terça-feira, 1 de outubro de 2013

#Manaus: O encantador de botos e outras histórias...













Depois do almoço, embarcamos numa longa jornada no sentido contrário ao qual navegamos. Agora, estávamos subindo o Rio Negro. Chegamos até um dos passeios pelo qual eu mais esperei, mas que para mim foi o mais frustrante. Depois de quase duas horas navegando (deu tempo até de cochilar), chegamos a uma casa flutuante com um dique, no qual poderíamos entrar na água e tomar banho com os botos.

Junto com o grupo, entrava um habitante do local. Sua profissão? Encantador de botos. Com alguns peixes em mãos, o rapaz fazia sons e brincava com a água para chamar a atenção dos botos. Pouco a pouco, alguns se aproximaram, mas não chegaram a interagir conosco. A justificativa para tal foi que possivelmente os botos não estavam famintos.

O fato se confirmou ao vermos o balde do encantador com pouquíssimos peixes. De barriguinha cheia diante da visita de outros grupos em horário mais cedo, os botos ainda fizeram alguma graça conosco: passaram entre nossas pernas e deram alguns pequenos saltos, mas não muito próximos de nós.



De lá atravessamos para outra margem do rio e chegamos a um reduto dos índios da etnia Dessana Tukanado alto Rio Negro. Em uma grande oca, nos saúdam em bom português e, em seguida, interpretam uma dança típica na qual homens e mulheres cantam em seu idioma nativo e tocam flauta. Depois, nos convidam para dançar, o que resulta em um interessante sincretismo entre as culturas branca e indígena. 

Em pouco mais de meia hora, o ritual se encerra e pode-se tirar fotos com a comunidade e comprar artesanato dito feito por eles. Algumas peças como colares e chaveiros encontra-se à venda em lojas de souvenirs e na feirinha de Manaus pelo mesmo preço ou até mais em conta. No entanto, certos artefatos, como zarabatana o “apanhador de sonhos” – espécie de mensageiro dos ventos para enfeitar ambientes –, não vi à venda em nenhum outro lugar.

MUSEU DO SERINGAL - Para aqueles que dispensam guias turísticos e preferem se aventurar, uma boa dica é conhecer a Zona Sul de Manaus, a chamada Ponta Negra. Próximo ao terminal de ônibus local, é possível ir andando até a conhecida Marina do Davi. De lá, saem barcos a todo instante para várias comunidades – ribeirinhas e terrestres –, trechos de praia fluvial e um dos passeios mais legais que fiz em minha estadia na Amazônia: o Museu do Seringal Vila Paraíso.

Pagando R$9, embarquei uma lancha mediana, coberta, com coletes e capacidade para cerca de 20 pessoas. Tudo muito organizado, tal como o grande barco do passeio anterior. A lancha desbravava o Negro e ancorando em algumas comunidades ou em trechos onde a areia se mostrava. É o caso das praias do Tupé e da Lua.



Era uma quente tarde de domingo, portanto, imagine quantos manauaras estavam se refrescando nesses lugares. Além de poder tomar um banho de rio, se bronzear ou ficar de bobeira tomando algo, não há muito que fazer nesses lugares. Se você encara um mergulho, sugiro pegar o barco até essas duas praias. A praia da Ponta Negra oferece menos estrutura e é mais suja. Como não nenhuma delas me pareceu convidativa, permaneci a bordo até meu destino final.

Museu do Seringal foi a última parada do passeio, pela qual valeu a pena esperar. Trata-se de uma vila imaginária que remonta uma fazenda seringalista do final do século 19. O cenário foi set de gravação, em 2001, o filme luso-brasileiro “A Selva”, com Maitê Proença, Cláudio Marzo e Chico Diaz. Após o lançamento do longa, o local foi preservado como museu, contando a história do Ciclo da Borracha, que gerou riqueza e bons frutos a Manaus, como a construção do Teatro Amazonas.

Passeando por construções como casa do barão, casa de aviamento, igreja, seringal e casa do seringueiro, guias turísticos contam um pouco da história do filme, que contextualiza a exploração que os seringueiros sofriam na Amazônia entre os séculos 19 e 20. É possível ver como era extraída e fabricada a borracha e também a mandioca, na qual se produz a farinha e o tucupi – caldo da raiz. Os R$5 investidos na visita guiada valeram a pena. Foi o mais perto que me senti da floresta, passeando por entre as árvores, além de adquirir conhecimento, o que nunca é demais.

Senti falta de atrações educativas assim em Manaus. Durante a estadia, além desse, descobri que existia o Museu do Índio, dentro da cidade. Contudo, por conta dos feriados os quais mencionei – dias 5 e 7 de setembro –, o local estava fechado.




 Continua...


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 Milton Raulino
Jornalista graduado pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e fotógrafo formado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem e Ensino (Senac). Trabalha como assessor de imprensa, atendendo clientes institucionais e culturais. É membro do Entre Embarques desde 2012. Em@ail: milton@entreembarques.com
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