terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Visitando Montmartre, lar da boemia de Paris

Charmoso e boêmio. Assim poderia ser definido o bairro parisiense de Montmartre em uma descrição restrita a apenas duas palavras. Mas é fato que adjetivos não faltam para descrever a região do 18º arrondisement: aconchegante, romântico, nostálgico ou simplesmente lindo. Visitar esse bairro, que é extremamente turístico, é como dar um verdadeiro mergulho no tempo, vivenciando uma Paris idealizada, tal como a vemos nos filmes.

É claro que na realidade nem tudo são flores. Paris é uma cidade enorme, com problemas tal como todas as grandes cidades mundiais, mas Montmartre guarda um quê de passado, que encanta qualquer visitante. Com suas ruelas e casarios, o bairro tem muitas opções para compras, turismo e gastronomia. É uma região obrigatória para quem está de passagem pela Cidade-Luz.

Panorama de Montmartre, tirado na Place Dalida. (Foto: Milton Raulino / EE)

Montmartre fica numa região mais afastada do Centro, portanto é preciso pegar algum transporte para chegar até lá. Descendo na estação Blanche do metrô, na Boulevard de Clichy, nos deparamos logo com um dos famosos cabarets franceses: o Moulin Rouge. Lá acontecem espetáculos musicais no estilo cabaré, famosos na cidade e no mundo. Aquela área, chamada Pigalle, é muito conhecida pela movimentação noturna, abrigando há anos sex shops e casas de show erótico. É uma área mais ríspida, humilde e mal cuidada da cidade. Se não foi assistir nenhum espetáculo, recomendo uma passagem lá, mas nada muito demorado.

Para os que gostam de ir direto ao ponto, para chegar logo a Montmartre, recomendo descer na estação Abbesses. A região é a mais alta de Paris e se situa bem sobre uma colina; assim, prepare-se para subir as ladeiras em paralelepípedo, que já serão um convite para conhecer a localidade. Para não cansar, faça o passeio sem pressa, observando as lojas, os cafés e os casarios antigos. Há muitas coisas interessantes para se ver.

Le Moulin Rouge, um dos mais famosos cabarés de Paris (Foto: Milton Raulino / EE)

Na Rue des Abbesses, próxima à estação, já se encontra um dos principais monumentos da região, o Murs des Je T'aimes. Trata-se de uma grande parede com várias inscrições de amor em diferentes idiomas. Seguindo a rua sentido oeste chegamos a Rue Lepic - é lá que estão o Café des Deux Moulin, no qual foram filmadas cenas do filme "O Fabuloso Destino de Amélie Poulin", e o restaurante Moulin de la Galette. Vale lembrar que Montmartre, nos séculos XXVIII e XIX, era a região dos moinhos. O Moulin de la Galette é um dos poucos estabelecimentos que preservaram essa característica arquitetônica, o que por si só já se torna um atrativo.

Seguindo a rua, à leste, subiremos naturalmente o bairro até a região mais alta, que é a da Basílica do Sagrado Coração (Sacré Coeur). Na minha opinião é a igreja mais bonita de Paris e deve ser visitada de qualquer forma. É a principal atração do bairro e pode ser vista de quase toda a cidade, ao longe. Por isso, ao se aproximar dela, as ruas passarão a ter mais atrações, como restaurantes, bares, cafés e lojas diversas. É uma excelente opção para se comprar lembrancinhas em Paris, embora os preços não sejam os mais em conta.

Café Des Deux Moulins, em cena de Amélie Poulain (à esquerda), e o Moulin de la Galette (Foto: Milton Raulino / EE)

Antes de chegar à Sacré Coeur, há outros pontos que valem ser lembrados. Seguindo pela Lepic, chegaremos à Rue Norvins, que nos encaminha a Place du Tertre. É um dos lugares mais animados de Montmartre, mais conhecida como a praça dos artistas. Ali, a boemia corre solta; funcionam muitos ateliês e os artistas ficam na praça pintando quadros e fazendo caricaturas dos turistas. Pelos arredores muitos bares abertos e músicos arriscam no acordeão, dando a trilha sonora francesa perfeita para o passeio. Outros pontos interessantes do entorno é o Espaço Dalí, dedicado ao pintor surrealista Salvador Dalí, e o Museu de Montmartre, que honra o bairro com exposições interessantes.

