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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Visitando Montmartre, lar da boemia de Paris

Charmoso e boêmio. Assim poderia ser definido o bairro parisiense de Montmartre em uma descrição restrita a apenas duas palavras. Mas é fato que adjetivos não faltam para descrever a região do 18º arrondisement: aconchegante, romântico, nostálgico ou simplesmente lindo. Visitar esse bairro, que é extremamente turístico, é como dar um verdadeiro mergulho no tempo, vivenciando uma Paris idealizada, tal como a vemos nos filmes.

É claro que na realidade nem tudo são flores. Paris é uma cidade enorme, com problemas tal como todas as grandes cidades mundiais, mas Montmartre guarda um quê de passado, que encanta qualquer visitante. Com suas ruelas e casarios, o bairro tem muitas opções para compras, turismo e gastronomia. É uma região obrigatória para quem está de passagem pela Cidade-Luz.

Panorama de Montmartre, tirado na Place Dalida. (Foto: Milton Raulino / EE)

Montmartre fica numa região mais afastada do Centro, portanto é preciso pegar algum transporte para chegar até lá. Descendo na estação Blanche do metrô, na Boulevard de Clichy, nos deparamos logo com um dos famosos cabarets franceses: o Moulin Rouge. Lá acontecem espetáculos musicais no estilo cabaré, famosos na cidade e no mundo. Aquela área, chamada Pigalle, é muito conhecida pela movimentação noturna, abrigando há anos sex shops e casas de show erótico. É uma área mais ríspida, humilde e mal cuidada da cidade. Se não foi assistir nenhum espetáculo, recomendo uma passagem lá, mas nada muito demorado.

Para os que gostam de ir direto ao ponto, para chegar logo a Montmartre, recomendo descer na estação Abbesses. A região é a mais alta de Paris e se situa bem sobre uma colina; assim, prepare-se para subir as ladeiras em paralelepípedo, que já serão um convite para conhecer a localidade. Para não cansar, faça o passeio sem pressa, observando as lojas, os cafés e os casarios antigos. Há muitas coisas interessantes para se ver.

Le Moulin Rouge, um dos mais famosos cabarés de Paris (Foto: Milton Raulino / EE)

Na Rue des Abbesses, próxima à estação, já se encontra um dos principais monumentos da região, o Murs des Je T'aimes. Trata-se de uma grande parede com várias inscrições de amor em diferentes idiomas. Seguindo a rua sentido oeste chegamos a Rue Lepic - é lá que estão o Café des Deux Moulin, no qual foram filmadas cenas do filme "O Fabuloso Destino de Amélie Poulin", e o restaurante Moulin de la Galette. Vale lembrar que Montmartre, nos séculos XXVIII e XIX, era a região dos moinhos. O Moulin de la Galette é um dos poucos estabelecimentos que preservaram essa característica arquitetônica, o que por si só já se torna um atrativo.

Seguindo a rua, à leste, subiremos naturalmente o bairro até a região mais alta, que é a da Basílica do Sagrado Coração (Sacré Coeur). Na minha opinião é a igreja mais bonita de Paris e deve ser visitada de qualquer forma. É a principal atração do bairro e pode ser vista de quase toda a cidade, ao longe. Por isso, ao se aproximar dela, as ruas passarão a ter mais atrações, como restaurantes, bares, cafés e lojas diversas. É uma excelente opção para se comprar lembrancinhas em Paris, embora os preços não sejam os mais em conta.

Café Des Deux Moulins, em cena de Amélie Poulain (à esquerda), e o Moulin de la Galette (Foto: Milton Raulino / EE)

Antes de chegar à Sacré Coeur, há outros pontos que valem ser lembrados. Seguindo pela Lepic, chegaremos à Rue Norvins, que nos encaminha a Place du Tertre. É um dos lugares mais animados de Montmartre, mais conhecida como a praça dos artistas. Ali, a boemia corre solta; funcionam muitos ateliês e os artistas ficam na praça pintando quadros e fazendo caricaturas dos turistas. Pelos arredores muitos bares abertos e músicos arriscam no acordeão, dando a trilha sonora francesa perfeita para o passeio. Outros pontos interessantes do entorno é o Espaço Dalí, dedicado ao pintor surrealista Salvador Dalí, e o Museu de Montmartre, que honra o bairro com exposições interessantes.

Mais adiante chegamos à Sacre Coeur e, em frente as suas escadarias, temos a vista mais bonita da cidade. Cheguei a tempo de pegar um lindo por do sol. Como fazia bom tempo, muita gente lotava as escadas apenas para curtir a paisagem. Uma vez lá em cima, impossível não querer entrar no templo, que é muito bonito. Pode-se visitar a área comum gratuitamente; já o domo da catedral tem acesso pago pela lateral da basílica.

Boemia e agito noturno na Place du Tertre (Foto: Milton Raulino / EE)

E depois da jornada pelas ladeiras, nada melhor do que um jantar para reforçar as energias. Há muitas opções por ali, todas muito interessantes. Fica a seu gosto. Descendo as escadarias, chegamos à Funiculaire de Montmartre - uma espécie de trenzinho, usado para subir e descer da Sacré Coeur, para quem não tem pique para os degraus e ladeiras. Recomendo para quem tem pouco tempo ou tem dificuldades de locomoção.

O caminho da Funiculaire pode ser feito a pé por escadas. Essa é a principal região de chegada e saída da Sacré Coeur, com acesso direto à estação do metrô Anvers. É o trecho mais curto para se chegar à igreja, embora seja um dos mais íngremes. Por isso que recomendo uma subida mais leve, por ladeiras mais suaves. É possível curtir as atrações do bairro e subir a região sem nem notar. É mais divertido e menos cansativo.

Basílica do Sacré Coeur, no ponto mais alto da cidade, tem vista para boa parte de Paris (Foto: Milton Raulino / EE)

Para tomar esse caminho, recomendo bastante atenção, principalmente à noite. Por ser o principal acesso, há muitos turistas passando por ali e pessoas mal intencionadas tentando enrolá-los. Na saída, voltei pelas escadarias e fui abordado por dois rapazes que me intimidaram, tentando amarrar uma pulseira no meu braço. Já havia ouvido falar desse golpe, pelo qual eles tentam lhe cobrar pela bijuteria. Não caia na conversa deles! O segredo é seguir em frente e não dar atenção, principalmente se estiver sozinho, como eu estava.

Episódios como esse mostram como a boemia e as aventuras noturnas têm seus perigos, e requerem atenção dos curtidores, seja em que país for. Há muitos hotéis e albergues em Montmartre, e essas dicas valem também para quem se hospedar por ali. Se possível, evite sair à noite, chegar tarde demais e andar pelas ruas sozinho. De resto, basta ter atenção e curtir o melhor que o bairro pode lhe oferecer.

