“A minha casa está onde está o meu coração”. A frase, tirada de uma canção, soa clichê para os que já se habituaram a ouvi-la, mas expressa exatamente o que senti quando desci do vagão três, na Estação Ferroviária de Morretes, e dei os primeiros passos naquela cidadezinha (e aqui vai um diminutivo carinhoso) do litoral do Paraná. Tenho um pouco disso por todo lugar que passo - paixão e apego. Mas quando me sinto em casa é porque há algo a mais, coisa especial, que preciso descobrir.
A Estação fica em frente à Praça Rocha Pombo, que é datada de 1885 e impressionantemente conservada. Senhorinhas nos abordam com uma variedade de guloseimas da terra – gengibre em cubinhos simpáticos, biscoitinhos de açúcar e outras balinhas. O gengibre é de lamber os dedos! Ah, e não prometa levar se não pretende cumprir a promessa.
Leia também: Vagão três;
Curitiba - Morretes: Viajando de trem pela Serra do Mar;
Curitiba: Batel, Santa felicidade e o querido Cancun Bar;
Curitiba: Sete graus;
Leia também: Vagão três;
Curitiba - Morretes: Viajando de trem pela Serra do Mar;
Curitiba: Batel, Santa felicidade e o querido Cancun Bar;
Curitiba: Sete graus;
Segundo o guia Fábio (leia post anterior), o clima em Morretes geralmente é quente e úmido, pois a cidade fica localizada entre pequenas elevações da Serra do Mar (por isso o nome Morretes). No inverno é comum garoa e um frio agradável. Cidade pequena em termos de habitantes, Morretes tem quase o dobro de Curitiba - 740km² de área - e faz parte do litoral paranaense, distante cerca de 68km da capital. De carro, moto ou ônibus, o viajante passa pela Estrada da Graciosa, considerada uma das mais belas do País. O caminho é sinuoso, cheio de curvas, por isso exige atenção no trajeto, mas a vista – a Estrada da Graciosa corta a Mata Atlântica – vale o cuidado e atenção.
Morretes é simples, mas não pense que simplicidade aqui se aplica a algo mediano. Para quem vive em meio a ônibus, carros e prédios a sensação é de ter se transportado para outra época – onde tudo continua intacto, onde nada mudou. Um lugar onde o silêncio e a natureza ainda são riquezas.
Os habitantes, já acostumados com a presença do turista, são simpáticos e hospitaleiros. Muitos vivem do turismo, vide a quantidade de pousadas charmosíssimas, restaurantes requintados e lojinhas de artesanato. Tudo de muito bom gosto, talhados em madeira e com alto acabamento feito pelos artesãos da região. Mas a alta produção de gengibre também é característica econômica da cidade (Morretes e Antonina são responsáveis por 87% da produção de gengibre do Estado), além da produção de aguardente (favorecida pelo clima), da banana, da mandioca, do milho etc.
Durante a ida, no trem, o guia mencionou o famoso sorvete de gengibre de Morretes (com tanta produção, prato com a raiz é o que não deve faltar). A dona da sorveteria me apresentou à guloseima e falou que se eu não gostasse não tinha problema. Provei e adorei. O único sabor (dos que eu pedi) que não gostei muito foi o de graviola. Que me desculpem os contrários, mas nenhum suco/sorvete de graviola se compara ao da minha terra!
Robin também me levou para conhecer a casa azul, hospedagem de D. Pedro II por um dia e, logo em frente, uma residência de pintura vermelha ele disse ter sido (novamente) locação da novela O Astro. Do outro lado da rua, a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Porto, toda reformada e (não fosse pelo clima da cidade) poderia lembrar as igrejas seculares de Olinda só que em melhores condições.
Apesar das muitas linhas, ainda não contei tudo sobre Morretes. Foi por um acaso, tentando me esconder da chuva, que descobri um tesouro. Mas isso eu conto no próximo post.
Por hora, eu penso que qualquer dia desses eu vou morar lá...





Quero saber, da história do tesouro....
ResponderExcluir