Mais adiante chegamos à Sacre Coeur e, em frente as suas escadarias, temos a vista mais bonita da cidade. Cheguei a tempo de pegar um lindo por do sol. Como fazia bom tempo, muita gente lotava as escadas apenas para curtir a paisagem. Uma vez lá em cima, impossível não querer entrar no templo, que é muito bonito. Pode-se visitar a área comum gratuitamente; já o domo da catedral tem acesso pago pela lateral da basílica.

Boemia e agito noturno na Place du Tertre (Foto: Milton Raulino / EE)

E depois da jornada pelas ladeiras, nada melhor do que um jantar para reforçar as energias. Há muitas opções por ali, todas muito interessantes. Fica a seu gosto. Descendo as escadarias, chegamos à Funiculaire de Montmartre - uma espécie de trenzinho, usado para subir e descer da Sacré Coeur, para quem não tem pique para os degraus e ladeiras. Recomendo para quem tem pouco tempo ou tem dificuldades de locomoção.

O caminho da Funiculaire pode ser feito a pé por escadas. Essa é a principal região de chegada e saída da Sacré Coeur, com acesso direto à estação do metrô Anvers. É o trecho mais curto para se chegar à igreja, embora seja um dos mais íngremes. Por isso que recomendo uma subida mais leve, por ladeiras mais suaves. É possível curtir as atrações do bairro e subir a região sem nem notar. É mais divertido e menos cansativo.

Basílica do Sacré Coeur, no ponto mais alto da cidade, tem vista para boa parte de Paris (Foto: Milton Raulino / EE)

Para tomar esse caminho, recomendo bastante atenção, principalmente à noite. Por ser o principal acesso, há muitos turistas passando por ali e pessoas mal intencionadas tentando enrolá-los. Na saída, voltei pelas escadarias e fui abordado por dois rapazes que me intimidaram, tentando amarrar uma pulseira no meu braço. Já havia ouvido falar desse golpe, pelo qual eles tentam lhe cobrar pela bijuteria. Não caia na conversa deles! O segredo é seguir em frente e não dar atenção, principalmente se estiver sozinho, como eu estava.

Episódios como esse mostram como a boemia e as aventuras noturnas têm seus perigos, e requerem atenção dos curtidores, seja em que país for. Há muitos hotéis e albergues em Montmartre, e essas dicas valem também para quem se hospedar por ali. Se possível, evite sair à noite, chegar tarde demais e andar pelas ruas sozinho. De resto, basta ter atenção e curtir o melhor que o bairro pode lhe oferecer.

➲ SERVIÇO:
Basilique du Sacré Coeur
Rue du Chevalier de la Barre, nº 35, Paris - França
Aberta diariamente, das 6h às 22h30. Entrada Gratuita.
Acesso às torres: das 8h30 às 20h. (de maio a setembro), e das 9h às 17h (de outubro a abril).
Mais informações: http://www.sacre-coeur-montmartre.com/

Museu de Montmartre e os jardins de Renoir
Rue Cortot, nº 12, Paris - França
Aberto diariamente, das 10h às 18h. Valor para entrada comum: € 9,50.
Mais informações: http://www.museedemontmartre.fr/

Espace Dalí
Rue Poulbot, nº 11, Paris - França
Aberto diariamente, das 10h às 18h. Entre julho e agosto, fechamento às 20h. Tarifa comum: € 11,50.
Mais informações: http://daliparis.com/fr/

Cabaret Moulin Rouge
Boulevard de Clichy, n 82, Paris - França
Horário de visitação sujeito à programação da casa, disponível em: http://www.moulinrouge.fr/.

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Um comentário:

  1. Sou apaixonada por Montmartre!! Adorei o post! Amanda
    amandaqui.com

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