➲ SERVIÇO:
Basilique du Sacré Coeur
Rue du Chevalier de la Barre, nº 35, Paris - França
Aberta diariamente, das 6h às 22h30. Entrada Gratuita.
Acesso às torres: das 8h30 às 20h. (de maio a setembro), e das 9h às 17h (de outubro a abril).
Mais informações: http://www.sacre-coeur-montmartre.com/

Museu de Montmartre e os jardins de Renoir
Rue Cortot, nº 12, Paris - França
Aberto diariamente, das 10h às 18h. Valor para entrada comum: € 9,50.
Mais informações: http://www.museedemontmartre.fr/

Espace Dalí
Rue Poulbot, nº 11, Paris - França
Aberto diariamente, das 10h às 18h. Entre julho e agosto, fechamento às 20h. Tarifa comum: € 11,50.
Mais informações: http://daliparis.com/fr/

Cabaret Moulin Rouge
Boulevard de Clichy, n 82, Paris - França
Horário de visitação sujeito à programação da casa, disponível em: http://www.moulinrouge.fr/.

✈ Leia também:
Paris a pé: de Notre Dame ao Jardim de Luxemburgo
Torre Eiffel: dicas para visitar a vedete parisiense
Como é o passeio de barco no Rio Sena?

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Paris a pé: de Notre Dame ao Jardim de Luxemburgo

Paris é uma cidade fácil de se locomover. Apesar do seu sistema de transporte eficiente, a cidade é relativamente plana e, uma vez no Centro, os pontos turísticos não ficam tão distantes um do outro. Se o clima estiver bom, é possível então fazer quase tudo andando, observando cada ângulo e cena da cidade. Durante minha estadia, me locomovi muito de metrô e bastante a pé. Compartilho, em especial, um dos trechos que fiz caminhando e que mais curti.

Depois de Torre Eiffel e Arco do Triunfo, fui conhecer outra sumidade turística da França - a Catedral de Notre Dame. É, de fato, uma linda construção. Arquitetura impecável, imponente e totalmente preservada. Vale nem que seja para ficar na frente alguns minutos admirando a catedral.

Fachada da Catedral de Notre Dame 
(Foto: Milton Raulino / EE)

O interior então nem se fala. Como muitas igrejas parisienses que visitei, elas são enormes e muito classudas. A entrada é gratuita, e dentro é possível tirar fotos sem flash. No interior existem lojas de artigos religiosos, confessionário e até uma sala de tesouros onde se pode visitar as relíquias santas da Notre Dame. Os únicos passeios que são pagos são a visita às torres da catedral e à cripta arqueológica.

Fachada da Conciergerie e cúpula da Sainte Chapelle, à esquerda (Foto: Milton Raulino / EE)

A Notre Dame se situa na Île de la Cité, uma pequena ilha no Sena, rio que divide a cidade ao meio. Nela e em torno dela se encontram muitos monumentos franceses importantes. Entre os destaques, recomendo uma visita à Conciergerie, antigo palácio que já foi sede do governo francês na Idade Média, prisão na Era Absolutista e hoje abriga o Palácio da Justiça de Paris. 

A Conciergerie tem um tour interessante por pequenas e antigas salas que, no passado, serviram de celas para prisioneiros. É possível se sentir numa verdadeira prisão, com os espaços remontados como eram na Idade Moderna. Um dos destaques do local é a cela da rainha Maria Antonieta, que ficou presa ali até ser encaminhada para morrer na guilhotina, em 1793. Além disso, há exposições itinerantes de renome, como a que foi feita em homenagem ao 800º aniversário de vida de São Luís, um dos reis mais importantes da França.

O conjunto arquitetônico ainda reserva mais surpresas. A Sainte Chapelle - Santa Capela em português - foi construída ali pelo rei Luís XI (São Luís) para abrigar as relíquias sagradas que foram capturadas no Oriente Médio durante as Cruzadas da Idade Média. Trata-se de uma pequena capela, divida em parte alta e baixa, e com vitrais deslumbrantes. Além de encher os olhos, é história pura!
Vitrais da Sainte Chapelle (Foto: Milton Raulino / EE)

De lá, dediquei minha tarde a explorar a cidade. Caminhei sentido sul e cheguei até Saint Germain, um bairro bonito e bem agradável. Na chegada pela ponte Saint Michel, uma linda fonte de São Miguel Arcanjo, construída a mando de Napoleão, atrai as atenções. Na beirada do Sena, sebos em barraquinhas nos fazem viajar no tempo vendendo livros e discos antigos, relíquias e lembrancinhas.

Sebos vendem relíquias francesas antigas ao longo do Sena (Foto: Milton Raulino / EE)

É nesses arredores que fica a famosa Universidade de Sorbonne, uma das importantes do mundo. Saint Germain, portanto, é um bairro jovem e animado. Há, pela região, muitos sebos, restaurantes e bares charmosos. Vale um passeio demorado para fazer uma refeição, apreciar o movimento e os prédios da universidade. Também ficam por ali, embora mais afastadas, lindas igrejas como as de Saint Germain de Près e Saint Sulpice, e o Quartier Latin, bairro conhecido principalmente pela Rue Mouffetard, onde tem um mercado a céu aberto bem interessante.

O jovem e animado bairro de Saint Germain (Foto: Milton Raulino / EE)

Gostei tanto desse roteiro que o fiz duas vezes, cada uma em cerca de três horas. Em ambas, terminei a tarde em um dos parques mais charmosos de Paris, o Jardin de Luxembourg - Jardim de Luxemburgo. Mesmo no outono, quando não está tão florido, o jardim tem vasta área verde, com muitos canteiros e árvores bem preparados. É mesmo muito agradável passar algumas horas curtindo a natureza, principalmente fim de tarde, quando há um belo pôr do sol.

Uma tarde cinza no Jardim de Luxemburgo (Foto: Milton Raulino / EE)

Recomendo também visitar, no jardim, o Museu de Luxemburgo, que tem muitas boas exposições. Quando estive lá, me deliciei com uma mostra interessante sobre impressionismo, estilo de pintura que me encanta. Ver obras de Renoir e Manet ao vivo, então, foram de tirar o fôlego. Não poderia ter terminado meu dia de forma melhor!

➲ SERVIÇO:
Catedral de Notre Dame de Paris
Parvis Notre Dame, nº 6, Place Jean Paul II, Île de la Cité - Paris, França.
Aberta diariamente, das 8h às 18h45; nos sábado e domingos, até as 19h15.
Entrada gratuita. Mais informações: http://www.notredamedeparis.fr/
Informações sobre acesso às torres da igreja: http://notre-dame-de-paris.monuments-nationaux.fr/
Informações sobre acesso à cripta arqueológica: http://www.crypte.paris.fr/
Como chegar: Estação Cité (Linha 4) do metrô.

Palácio da Conciergerie e Sainte Chapelle
Boulevard du Palais, nº 2, Île de la Cité - Paris, França
Aberto diariamente, das 9h30 às 18h30
Acesso à Sainte Chapelle: de 9h30 às 18h (março-outubro) e das 9h às 17h (novembro-fevereiro)
Ingresso simples para adulto: € 8,50; ingresso Conciergerie + Saint Chapelle: €12,50.
Mais informações: http://conciergerie.monuments-nationaux.fr/
Informações sobre a Sainte Chapelle: http://sainte-chapelle.monuments-nationaux.fr/
Como chegar: Estação Cité (Linha 4) do metrô.

