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| Foto: Aline Souza / Entre Embarques |
Na última sexta-feira de janeiro (28) voltei aos tempos de criança e fui fazer uma visita ao Parque Estadual Dois Irmãos, no bairro de Apipucos, no Recife. Lembro que eu adorava ir pro "horto" - como chamavam antigamente, quando o local funcionava somente como Zoo -, e era o tipo de programa que fazia a gente sair de casa de manhã e voltar pela tardinha. Eu, que sempre gostei de bicho, achava o máximo passar o dia no meio de tanta natureza, me sujar de terra fazendo trilha na mata, passear de pedalinho, comer algodão-doce e voltar toda melecada pra casa.
Dessa vez, a sensação foi diferente... Acho importante crianças que crescem no meio desse asfalto todo, e não têm condições de viajar para ter contato com a natureza, terem a oportunidade de observar (nem que seja bem de longe e trancafiados numa jaula) um pouco do que temos na natureza.
Mesmo assim, não consegui deixar de me comover com a situação dos animais. Além daquela sensação horrível de ver macacos, ursos, um leão magro, rouco e solitário, emas, lhamas, e tantos outros bichos enjaulados, lembrei de como era aquele cenário há 18 anos e constatei que a vida ali já não era a mesma.
Naturalmente os animais começam a apresentar certos transtornos depois de um tempo enjaulados. O furão fica dando voltas próximo da porta da gaiola e, vez ou outra, para e cheira o cadeado. Os macacos são os menos infelizes - ao meu ver - interagem com o público, fazem graça e brincam o tempo todo entre si. As araras dão pena de tão solitárias, o mesmo vale para o maguari, mutum e todas as outras aves.
Não posso afirmar que são mal cuidadas, mas a primeira impressão que fica é a de um ambiente sujo, principalmente dentro das jaulas. Segundo o biólogo do Parque, Leonardo Melo, o local - administrado pelo Governo do Estado - está passando por uma reforma que começou há três anos, e toda a estrutura observada é proposital. "Queremos recriar o ambiente da selva para o animal, então colocamos troncos de árvores, mato e tudo o que possa deixá-lo mais próximo disso possível. O aspecto que para nós pode parecer inóspito é apropriado para eles", afirmou.
Sobre certas "manias" que os bichos dali têm, ele explica. "É normal o animal de cativeiro apresentar características incomuns. Digamos que ele fica idiotizado, já que vive fora do seu hábitat", disse o biólogo.Até 2014 o Parque passará por uma reforma e receberá novas espécies - provavelmente para fazer a "fita" no ano em que o Estado vai receber jogos da Copa do Mundo.
Há os que defendam a criação de bichos em cativeiro, alegando é uma estratégia de conservação das espécies. Só não acho que um parque com 384,42 hectares, sendo apenas 14 hectares destinados a mais de 400 bichos - segundo dados da Secretaria de Meio Ambiente - seja o ideal.
» Vídeo:
- Leo, o rei da selva?
- O balé marinho das lontras:
Além disso, existem espaços que se encontram completamente abandonados, servindo como ponto de encontro e outras coisitas más. O espaço "Zôo lazer" - que deveria funcionar como um parque infantil e temático - é um exemplo do abandono. Banheiros sujos, lixo, poças d'água e um "breu" de mata funda dão a sensação de um filme de terror. Bem diferente daquele sonho de criança que eu tinha na memória.
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Garrafas pet, por sinal, são um dos piores problemas. No açude é o que mais conseguimos observar. Saguis e outros bichos tentam sobreviver disputando o espaço - que por direito é deles - onde há tanto lixo acumulado. As lixeiras quebradas também não facilitam o cidadão (muitas vezes preguiçoso) a jogar os restos no lugar correto.
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| Pipoca doce, quer? |
Área que continua conservada (também, não poderia ser diferente) é um pequeno pátio de alimentação. Tem um restaurante ótimo para almoçar num domingo de sol, além das barracas - todas nomeadas com nomes de animais - que servem variadas opções de cardápio. Fiquei na pipoca e água com gás para não perder o clima natureba.
Apesar das minhas novas observações, é um passeio ecológico e fora do roteiro de concreto a que estamos acostumados. O preço de visitação é único: R$ 2,00 e o horário do Parque pode ser conferido no site do Horto.
Grande maldade, tenho horror a ver bicho em cativeiro. Pensei um dia ir por lá visitar, mas uma colega me disse que ficou triste por ver o leão sozinho, tristonho, então pensei que iria acabar chorando e desisti. Usar animais para entretenimento humano deveria ser crime. São zoológicos, shows de baleias e golfinhos no exterior,hotéis aquáticos e circos que ainda fazem uso de animal. Isto até me lembra do filme Madagascar, a história mais louca que já vi, apesar de engraçado, ele deixa a mensagem que os animais são mais felizes no zoo do que na natureza! É uma pena que poucos parem para refletir! Por outro lado fico feliz que há ONGs que se preocupam com os animais! Parabéns pela matéria. Um lugar como este, nem deveria possuir lanchonetes/restaurantes, deve ser horrível tentar engolir algo diante tamanha tristeza, e mais descuido, sujeira ambiental. Cristiane Menezes
ResponderExcluirÉ verdade Cris, boa lembrança do filme Madagascar. Resume tudo. Um beijo!
ExcluirEstive lá semana passada e fiquei triste com a situação daqueles animais, o urso em um espaço minúsculo e com medo de cair no fosso, 2 tigres siberianos em 1 cubículo, um babuino fazendo os mesmos movimentos, o lago cheio de vegetação, o solitário leão em um espaço tão pequeno.....Lamentável.
ResponderExcluirCom a chegada da Copa tudo vai mudar sqn
ResponderExcluirO pior é isso. :/
ExcluirÉ muito triste sabermos que há tão pouca chance dessas coisas mudarem. Não por falta de recursos ou meios, e mais por falta de vontade. :(
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