeitura da cidade é um ponto marcante do Carnaval. O prédio e a área em volta está sempre bem decorada, com temas que são escolhidos anualmente. O local também é ponto de encontro de amigos e passagem obrigatória de muitas agremiações, apesar de muitas delas estarem já no final do trajeto.

➲ Para sobreviver e contar história
Foto: Alcides Cursino (Especial para o EE)



Como toda festa de rua, o folião está sujeito a problemas de força maior, seja ele causado pela natureza ou pelo próprio homem. É o preço que pagamos por ter uma festa pública e que é apreciada por muitas pessoas, com frequência de milhares de pessoas diariamente. Se você não quer traumas durante os quatro dias de folia e quer voltar ao Recife num outro ano, vão aí algumas dicas de quem já tem os pés calejados de subir e descer ladeira e de pular muito no Marco Zero:

● Calor: Em se tratando de Olinda, esse item ganha em disparada. Estamos no Nordeste, terra naturalmente quente. Imagine com o sol a pino, ao meio dia, em volta de milhares de pessoas? O calor é realmente estressante e pode ser agoniante. Por isso, para não perder sua festa, é bom seguir algumas recomendações:

→ Use roupas ou fantasias leves, que não lhe incomodem. Mais vale o seu conforto do que sair bem na fica e depois passar mal de calor;

→ O uso do protetor solar é obrigatório. Ninguém vai querer cultivar feridas na pele, nem ficar com aquele bronzeado feio, com marcas de óculos escuros ou de camiseta. Se previna!

→ Beba bastante líquido e se alimente. Se estiver ingerindo álcool, intercale com água mineral. E não deixe de fazer suas refeições. Sua festa vai render muito mais e você vai se livrar de uma desidratação ou insolação, que podem encurtar seu Carnaval.

● Multidão: Esse é o mau das festas públicas, de fato. Você não terá escapatória e terá que encará-la, se quiser conhecer o nosso Carnaval. No Recife Antigo, a área do Marco Zero é bastante disputada. Já em Olinda, não há ladeira que não tenha aperto. Mas sempre podemos dar um jeito de melhorar a situação. Aqui, as dicas são:

→ Brasileiros não são pontuais, logo a tendência é que todos cheguem mais tarde. Se você puder chegar cedo, vai aproveitar muitos mais os blocos e com muito mais espaço para se mover. Em Olinda, a partir do meio dia os lugares já começam a lotar. No Recife Antigo, o fim da tarde é mais tranquilo que a noite, apesar das melhores atrações serem mais tardes.

→ Ir atrás das troças e agremiações pode ser muito tentador, mas isso pode ser trabalhoso. O ideal é você escolher um lugar estratégico, numa sombra, sobre uma escadaria... Algum ponto confortável que você possa se estabelecer, tomar sua cerveja e ver o movimento e os blocos passarem.

→ Por mais que você se previna, vão chegar certas ocasiões que, sim, a multidão vai te empurrar, podem derrubar bebida em você, pisar no seu pé... A dica é só uma: relaxe. A Carnaval e ninguém está ali fazendo aquilo de propósito, todos querem se divertir, mas o espaço infelizmente é pouco. Entre no espírito da brincadeira e leve as coisas mais na esportivas. Você vai se estressar menos e não correrá o risco de brigar e perder a sua festa.

Foto: Blocos de rua / Aline Souza (EE)
● Brigas: Se insisto para você não brigar no Carnaval não é à toa, porque muitos foliões fazem isso. E não preciso nem dizer que são os maiores prejudicados, não é? São eles próprios. Isso quando não interferem na festa de terceiros. É fato que muitas pessoas não têm paciência e, depois de umas e outras caipirinhas, se tornam mais brigões. A dica novamente é ter a cabeça e ficar na sua em todas essas situações:

→ Não ouça provocações, nem discuta ou revide ameaças. Sorria, peça desculpas, faça uma brincadeira para descontrair. Se é Carnaval, não ligue se te levarem a sério. É perda de tempo, garanto. O mal entendido logo se desfaz e a festa segue. Ninguém vai querer ter razão durante Carnaval, não é mesmo? Deixe isso para os outros 361 dias do ano. É muito pouco tempo para perder.

→ De repente está tudo bem, mas uma briga estoura do seu lado. Parece que os esquentadinhos não leram o que você leu aqui. Pois bem, agora já é tarde, já está acontecendo. A lei então é se proteger. Mantenha-se longe do local para não sobrar para você e seus familiares ou amigos até que tudo se resolva ou a polícia interfira. Se preferir, pode mudar para um ambiente menos cheio e mais tranquilo. Vale sempre observar as pessoas da localidade e ver como elas se comportam. Fique onde se sentir mais seguro.

● Furtos/Roubos: É o grande problema das festas públicos, visto que o contingente policial nunca é suficiente para controlar os arruaceiros. Infelizmente são muitos os casos de roubo e assalto esta época do ano, e isso é difícil de se controlar, mas não é possível de se evitar. Confira:

→ Se é uma festa popular, não tem porque vestir o que há de melhor. Deixe seus relógios, correntes, pulseiras, anéis, brincos e outros objetos de valor para outras ocasiões. O que vale é a simplicidade para você curtir com segurança e sem ficar pensando que podem lhe roubar a qualquer hora.

→ Vale usar câmera fotográfica e celular, mas é preciso estar precavido. Minha recomendação é deixá-los em casa, mas se for necessário ou você quiser muito levá-los, não dê bobeira com esses utensílios em lugares estranhos, nem se exponha demais. Use com moderação. Fotografou, guardou logo em seguida; atendeu a ligação, não perde tempo e guarda logo. E lembre-se, NUNCA no bolso do short ou bermuda. Isso não é sinônimo de segurança. Guarde sempre em uma bolsa muito segura, a qual você possa estar sempre vigilante, ou você pode improvisar uma espécie de guarda volumes seguro no interior de sua roupa. O mesmo vale para seu dinheiro.

→ Evite caminhar só, e sim sempre em grupo. Sempre observe a frequência em volta para saber se está seguro para prosseguir por um caminho. Na dúvida, não vá. Procure sempre pelos locais mais movimentados.





 Milton Raulino
Jornalista graduado pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e fotógrafo formado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem e Ensino (Senac). Trabalha como assessor de imprensa, atendendo clientes institucionais e culturais. É membro do Entre Embarques desde 2012. Em@ail: milton@entreembarques.com
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