Jardim de Luxemburgo
Jardin de Luxembourg, S/N, Paris, França
Aberto diariamente. Entrada gratuita.
Horários: em função da duração do dia ao longo do ano, variando das 7h30 às 21h30 (alto verão) a das 8h15 às 16h30 (alto inverno).
Horários detalhados e outras informações: http://www.senat.fr/visite/jardin/
Como chegar: Estações Odéon (Linhas 4 e 10) ou Mabillon (Linha 10) do metrô.
Informações sobre o Museu de Luxemburgo: http://museeduluxembourg.fr/

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Arco do Triunfo e Jardim das Tulherias: primeiras aventuras em Paris
Torre Eiffel: dicas para visitar a vedete parisiense
Como é o passeio de barco no Rio Sena?

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Como é o passeio de barco no Rio Sena?

Como bem disse o nobre poeta português Fernando Pessoa, "navegar é preciso". Deve ser por isso que uma das atrações turísticas obrigatórias das cidades europeias é o passeio de barco pelos rios que as cortam. Em Paris, é possível navegar ao longo do Sena de várias formas, conhecendo a capital francesa por um ângulo diferente e observando mais de perto alguns edifícios e, principalmente, as pontes parisienses.

Embarquei no passeio no meu terceiro dia de estadia na Cidade Luz. Desci na praça do Trocadéro, passei pelos jardins do Palais de Chaillot e, ao atravessar a ponte de Iéna, já podia ver as estações de barco no cais da margem oposta, perto da Torre Eiffel. Depois de uma voltinha breve pela região, fui ao cais para tomar um barco e apreciar um pouco a beleza da cidade e do Rio Sena.

Port de la Bourdonnais: ponto de partida de muitos cruzeiros no Sena (Foto: Milton Raulino / EE)

O acesso ao passeio é simples, prático e sem mistérios. Há muitas companhias de barco no local, todas muito organizadas e com muitos frequentadores. Os ingressos podem ser comprados nos guichês disponíveis no próprio cais; após comprar, basta entrar na fila e esperar para embarcar. Optei pela Croisières Bateaux Parisiens, companhia que minha irmã havia indicado e a qual também indico aqui.

Gostei muito do passeio. Os barcos atracam numa espécie de estação, que tem lanchonete e lojas de lembranças para entreter os turistas. Em geral, percebi que os preços das companhias são mais ou menos equivalentes, havendo diferenças mínimas. Todas oferecem várias opções de bilhetes: individuais, para grupos, crianças, e por aí vai.

Há opções de tickets para passeios sem interrupções ou na modalidade hop on, hop off, na qual é possível descer em algumas estações de sua preferência ao longo do caminho e retornar ao barco para completar o passeio (o mesmo sistema utilizado nos ônibus turísticos). Existem também outras modalidades, como passeios com direito a jantar ou com café da manhã, para quem quer algo mais romântico e demorado. Optei por um passeio simples, ininterrupto, que durou mais ou menos uma hora e pelo qual paguei um valor que achei justo, 14 euros.

Catamarã passando sob a "ponte dos cadeados", a Pont des Arts (Foto: Milton Raulino /EE)

O barco, no estilo catamarã, era muito confortável e agradável. Havia poltronas por toda parte, possibilitando aproveitar o passeio de muitos ângulos diferentes. Todas as cadeiras possuem um fone de ouvido - que mais parecia um telefone - no qual são veiculadas informações turísticas do passeio em sete idiomas diferentes (infelizmente não tinha português). Nos intervalos das locuções, canções francesas compunham a trilha sonora que embalava a nossa viagem.

Passamos por todas as principais pontes de Paris: entre as mais bonitas, a Pont des Arts - aquela, a dos cadeados apaixonados  - e a Ponte Alexandre III - com entalhes pretos e dourados. Também temos uma vista privilegiada de monumentos históricos, como: a Assembleia Nacional, a antiga Estação d'Orsay - que hoje abriga o Museu D'Orsay, um dos mais importantes de Paris - e a Catedral de Notre Dame. Depois de passarmos dela, o barco retorna pelo mesmo percurso, de forma que temos uma vista do outro lado da margem.

Uma linda tarde de sol no outono de Paris, navegando no Sena (Foto: Milton Raulino / EE)

Sem dúvidas, o Sena é muito gostoso de se aproveitar, principalmente numa tarde de sol, como aquela. Na beira dos cais, muitas pessoas sentadas à beira do rio conversando, passeando e aproveitando o dia ensolarado. Muitas acenavam quando o barco passava. É um passeio simples mas muito agradável, tanto que me parece que não são só os turistas que o apreciem.

Durante o passa-passa entre uma foto e outra, fiz amizade com uma simpática senhora francesa que estava levando os netos para passear. Ela disse que sempre faz isso quando faz sol, para aproveitar o clima quente e, também, porque acha importante os netos conhecerem desde pequenos os monumentos nacionais e a história da França. Achei incrível, pois é uma cultura muito diferente da América, a qual não estamos acostumados. Aproveitamos o breve momento de conversa para praticar o idioma - ela o inglês e eu, o francês - e para tirarmos fotos um para o outro. 

Eu e a catedral de Notre Dame (Foto: Minha breve amiga francesa / Especial para o EE)

Em todas as cidades por que passei havia possibilidade de passeio de barco: no Sena, em Paris; no Tâmisa, em Londres; pelos canais de Amsterdã; no Spree, em Berlim; e no Reno, em Colônia. Contudo, só cheguei a passear mesmo pelo Sena, visto que a Cidade-Luz era a que eu tinha mais tempo de estadia. Não importa em qual delas, não deixe de reservar pelo menos um dia para navegar e curtir as belezas europeias numa experiência única como essa. Você não vai se arrepender.

➲ SERVIÇO:
Cruzeiros Bateaux Parisiens
Port de la Bourdonnais, Quai Branly, Paris - França (Cais da Torre Eiffel, ao pé da Ponte de Iéna)
Como chegar: Estação Trocadéro (Linhas 6 e 9 do Metrô)
Informações sobre passeios: http://www.bateauxparisiens.com/

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Torre Eiffel: dicas para visitar a vedete parisiense
Paris a pé: de Notre Dame ao Jardim de Luxemburgo
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Torre Eiffel: dicas para visitar a vedete parisiense

Depois de quase um dia e meio em Paris, já familiarizado com o movimento local, me sentia preparado o suficiente para visitar o principal cartão-postal da Cidade-Luz: a Torre Eiffel. O monumento símbolo da França é um dos mais disputados para visitação. Sem dúvidas é a atração queridinha de todos os turistas, por isso é preciso paciência e disposição para curtir este passeio. 

Decidi não visitá-la logo a princípio, tentando bolar uma estratégia de deixar o melhor para o fim. Era uma manhã ensolarada quando desci de metrô no Trocadéro e já me senti impactado quando vi a cena. Os jardins do palácio formavam uma cena incrível com as margens do Sena, a Torre e aquele imenso céu azul. Apesar da animação, não me apressei em subir; resolvi contemplar o monumento do chão, andar pelo Campo de Marte, pelos arredores.

Após um dia de andanças, voltei à noite para ver a Eiffel iluminada. Um espetáculo! Tal com de dia, muita gente se aglomerava nas filas para subir e ver a cidade do alto. A torre é incrivelmente grande - mais do que eu imaginava - e bonita. Sem dúvidas, é um ponto de parada obrigatório para quem está pela primeira vez em Paris.

A Torre Eiffel de dia e à noite, vista do Palais de Chaillot, no Trocadéro (Fotos: Milton Raulino / EE)

Decidi encará-la no dia seguinte, pela manhã, pois durante o dia é melhor de se ver a cidade. Acordei o mais cedo que pude dentro da minha condição de disposição de mochileiro. Cheguei às 9h50, apenas vinte minutos depois de abrir os portões e, para meu governo, não tive surpresas: já havia filas. Bem menores do que durante a tarde e à noite, mas havia. Escolhi a menor, porque não pretendia ficar o dia todo lá, e desejei-me boa sorte.

A torre possui quatro pés, todos eles com acesso para subir. Nos dias que estive lá, apenas três estavam funcionando, duas com elevador e uma com escadarias. Como não estava disposto a passar o dia inteiro lá, escolhi a fila que estava menor, que era a para as escadas. Após esperar cerca de meia hora, comecei a subida. Fazer o percurso a pé tem lá suas vantagens: a espera na fila é menor, o ingresso é mais barato (paguei 5 euros) e, ao longo do caminho, há patamares com placas contando a história da criação do monumento e de seu criador. Não é tão mau negócio assim. 


Filas e mais filas. Vai encarar? (Fotos: Milton Raulino / EE)

No primeiro andar da torre temos uma grande área na qual se pode contemplar a vista, que é linda. O local passou por reformas e recentemente inaugurou novas instalações, como uma espécie de museu, mostrando em números a grandiosidade da Torre e de outros monumentos do mundo, e um piso de vidro onde os turistas têm a impressão de flutuar sobre o chão lá embaixo.

O meu ticket dava acesso a subir até o segundo andar da torre, Após mais escadas, cheguei até ele. O espaço é mais reduzido e mais disputado; o visual é tão lindo quanto. Falando em estrutura, enquanto o primeiro andar é maior e tem grades de proteção em toda sua extensão, o segundo possui uma espécie de sacada que lhe permite ver a vista sem obstáculos. Exceto pelas muitas pessoas querendo tirar foto e apreciar a vista.


Campo de Marte (à direita) e Paris vistos do primeiro andar da Torre (Foto: Milton Raulino / EE)

Em lugares assim apertados e cheios é onde também moram alguns perigos. Felizmente ou não, Paris é uma cidade conhecida e apreciada no mundo todo, atraindo pessoas de todas as partes. Devido a isso, é comum haver furtos em regiões turísticas muito lotadas. A dica é manter seus pertences muito bem guardados, próximos ao corpo, e ao alcance da vista. Mesmo assim, por pouco não fui uma vítima. Enquanto tentava tirar fotos no rebuliço de gente indo, vindo e esbarrando em mim, abriram minha bolsa. Sorte que percebi a movimentação antes que tivessem levado algo.

É  uma pena, mas fatos assim são comuns onde há muitos turistas. Os batedores de carteira estão em busca de pessoas distraídas; basta ficar atento e tudo dará certo. O bom é tomar cuidado em toda a região da Torre. No térreo, há sempre pessoas lhe abordando pedindo para assinar petições ou querendo pregar truques. Recomendo nem mesmo interagir com essas pessoas; mantenha seus pertences junto a você, seguros, e siga seu trajeto sem dar atenção.

Devido ao episódio, dei por encerrada minha jornada no segundo patamar. Era possível subir até o topo da torre, o terceiro e último andar. Mas para isso, teria que comprar outro ticket e encarar mais duas filas, uma para comprar e outra para subir. No fim das contas, seria a mesma vista de outro ângulo. Dei preferência então a economizar no tempo para outras atividades.

Área do Palais de Chaillot (ao centro) e o Rio Sena vistos do segundo andar da Torre. (Foto: Milton Raulino / EE)

Antes ou depois de descer, não deixe de ir ao Campo de Marte, que é uma área bonita para se sentar na grama, fazer um lanche e apreciar a Torre. Caso vá retornar de metrô, a região do Trocadéro também é interessante para um passeio mais atento. O edifício do Palais de Chaillot abriga o Museu Nacional da Marinha e um ambiente dedicado à arquitetura e ao patrimônio urbanístico de Paris. Em volta da praça Trocadéro, muitos restaurantes e bares charmosos são um convite para um jantar ou almoço na localidade.

Achei o passeio na Eiffel bem bacana, mas nada exatamente extraordinário. É um bonito monumento que, apesar de proporcionar uma bela vista, acredito que seja mais bonito de ser admirado ao longe. É a mesma opinião que tenho sobre o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro: particularmente, gosto mais de observá-lo do que estar lá no alto. Mas isso vai de cada um, é claro. Mas, independentemente disso, a Torre Eiffel é incrível, e por isso é e será sempre a vedete do turismo preferida da França.

➲ SERVIÇO:
Torre Eiffel
Avenue Anatole France, nº 5, Paris, França
Aberta todos os dias. De junho a setembro, das 9h à 0h. No restante do ano, das 9h30 às 23h.
Como chegar: Estação Trocadéro (Linhas 6 e 9 do Metrô)
Website: http://www.toureiffel.paris/

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Arco do Triunfo e Jardim das Tulherias: primeiras aventuras em Paris


 Rio Sena à noite, em Paris. (Foto: Milton Raulino / EE) 

Para mim, estar na França era um mito; uma mistura de realização pessoal com sonho de consumo. Não sei como explicar, mas, desde os 19 anos, me aventuro pela cultura francesa, graças à santa Internet: paisagens, linguagens, música, gastronomia... Tudo ali me encantava. Resolvi, portanto, que, na minha primeira viagem à Europa, Paris seria o destino certeiro – E foi. Fiquei cinco dias na capital da França, estadia que, apesar de curta, me fez sair do platonismo e aprender a gostar de Paris tal como ela é, com suas qualidades e defeitos.

Cheguei à Cidade-Luz depois de 9 horas de avião e 3 de trem, já de noite. Tratei de chegar logo ao hostel para fazer check-in e cair na rua para ver a cidade cintilar. Jantei um crepe no bairro Le Marais, conhecido por ser um bairro jovem, de vida noturna animada, e caminhei um pouco para ver o movimento. Neste passeio, tive o primeiro contato com os monumentos da capital. Por toda parte, construções baixas e de arquitetura antiga totalmente preservadas denunciavam que a história está imortalizada. Por instantes, eu também podia fazer parte daquilo que, pra mim, só era concreto nos livros.

Ópera Garnier de Paris (à esquerda) e fachada do Teatro Olympia (Fotos: Milton Raulino / EE)

Passei pelo Hôtel de Ville – edifício que abriga a prefeitura de Paris, na frente do qual acontecia um protesto. Apesar do ambiente hostil, muitas pessoas caminhando e aproveitando a noite, que estava estrelada e agradável. Um frio sereno embalava a noite. Caminhei ao longo do Sena, passei pela Pont des Arts – a famosa ponte dos cadeados – e cheguei ao suntuoso Louvre. Ao longe, se via o topo da Torre Eiffel brilhando.

No dia seguinte, resolvi explorar melhor a região com o dia claro. Comecei pela linda região da Ópera Garnier, prédio da Academia Nacional de Música. Passei pelo famoso teatro Olympia – music hall de renome - e pela Place Vendôme até chegar ao Jardin des Tuileries. Fazia sol e muitas pessoas estavam aproveitando o dia ao ar livre: fazendo cooper, relaxando nas cadeiras à beira dos pequenos lagos e fontes do jardim, ou apenas passeando. É engraçado notar que, nos países onde há estações bem definidas, as pessoas dão muito valor ao sol e fazem questão de aproveitá-lo quando os dias frios estão por vir. Afinal, como as árvores já anunciavam, o outono havia chegado.

Cenas de uma tarde de sol no Jardin des Tuileries (Fotos: Milton Raulino / EE)

A região é bastante agradável e vale passeio lento, sem pressa. De uma ponta, tem-se acesso ao pátio do Louvre; do outro, o Obelisco, na Place de la Concorde, dá início à Champs-Elysées. Depois de explorar o parque, andei por toda a extensão da avenida, passando por dois museus importantes, o Grand e o Petit Palais, até chegar ao meu objetivo do dia: visitar o Arco do Triunfo, um dos dois principais ícones da França.

A entrada é fácil, através de um túnel por debaixo da larga rotatória de veículos que circunda o monumento. Essa é a única forma de atravessar, já que não há semáforos no local. No próprio túnel, uma movimentação já indica os guichês de compra do bilhete, pelo qual paguei € 9,50. Esse é o ticket para um adulto, mas tarifas diferentes para estudantes e grupos, por exemplo.

O Arco do Triunfo, símbolo francês da vitória (Foto: Milton Raulino / EE)

Na realidade, o acesso à praça Charles de Gaulle, onde fica o Arco, é gratuita. Pode-se observar os ricos entalhes de perto sem pagar nada. Em volta do monumento, que é o símbolo da vitória para os franceses, há placas que homenageiam a participação da França em guerras, combates e episódios históricos que marcaram o país.

O ingresso só é necessário para quem quer subir no Arco. É aí que se precisa de disposição para encarar alguns (vários) degraus. No caminho, há um pavimento com uma pequena galeria contando a história do monumento, mas a verdadeira recompensa está no topo, ao ar livre. De lá, tem-se uma linda vista da cidade em 360 graus. Vale o esforço em cada degrau.

E quem disse que eu queria ir embora? Fiquei durante muito tempo admirando aquela linda tarde de sol parisiense. Ali, meu sonho se realizava; me sentia abençoado, grato, e meu coração batia feliz. Até podia ouvir, na minha mente, Edith Piaf cantando a canção Sous le Ciel de Paris (Sob o Céu de Paris). Foi inesquecível. Que maravilha era estar sob aquele céu!
Sob o céu de Paris! (Foto: Milton Raulino / EE)

➲ SERVIÇO:
Arco do Triunfo
Praça Charles de Gaulle, S/N, Paris - França
Aberto todos os dias: de abril a setembro, das 10h às 23h; de outubro a março, 10h às 22h30.
Como chegar: Estação de metrô Charles de Gaulle-Étoile (Linha 1 - Amarela)

Jardin des Tuileries (Jardim das Tulherias)
Rue de Rivoli, 113, Paris - França
Aberto regularmente de março a maio, das 7h às 21h; de junho a agosto, das 7h às 23h; no mês de setembro, das 7h às 21h; de outubro a abril, das 7h30 às 19h30.
Como chegar: Estação de metrô Tuileries (Linha 1 - Amarela)
Entrada Gratuita.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Uma manhã na pequena grande Frankfurt

Primeiro contato com a Europa: Frankfurt, Alemanha (Foto: Milton Raulino / EE)

Após nove horas no voo, chego a Frankfurt. A cidade alemã foi o ponto de partida da minha aventura entre outubro e novembro de 2014, que englobou Paris, Londres, Amsterdã, Berlim, Colônia e Aachen (estas últimas cidades também alemãs, onde encontraria amigos brasileiros que estão morando pelas bandas de lá). A estadia de apenas uma manhã na cidade, antes de pegar um trem para Paris, me encantou e deixou um gostinho de quero mais.  

Frankfurt é uma pequena grande cidade. Trata-se de uma cosmopolita em tamanho ínfimo, se comparada às cidades desenvolvidas da Europa. Ela abriga um grande centro econômico-financeiro e um dos aeroportos mais movimentados do continente, recebendo voos de todo mundo. Devido a esse fluxo intenso, muitas pessoas, como eu, têm períodos curtos de estadia em Frankfurt e se perguntam: será que há atrações interessantes para se conhecer nesta cidade?

A resposta é sim. Se você dispor de ao menos um turno inteiro, cerca de cinco horas, em Frankfurt, é possível dar uma volta e conhecer coisas bem legais na cidade. Cheguei lá bem cedo, já com um bilhete de trem para Paris, com embarque no começo da tarde. Guardei minha mala na estação de trem e fui passear. A volta me encantou e me proporcionou o primeiro contato com a cultura europeia.

Apesar do movimento, a cidade é silenciosa, tranquila é agradável. Ela congrega bem o moderno e antigo: de um lado, arranha-céus envidraçados, sedes do Euro; mais algumas ruas adiante, edifícios históricos formam a Altstadt, a região antiga da cidade. Casas típicas da arquitetura alemã e igrejas compõem um lindo visual que pode ser percorrido todo a pé.   

Imagens da Altstadt, centro antigo de Frankfurt (Fotos: Milton Raulino / EE)

Me chamou atenção também o grande calçadão Zeil, onde se concentra o comércio local. Muitas lojas de vestuário, calçados, perfumes, maquiagem, restaurantes, lanchonetes, lembrancinhas... Tem de tudo um pouco. O shopping center MyZeil rouba a cena local com seu design moderno e arrojado: a fachada do centro de compras é toda feita de vidro trabalhado, o que forma uma arquitetura bem interessante. Sem dúvidas é uma opção válida para se comprar ou ver as novidades.

A região do Zeil é bem agradável, tem muitas árvores, bancos e bicicletas. Também havia muitos locais para comer e beber ao ar livre – são os chamados biergarten ou, em bom português, jardim da cerveja. É o local onde o pessoal se reúne para conversar, beber uma cerveja e se distrair em meio à loucura da rotina. Os biergaten de verdade são em locais mais arborizados, o que traz as pessoas mais pra perto da natureza. Mas também há alguns dentro da cidade. A manhã daquela quarta-feira, 29 de outubro, estava fria e, em horário comercial, não havia muita gente desfrutando das mesinhas, exceto eu e algumas poucas pessoas.

Cena do calçadão Zeil (à esquerda) e fachada do shopping MyZeil (Fotos: Milton Raulino)

A cidade ainda oferece mais opções turísticas. O zoológico de Frankfurt, por exemplo, é bem falado e avaliado por quem o conhece. Há também museus, como a casa em que nasceu o escritor Goethe. Para quem tem mais tempo pode ainda embarcar num ônibus turístico para dar uma volta rápida na cidade e ver as atrações e monumentos com a orientação de guias turísticos.

Se você tiver estiver de passagem por Frankfurt, não deixe de circular e ver um pouco dela. Mas a lembre-se que a cidade é pequena. Dois dias são o suficiente para passear por lá. Para mim, o tempo passou voando. Quando vi, já era hora de voltar à estação para encontrar e pegar meu trem. Apesar de breve, o passeio valeu a pena. Obrigado pela companhia, Frankfurt, nos encontramos mais noutra oportunidade. Agora, Paris me aguarda!

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Rio de Janeiro: passeio no centro com guia turístico de graça

FREE WALKER TOURS

Por *Milton Raulino
miltonraulino@yahoo.com.br
Especial para o Entre Embarques 




Já pensou em contar com um guia turístico experiente e confiável para lhe levar para conhecer as atrações de uma cidade? A ideia parece atraente, em tese, mas quando imaginamos o valor de um serviço desses, logo preferimos apelar para o GPS ou para guias da internet. Mas e se disser que você pode pagar o quanto você quiser pelo tour? Ou melhor, e se lhe disser que o tour é gratuito? A velha mentalidade do brasileiro vai dizer que a esmola é grande, logo o santo desconfia. Mas essa é uma exceção das grandes, a qual vale a pena conhecer.

Free Walker Tours é uma empresa que oferece guia turístico no centro do Rio de Janeiro. Isso mesmo, sem custo algum. O projeto trabalha totalmente através de gorjetas, podendo você próprio optar pelo valor que você acha que o trabalho mereceu. Como o nome sugere, o tour promove três horas de caminhada pelos prédios históricos e pontos importantes no centro da cidade, com um guia capacitado explicando toda a história do local.

Parece um verdadeiro negócio da China, mas que dá certo. O grupo trabalha de segunda a sábado, e é voltado especialmente para estrangeiros. Por isso, o tour só é feito em português nas quartas e nos sábados. Nos demais dias, o passeio é narrado totalmente em inglês. É uma experiência interessante para praticar o idioma, além de conhecer pessoas de outros países.

➲ Como participar?

O ponto de encontro é o relógio do Largo da Carioca, às 10h30. Para chegar, basta tomar um metrô de onde você estiver e descer na estação Carioca. O relógio estará numa pequena praça, ao tomar a esquerda após sair da estação. Em caso de dúvida, qualquer pessoa da rua saberá dizer onde fica o Largo, pois é bastante conhecido.



Como se lê nos folhetos do Free Walker Tours, ou mesmo no site do grupo, o tour “é gratuito, então não tem desculpa. Faça chuva ou faça sol, o passeio acontece”. E é realmente assim que funciona, sem precisar fazer reservas ou telefonar para confirmar. Cerca de 15 minutos antes da hora marcada, um guia vestido com uma camisa vermelha, personalizada com a marca do programa, chega ao local, se identifica e começa a reunir o grupo e aguardar que os últimos membros cheguem para iniciar.

❝Seguimos num grupo de 40 pessoas, dos quais éramos apenas oito brasileiros. Eu, seis amigos e a guia, uma jovem moça de Londrina, no Paraná, com um inglês para lá de desenrolado e muito bom humor e simpatia.

Até 13h30, caminhamos por 12 pontos turísticos do centro do Rio: Igreja de Santo Antônio, Confeitaria Colombo, Rua do Ouvidor, Travessa do Comércio (onde se vê a casa em que morou Carmem Miranda), Praça XV, Palácio Imperial, Palácio Tiradentes, Teatro Municipal, Biblioteca Nacional, Museu de Belas Artes, Escadaria Selarón e, por fim, os arcos da Lapa. 

Em todos os pontos, fizemos parada para explicação da história do local ou para uma pausa breve para lanches ou compras. O custo-benefício é imenso. Todos os pontos são bem interessantes e possuem forte componente histórico. O mais legal de todos, na minha opinião, foi a Escadaria Selarón. O local é muito bonito, decorado com azulejos e cerâmica de todas as partes do mundo.



O Free Walker Tours é uma forma de conhecer o centro do Rio de Janeiro de forma segura e com alguém experiente ao seu lado, que vai te passar todas as dicas da região e explicar a história de cada edifício histórico e monumento. Infelizmente, como é de praxe nas grandes metrópoles do Brasil, não é seguro andar pela cidade sozinho ou em grupos pequenos, ainda mais usando câmeras fotográficas. No grupo do Free Walker, nos sentimos seguros e confortáveis para desfrutar do passeio, obtemos informações preciosas e temos um guia a nossa disposição, tudo isso com um investimento baixo.

Se você não conhecia o Free Walker Tours, fica aqui a dica para quando for ao Rio. Eis uma chance de ter um passeio de qualidade por um preço em conta. Se você quer conhecer a fundo o centro da cidade, essa é a chance. E não precisa ficar com receio ou em dúvida: eles estarão lá todos os dias às 10h30. E é de graça! Tá esperando o quê?

➲ SERVIÇO:
Free Walker Tours – www.freewalkertours.com

*Milton Raulino é jornalista, fotógrafo e ama viajar.

✈ Continua...

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Jardineira: O ônibus de turismo de Curitiba


Curitiba está entre as capitais mais famosas e visitadas do Brasil, sendo a terceira no país líder em turismo de negócios, segundo o Ministério do Turismo (MTur). O clima frio na maior parte do ano, o transporte público eficiente - ao menos comparado a outros municípios -, organização, limpeza, as dezenas de atrativos turísticos, roteiros culturais bem falados e frequentados, além de peculiaridades urbanas que só a capital sorriso tem, fazem da cidade paranaense um dos circuitos mais queridos do turismo brasileiro.












Teatro Paiol

São mais de 30 pontos de visitação, entre praças, parques, bosques, teatros, atrativos naturais, museus, igrejas, torre, zoológico, estação, e demais formas de manifestações culturais e entretenimento. Alguns deles estão na rota oficial de passeios pela cidade, outros podem ser descobertos através de andanças (walk tour) ou mesmo cicloturismo. Mas independente da opção de passeio do viajante, os suspiros de encantamento com a capital ecológica do Brasil estão garantidos.

ROTEIRO OFICIAL: 

Sugere 25 opções de passeios, e é feito pela tradicional LINHA TURISMO, oferecido pela Prefeitura de Curitiba. O ônibus é similar ao famoso transporte de Londres - com primeiro andar, que fica com o teto aberto em dias de sol -, e aqui tem o apelido de Jardineira.

Funciona assim: Você compra o ticket na hora do embarque, que custa R$29, e te dá direito a cinco descidas e um mapa turístico da cidade. Um passe já é destacado no momento em que você sobe no veículo, e você pode escolher mais quatro lugares do mapa para desembarcar e fazer o passeio. Depois da visita, é só pegar o ônibus no mesmo local. Quando os tickets acabam e você ainda não está satisfeito com o passeio, você pode comprar outro normalmente pagando o mesmo valor. 

O ponto inicial da jardineira é na Praça Tiradentes - o Marco Zero da cidade -, mas é possível pegar o transporte em qualquer uma das paradas que ele passa (sempre identificadas com uma placa da linha turismo e com os horários que os veículos passam naquele ponto), caso fique mais próximo do lugar que você está hospedado. 














Fotos: Aline Souza / EE

O passeio completo - sem considerar as descidas - dura cerca de 3h, e o percurso é feito por vários bairros charmosos na capital, como Santa Felicidade, começando e terminando no centro histórico. Os ônibus são equipados com gravações em três idiomas (português, inglês e espanhol) que fornecem informações históricas sobre cada ponto turístico que a linha passa.

Minha avaliação: ✈✈✈✈✈ 

Acho o passeio altamente recomendável, principalmente para quem vem em família ou com o tempo curto. Se você gosta de conforto ou mesmo prefere um passeio menos "informal", a jardineira, sem dúvidas, vai te deixar satisfeito. Além disso, ficar no "alto da montanha" (segundo andar do ônibus), dá outra impressão da cidade e garante ótimas fotografias. 

Paradas:

Catedral / Praça Tiradentes; 
Rua das Flores;  
Rua 24 horas; 
Museu Ferroviário; 
Teatro Paiol; 
Jardim Botânico; 
Mercado Municipal / Mercado de orgânicos; 
Universidade Federal do Paraná / Teatro Guaíra; 
Paço da Liberdade; Memorial Árabe / Passeio Público; Centro Cívico; Museu Oscar Niemeyer; 
Bosque João Paulo II / Memorial Polonês; 
Bosque Alemão; 
Bosque Zaninelli / Universidade Livre do Meio Ambiente; 
Parque São Lourenço; 
Ópera de Arame / Pedreira Paulo Leminski; 
Parque Tanguá; 
Parque Tingui / Memorial Ucraniano; 
Santa Felicidade; 
Parque Barigui; 
Torre Panorâmica; 
Setor Histórico.

*Apesar dessa linha ser de fácil acesso e a forma mais fácil de passear pela cidade, também é possível fazer o city tour a pé ou de bike. No próximo post vamos publicar o roteiro oficial Entre Embarques.

Centro de informações turísticas:
Atendimento 24h pelo telefone (41) 3352.8000 ou turismoserv@turismo.curitiba.pr.gov.br

quarta-feira, 22 de maio de 2013

O caminho do bem



"Eu ando pelo meio do mato, procurando rastros, seguindo histórias. Buscando sempre algo que não foi tocado pelo homem, atrás da pureza do mundo. A minha fé é a desculpa para a minha coragem. Piso descalça, sem medo de terra, bicho ou água. Estou no caminho da paz tão almejada pelos retirantes. Porque sonho com o dia em que vou acordar com o cheiro de chuva, cercada de verde e com o canto suave das aves. Sem toques, máquinas, repressões e esquisitices urbanas. Façamos o caminho do bem."


segunda-feira, 13 de maio de 2013

Guaranis tentam resgatar cultura na aldeia Araçá-i

O couchsurfing Curitiba organizou uma saída até a aldeia Araçá-i, em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Quase trinta aventureiros e viajantes saíram da capital para ir até o local, em pleno domingo de dia das mães, para visitar a comunidade indígena. Além de organizado, o grupo é muito disposto e solidário. Pessoas que têm carro se prontificaram a dar carona e no final deu tudo certo.

Saindo do centro de Piraquara, levamos cerca de 30 minutos para chegar até a aldeia. O passeio é guiado pelo gordinho Jefferson, que trabalha no departamento turístico do município. Antes de seguir pela estrada de terra, ele nos passa diversas orientações antes do encontro. Além disso, precisamos doar um valor de R$10 por visitante, que são entregues à comunidade. Segundo o guia, o dinheiro é destinado ao sustento do povo, que vive basicamente de turismo, artesanato e doações.

E antes de se impressionar, uma notícia: Os guaranis da aldeia Araçá-i não dormem em ocas, não usam cocais, não andam nus e nem empunham arcos e flechas. Essa orientação, inclusive, é a primeira coisa a se saber antes de chegarmos ao local, diante de outras histórias que o guia conta antes de chegarmos na aldeia.

Cerca de 80 pessoas entre homens, mulheres e crianças ocupam as novas terras "cedidas" pela prefeitura à Funai, e agora pertencem aos guaranis habitantes do local. Segundo gordinho, os índios foram deslocados de uma região chamada Mangueirinha, próxima de Foz do Iguaçu, por desavença com outras tribos, e se instalaram em Piraquara há 10 anos. Mas o líder da aldeia afirma que atualmente não há nenhuma desavença.

CACIQUE E ALUNO DA FEDERAL

O cacique é o jovem Laércio, de 24 anos. "É o cacique mais novo do estado do Parána", informou o gordinho. Além de chefiar a aldeia, Laércio conta com o auxílio de conselheiros mais velhos para tomar decisões para a comunidade. "É assim que funciona." E não são essas atividades que resumem o dia do líder, que passou no vestibular de Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e agora cursa o primeiro período.

Quando perguntado se pretende sair da aldeia ao terminar a universidade, ele responde que não. "Quero concluir os estudos, e acho que vai ser útil na liderança aqui dentro da comunidade, mas não pretendo me afastar da aldeia Araçá-i", disse.

As casas são feitas de madeira, e os moradores produzem artesanatos no lugar, que são vendidos aos diversos visitantes. Dos costumes tradicionais, pouco ainda resta. As cerimônias de casamento não acontecem mais, e a união entre parentes também não é permitida na aldeia. Além disso, há aparelhos eletrônicos dos mais variados nas casas, e nota-se a entrada massante da cultura de consumo no lugar - como música estrangeira (que tocava no momento da nossa chegada), veículos automotivos e outros apetrechos.

O comportamento do "estrangeiro" vide: nós, visitantes, dá uma sensação incômoda. A melhor tradução para isso veio de um amigo: "Me senti mal de ver as pessoas tirando fotos. Parece até que eles são coisas, mas são pessoas. Seres humanos como nós". E isso é ratificado no mapa da cidade, no qual a aldeia está inserida no roteiro turístico local.



Na aldeia existe a estrutura da casa de cura - a qual não tivemos acesso -, e também a casa de reza, onde não foi permitido fotografar (por opção da aldeia), que possui uma espécie de altar com madeira e penas. Ali, segundo o cacique, acontecem rituais de cura e ritos religiosos. Porém, quando não há "resultado", há intervenção da medicina para curar os enfermos. O médico vai na aldeia uma vez por semana. 

O gordinho, sempre falante, apresentou alguns instrumentos usados pelo povo na execução dos ritos na casa de reza e em seguida abriu uma roda de perguntas para fazermos ao cacique Laércio. Perguntei se eles sentem que estão descaracterizados da cultura, o líder respondeu que sim. "Estamos tentando fazer um resgate de costumes, mas não é fácil", reconhece.

De remanescente da cultura, talvez somente o idioma. Os guaranis são alfabetizados na escolinha Mbyá Arandú, mantida pelo município dentro da aldeia. Quatro professores nativos e bilíngues dão aulas às crianças, que em princípio aprendem o tupi-guarani e depois são alfabetizadas em português na escola, segundo o cacique.

No fim da visita, uma apresentação musical. Para mim, foi o momento em que me senti conectada à cultura indígena que pena em resistir. O canto de crianças, mulheres e homens guaranis preencheu a nossa tarde de domingo com um canto que parecia se mover como o vento e fazer parte da natureza.



Fotos: Giulia Cosci Bernard / Especial para o EE
Imagens: Aline Souza / EE

sábado, 30 de março de 2013

As 20 fontes do Coração de Curitiba


Atenção, atenção!
#Curitiba e visitantes...

Neste sábado (30), haverá um passeio chamado "As 20 fontes do Coração de Curitiba", para quem quiser conhecer melhor os pontos turísticos da capital paranaense.  O evento será guiado pelo francês Jacques Decoret, e sairá às 14h30 do Café do Paço da liberdade, localizado na Praça Generoso Marques, 189. Jacques mora em Curitiba e participa do Couchsurfing e do Language Meeting. 

O percurso será feito todo a pé, portanto não há custo de ingresso, nem cadastro, é só chegar no local, se apresentar e fazer amigos!  Para quem vai ficar na cidade, é uma excelente opção de passeio saudável e econômico. Vamos torcer para não chover. (:

Lembrando... é hoje!

#Walk #Curitiba #Tourism #Feriadão #OcupeCuritiba

Outras informações sobre este e outros encontros através do email: decoretj@hotmail.com

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Vagão três

Tão frio e tão cedo, fui logo recepcionada com um ótimo atendimento da Serra Verde Express - meu bilhete já estava impresso e aguardando por mim, sem nenhuma burocracia. Depois de uns minutos os demais passageiros começaram a chegar na rodoferroviária e fotografar tudo. Apesar de ser uma quarta-feira, achei grande a quantidade de viajantes e também de turistas.

Leia também: Curitiba - Morretes: Viajando de trem pela serra do Mar;
                      Curitiba: Batel, Santa felicidade e o querido Cancun Bar;
                           Curitiba: Sete graus;

Passeio de trem pela serra do mar é o segundo destino turístico mais famoso do Paraná
Foto: Aline Souza / EE

Falando em turista, uma senhora muito auspiciosa entusiasmada sentou ao meu lado enquanto aguardávamos o embarque, e logo puxou assunto num português bem esquisito. Primeiro me pediu para tirar uma foto dela e depois começou a tagarelar.

- Olha, você tira uma foto minha aqui?
Respondi que sim e fiz a foto.

E depois que peguei a Kodak para fazer um único clique ela não me largou mais. Me contou que tinha nascido no Egito mas morava em Nova York há muitos anos. Me perguntou inúmeras coisas, inclusive sobre hospedagem (onde eu estava, quando tinha chegado e se ficaria muito tempo na cidade) e contou que já visitou mais de 33 países e só gostava de se hospedar em albergues – o que achei muito interessante devido ao exibicionismo dela.

"Não gosto de hotel. Em albergue tenho o mesmo serviço e pago menos. Os albergues daqui são muito bons. Agora estou no Roma Hostel, você conhece?", perguntou a senhorinha.

Nunca me hospedei no Roma Hostel, mas já ouvi/li ótimas referências sobre o local. Mas já passei na frente (ele fica próximo ao Shopping Estação) e achei um charme. E depois, um elogio vindo de uma estrangeira, então, não há muito o que duvidar. Fora que a egípcia era, acima de tudo, exigente (percebi pela quantidade de vezes que me fez repetir as fotos dela). E uns vinte minutos depois, embarcamos no vagão três. Só acreditei que estava ali quando ouvi o sinal de fumaça do trem... “Estamos partindo. Maravilha!”. 

O guia era o Fábio Rozalinski, muito bem informado e simpático, aliás (mesmo com os passageiros mais cabulosos. E, acreditem, tinham vários). A estrada de ferro pela qual passaríamos é a segunda rota turística mais famosa do Paraná (só “perde” para as Cataratas do Iguaçu). Ela foi projetada pelos irmãos Antônio e André Rebouças (primeiros engenheiros negros do Brasil), que foram contratados exclusivamente para encabeçar o projeto. Na época, a ferrovia era a principal e mais rápida ligação até o litoral paranaense.

Inaugurada em 1885, em 2 fevereiro de 2012 a ferrovia completou 127 anos – mas parece uma menina de 15. Com o passar dos anos a estrada também começou a ser utilizada comercialmente, como é até hoje. De Curitiba até Morretes o percurso é: Curitiba – Pinhais – Piraquara – Morretes. Mas a ferrovia segue até o porto de Paranaguá.

Dica do guia: O filme brasileiro “O Preço da Paz” foi todo filmado no Paraná e conta um pouco da história do Estado.

Estação Marumbi
Durante o percurso passamos pelo Cânion do Ipiranga, Cachoeira Véu da Noiva, Garganta do Diabo, Cruz do Barão (local onde o Barão do Serro Azul, heroi paranaense, foi fuzilado), Ponte São João (toda construída em aço), Viaduto do Carvalho, Rio Taquaral, Pico do Marumbi (onde fica a estação de mesmo nome e, segundo o guia, o local serviu como cenário para uma cena da novela O Astro), a Represa de Cangaíba (dizem que alguns aventureiros acampam ali), além de várias ruínas aos redor das estações que, na época de construção da ferrovia, eram casas de operários que trabalhavam na obra ou pequenos comércios.

Ali de dentro do vagão eu quase poderia ver senhores de paletó e senhoras com vestidos drapeados e sombrinhas viajando de trem. Ao redor, se não estivesse tão frio, eu iria querer acampar no meio da mata e tomar água da chuva. Ainda assim arrisquei congelar meus dedos colocando a mão para fora da janela só para tocar nas folhas das árvores. Um pedacinho de história, um pedacinho de mundo.

Aproximadamente três horas e meia depois, chegamos em Morretes...